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ESPECIAL: Conhecendo o BRT Sorocaba

Sistema inaugurado em 2020 está em expansão e, em 2022, chegará a totalidade prevista de corredores exclusivos; CCO e variedades de formas de pagamento são destaques

WILLIAN MOREIRA/ADAMO BAZANI

O Diário do Transporte esteve na terça-feira, 18 de maio de 2021, na cidade de Sorocaba, no interior de São Paulo, acompanhando uma comitiva da Prefeitura de São Bernardo do Campo para conhecer o sistema de BRT (Bus Rapid Transit) local, sistema novo que diminuiu o tempo de viagem em alguns pontos do município, por meio de vias rápidas para os ônibus.

Constituído de três eixos principais, já com dois em operação, o BRT Sorocaba foi inaugurado em setembro de 2020, fruto de um sistema de concessão e PPP (Parceira Publico Privada) responsável pelas obras e operação. É a primeira PPP do País para um BRT neste modelo de contrato único que engloba construção e operação.

O Consócio BRT Sorocaba, o ente privado da PPP, é formado pela Mobibrasil e pela CS Brasil (Grupo JSL – Júlio Simões), que desde 2011 operam o lote 01 de linhas comuns de ônibus por meio do Consor (Consórcio Sorocaba).

O Consórcio BRT Sorocaba apresentou proposta na concorrência internacional 001/2015 em 05 de março de 2016.

As obras do BRT Sorocaba começaram em 2018 e o primeiro trecho do sistema passou a operar em setembro de 2020.

A PPP também é um dos primeiros contratos de transportes de passageiros por ônibus a ter um sistema de compliance, que, do termo em inglês, “to comply”, significa estar em conformidade com normas, leis, regulamentos, políticas e diretrizes estabelecidas. O objetivo é garantir relações éticas em negócios e instituições.

De acordo com o projeto, a concessão de 20 anos obriga o concessionário a constituir 68 quilômetros de vias, três terminais de ônibus integrados, quatro estações de integração, 28 estações do BRT, 96 abrigos e uma garagem, além de um CCO (Centro de Controle Operacional) e uma frota composta de 125 ônibus de modelos articulados e padron com ar-condicionado.
Os recursos totalizam R$ 384 milhões para implantação do sistema todo, destinados para desapropriações, o projeto em si, material rodante (ônibus) e os sistemas de tecnologia do transporte, como o monitoramento em tempo real dos veículos e estações de embarque e desembarque. Deste montante, R$ 251 milhões são investimentos da iniciativa privada e R$ 133 milhões são de subsídios intermediados Prefeitura de Sorocaba, sendo R$ 127 milhões de recursos do Governo Federal.

Dos três corredores, o BRT Itavuvu e Ipanema já estão em operações na Zona Norte de Sorocaba, ligando ao centro da cidade por meio de dois terminais principais, o São Bento e Vitória Régia, como pode ser notado no mapa do BRT abaixo.

As estações são outros pontos de destaque, com portas inteligentes que são similares às Portas de Plataforma presente em estações do Metrô de São Paulo, com a abertura e fechamento sendo sincronizados com os veículos, evitando o risco de acesso indevido a via e acidentes.

VEÍCULOS

A frota total é de 125 ônibus, sendo 41 articulados.

Os veículos foram trazidos novos para o sistema, têm ar condicionado, são movidos a combustível diesel e têm o piso elevado para as plataformas das estações.

 

No interior dos ônibus, há televisores e sistema de alto-falantes automatizado que informa a próxima parada/estação aos passageiros, sem a necessidade de ação do motorista.

CENTRO DE CONTROLE OPERACIONAL

O CCO (Centro de Controle Operacional) do BRT é um dos destaques de todo o transporte, com alta tecnologia por meio de sistema GPS e câmeras com geração de imagem em tempo real, inclusive nas estações, o que contribui para uma segurança maior aos usuários.

Por esta central, o Diário do Transporte acompanhou ao vivo que as pessoas com deficiência têm uma autonomia maior e, mesmo sem um cartão especial para embarque, com uma ligação por meio de um interfone conectado com esta central, o passageiro se aproxima da câmera, mostra um documento de identificação e tem seu acesso liberado remotamente, eliminando a intervenção humana neste processo.


Segundo o que a presidente da empresa MobiBrasil, Niege Chaves, integrante do Consórcio BRT Sorocaba, contou ao Diário do Transporte, tem sido possível manter a marca de zero assaltos ou ações criminosas aos passageiros desde a inauguração dos corredores em setembro de 2020. Até o presente momento (18 de maio de 2021), apenas casos de vandalismo nas estações foram registrados.
]disse Niege ao comentar sobre o sistema de monitoramento que conta com câmeras em todas as partes dos corredores.

SISTEMA TARIFÁRIO

Para utilizar os ônibus do BRT, o passageiro possui três formas de pagamento disponíveis nas estações e terminais.: Cartão Cidadão; Pagamento via aplicativo de celular da Citta Mobi; Aquisição de créditos via QR Code, disponíveis nas bilheterias.
No celular e bilhete de papel com o código, basta aproximar do validador que o embarque é liberado, com um sistema mais automatizado que evita fraudes.

ABC PAULISTA

A comitiva da Prefeitura de São Bernardo do Campo aproveitou ao conhecer todo o meio de transporte, coletar informações que podem ser aproveitadas na implantação do futuro BRT ABC, que será construído e operado pela Next Mobilidade (ABC Sistemas), no âmbito da prorrogação em 25 ano do contrato da Metra (do grupo ABC) pelo Corredor Metropolitano ABD (ônibus e trólebus).  O contrato prorrogado é de R$ 22,6 bilhões e o BRT ABC deve custar em torno de R$ 860 milhões para ser implantado, com previsão de início de funcionamento entre dezembro de 2022 e janeiro de 2023.

O grupo da Metra também vai operar todas as linhas metropolitanas da EMTU (Empresa Metropolitana de Transportes), atualmente prestadas por diferentes empresas em contratos precários.

O prefeito de São Bernardo do Campo, Orlando Morando, concedeu entrevista ao Diário do Transporte e comentou sobre suas impressões de todo o transporte de Sorocaba.

Relembre: https://diariodotransporte.com.br/2021/05/18/audio-brt-abc-vai-provocar-reorganizacao-das-linhas-municipais-de-sao-bernardo-do-campo-diz-orlando-morando/

O BRT de Sorocaba ainda está em fase de implantação e terá uma estrutura total de 17 km de corredores em canteiro central, 25 km de corredores estruturados (faixa de piso rígido de concreto à direita), 27 estações, quatro de transferência, três terminais e 96 abrigos de ônibus.

Willian Moreira em colaboração especial para o Diário do Transporte

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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