Diário no Sul

Rodoviários de Ponta Grossa mantêm greve com paralisação de 50% da frota até domingo (16)

A partir de segunda-feira (17) Sintropas prometeu liberar 70% dos ônibus. Foto: Sintropas

Trabalhadores ameaçam greve total se salários atrasados não forem pagos no máximo até a próxima sexta feira (21)

ALEXANDRE PELEGI

Em nota oficial divulgada nessa sexta-feira, 14 de maio de 2021, o Sintropas, sindicato que representa os trabalhadores da Viação Campos Gerais (VCG), que opera o transporte coletivo de Ponta Grossa, no Paraná, informou que manterá a greve com 50% da frota em circulação até domingo (16).

A partir de segunda-feira (17), no entanto, o sindicato prometeu liberar 70% da frota.

As medidas foram decididas pela entidade dos rodoviários “em função da falta de pagamento do salário de abril dos trabalhadores, e considerando o pagamento do cartão alimentação, que deve ser feito no dia 20”.

A partir de segunda-feira (17), 70% dos ônibus serão liberados, o que possibilitará à VCG “arrecadar e garantir o cartão alimentação e o salário do mês de maio, em junho”.

Mas o sindicato adverte: se os pagamentos atrasados não forem efetuados no máximo até a próxima sexta feira (21), a greve volta com 100% de adesão.

A argumentação do Sintropas para as medidas anunciadas é de que se a paralisação fosse total, a partir deste sábado (15), a probabilidade seria de a empresa não arrecadar, e no dia 20 não ter condições de pagar o cartão alimentação.

Os trabalhadores estão contando com o repasse da prefeitura no dia 20. Em audiência na quinta-feira (13), foi firmado um acordo em que o município se comprometeu a realizar um repasse em dinheiro à VCG para quitar os salários atrasados de abril.

O transporte coletivo de Ponta Grossa vem registrando greve desde 5 de abril, e amanheceu no dia 07 de maio de 2021 totalmente paralisado.

Apesar da greve, os ônibus estavam circulando com metade da frota, mas nesse dia nenhum veículo saiu às ruas.

A paralisação geral dos serviços foi por causa da decisão da justiça, que na quinta-feira (6) indeferiu o pedido de liberação dos recursos da Viação Campos Gerais (VCG) para quitar os salários atrasados, motivo principal do protesto.

Na segunda-feira, 03 de maio, o Sintropas-PG, que representa os profissionais, havia dado entrada com o pedido na Justiça Trabalhista para que fosse determinado à VCG que anexasse aos autos, de maneira urgente, os holerites de todos os funcionários, com a respectiva conta salário de pagamento, para que o judiciário pudesse cobrar a transferência dos valores bloqueados da companhia aos trabalhadores.

Como mostrou o Diário do Transporte, no dia 28 de abril, a Justiça decidiu pelo bloqueio de bens da VCG para pagar os salários atrasados. Na mesma data, foi realizada uma paralisação geral da categoria. Até essa quinta (06) apenas 50% da frota estava em operação.

Relembre:

A empresa de ônibus relata dificuldades financeiras agravadas pela pandemia de covid-19, que impactou na demanda de passageiros.

No dia 13 de maio os passageiros que utilizam o transporte coletivo na cidade paranaense voltaram a contar com 50% da frota em atendimento no município. O aumento de veículos nas ruas aconteceu um dia após a VCG efetuar o pagamento de parte dos salários atrasados aos seus funcionários, valor referente ao mês de março, deixando abril ainda em aberto.

Leia a nota do Sintropas na íntegra:


Decisão do Sintropas em relação à permanência da greve

14 de maio de 2021

Diante do cenário envolvendo o caos no transporte coletivo em Ponta Grossa, em função da falta de pagamento do salário de abril dos trabalhadores, e considerando o pagamento do cartão alimentação, que deve ser feito no dia 20, o Sintropas fez uma análise das próximas ações e suas possíveis consequências e decidiu que a greve com paralisação de 50% da frota permanece até domingo (16), e, a partir de segunda-feira (17), 70% dos ônibus serão liberados.

Desta maneira, a Viação dos Campos Gerais poderá arrecadar e garantir o cartão alimentação e o salário do mês de maio, em junho. Se os pagamentos atrasados não forem efetuados no máximo até a próxima sexta feira (21), a greve retornará com 100% de adesão. Com esta decisão, a diretoria do Sintropas sinaliza aos usuários do transporte de Ponta Grossa a sua preocupação com a superlotação e com a propagação da Covid-19. Também enfatiza que não há intenção de prejudicar ninguém.

Se a paralisação fosse total, a partir deste sábado (15), a probabilidade seria da empresa não arrecadar, e no dia 20 não teria condições de pagar o cartão alimentação. Sendo assim, a frota permaneceria parada até que a empresa recebesse da Prefeitura. Os mesmos não receberiam, já que a VCG provavelmente alegaria que sem dinheiro em caixa não terá verba para pagar o VR. A expectativa é de que este pagamento do executivo aconteça até o próximo dia 20, mesmo dia que vence o cartão alimentação dos colaboradores.

Outra possibilidade levada em consideração foi de retornar com 100% da frota. A empresa arrecadaria normalmente, porém a greve perderia o sentido, e, em caso de problemas com os salários, novas assembleias teriam que ser feitas, respeitando a lei da greve e informando a empresa e Prefeitura sobre a decisão de parar novamente em 72 hrs, ou seja, 3 dias após a assembleia.

Com a permanência absoluta em 50% da frota, existe a questão que envolve a superlotação e o risco maior de propagação da Covid-19. Da mesma maneira seria aguardado o parecer da Câmara de Vereadores.  Com a permanência da frota em 50% no final de semana e liberação de 70% a partir de segunda, a empresa terá condição de arrecadar e garantir o pagamento de junho. Neste caso, diminuindo a pressão sobre a superlotação e a segurança dos funcionários. Se até a próxima sexta feira dia 21, não ocorrer os pagamentos do salário e do cartão alimentação, a greve volta com 100% de frota parada.

As quatro opções foram consideras, acreditando que a Prefeitura cumprirá aquilo que se comprometeu na audiência do dissidio do TRT, na Vara de Fazenda Pública e com os vereadores durante reunião ontem.

 

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

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