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Viação Acari, do Rio de Janeiro, comunica que vai fechar as portas

Ônibus da Viação Acari em linha municipal

Empresa diz que situação financeira se agravou com crise provocada pela covid-19; Desde 2015, 16 empresas de ônibus fecharam no Rio de Janeiro; Cerca de 600 funcionários da Acari serão demitidos.

ADAMO BAZANI

A Viação Acari, que opera linhas municipais no Rio de Janeiro, comunicou nesta quarta-feira, 28 de abril de 2021, aos Consórcios Internorte e Transcarioca que nos próximos dias vai paralisar as atividades.

A informação publicada em redes sociais foi confirmada oficialmente ao Diário do Transporte pelo Rio Ônibus, sindicato que representa as viações.

A companhia opera oito linhas: 254, 277, 456, 457, 607, 650, 667 e 686

Por meio de nota, a entidade informou que lamenta o fato e que desde 2015, 16 empresas de ônibus fecharam no Rio de Janeiro. Cerca de 600 funcionários serão demitidos.

O Rio Ônibus lamenta o fechamento de mais uma empresa. Desde 2015, 16 outras encerraram atividades, sempre pelo mesmo motivo: sufocamento financeiro por falta de passageiros pagantes e carência de ajuda do Poder Público para operação do serviço essencial à sociedade. Desta vez, se despede das ruas a tradicional Viação Acari, que opera oito linhas na cidade, dentre as quais, 457 (Abolição X Copacabana), 650 (Engenho Novo X Mal Hermes) e 607 (Cascadura X Rio Comprido).

Dentro de aproximadamente 30 dias, quando a empresa terá cumprido o aviso prévio, 600 trabalhadores rodoviários entram para a lista de desempregados brasileiros. O setor de mobilidade urbana é um dos que mais emprega no país, e, desde o acirramento da crise financeira, vem sendo obrigado a reduzir seu quadro de colaboradores por impossibilidade de manter salários.

Ao completar um ano de mudanças de comportamento social, o Rio Ônibus acumula déficit de receita de R$1,3 bilhão. A média diária de passageiros transportados caiu de 3,5 milhões para 1,7 milhão. Ao longo do período, deixaram de ser transportados 600 milhões de passageiros na cidade.

– O transporte é atividade essencial para manutenção e retomada da economia. Mesmo diante do caos gerado pelo vírus da Covid-19, o setor não parou, e vem fazendo sua parte, encarando as incertezas e mantendo ativa a possibilidade de deslocamento da população. Porém, sem ajuda ou atendimento de nenhuma das esferas de Governo, congelamento de tarifas há quase 30 meses e a queda de 50% dos passageiros pagantes desde março do ano passado, empresas como a Viação Acari não conseguem se manter em atividade por absoluta falta de caixa. O que temos é um grande problema estrutural sistêmico que tende a levar outras empresas à mesma situação. É hora de dar vida ao debate amplo, envolvendo sociedade civil, Ministério Público, Judiciário e integrantes específicos dos poderes Executivo e Legislativo municipais – explica Paulo Valente, porta-voz do Rio Ônibus.

Em 2020, além das luzes que se acenderam sobre as deficiências nas regras de custeio de operação e manutenção do transporte público, se observou o crescimento das viagens individuais em carros de aplicativos desregulamentados e do volume de vans irregulares, que além de não transportarem gratuidades, passaram o último ano imunes a multas por decisão da então gestão municipal. A recorrente falta de fiscalização permitiu que o sistema ilegal avançasse sobre a cidade e deixasse de ser paralelo, acabando com as propostas de planejamento urbano do município e instalando caos e total desequilíbrio ao sistema formal de transporte coletivo.

A falta de auxílios emergenciais dos governos, a fiscalização deficiente ao transporte clandestino e a queda na receita das empresas se somam a questões crônicas, dentre as quais o não ressarcimento pelas gratuidades (20% do total de pessoas transportadas); o congelamento da tarifa em R$4,05 (uma das mais baratas do país); as condições viárias e mobiliário urbano degradado; bem como a falta de investimentos em segurança pública, que resulta em vandalismo, incêndios, paralisações e sequestros de veículos por criminosos em diferentes pontos da cidade.

– O Sindicato das Empresas entende que há soluções viáveis para a recuperação do transporte por ônibus no Rio, bem como a retomada do patamar de qualidade ao serviço prestado ao cidadão. Todo o planejamento, estudos e necessidades são apresentadas, enviadas e debatidas constantemente com Prefeitura, na busca por um cenário em que empresas cariocas não sejam obrigadas a fechar as portas, demitir funcionários e deixar de atender passageiros – revela Paulo Valente.

Em sua página na internet, a Viação Acari diz que foi fundada em abril de 1962.

Atualmente, ainda segundo a página oficial, a Acari tem 174 veículos.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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