Estudo mostra que na pandemia, apenas 40% da frota de ônibus no Rio de Janeiro estão operando

Frota já era insuficiente antes da pandemia

Levantamento da Organização Casa Fluminense, com base nos dados oficiais, mostra que o ideal seriam, pelo menos, 80% nas ruas diante da demanda. As linhas continuaram a sumir do sistema, mesmo na gestão de Eduardo Paes e tarifa não pode mais ser a única forma de custear o sistema, o que provoca aumento da desigualdade social na região metropolitana

ADAMO BAZANI

Colaborou Jessica Marques

Mesmo com a pandemia de covid-19, quando o ideal é uma oferta de transportes que reduza as aglomerações, quem depende de ônibus no Rio de Janeiro contou com menos coletivos em circulação e ainda continuou enfrentando cortes de linhas.

É o que aponta um levantamento da ONG Casa Fluminense divulgado nesta quinta-feira, 22 de abril de 2021, com dados da própria Secretaria de Transportes da cidade.

A análise se refere ao período de março de 2020 (início do reconhecimento da pandemia no Brasil) a março de 2021 (mês mais recente com dados consolidados).

O que chamou a atenção dos pesquisadores é que antes mesmo da pandemia, a frota operacional já estava bem abaixo da ideal (em 55%). No período da pandemia, o quadro se agravou (40%), sendo que o ideal, para a demanda agora seriam ao menos 80% dos ônibus operando, de acordo com o trabalho.

“Cabe ressaltar que a quantidade de ônibus nas ruas do Rio de Janeiro na semana que precedeu o marco da pandemia já era de 55% da frota determinada, enquanto as normas da Prefeitura determinam que haja pelo menos 80% dos veículos em circulação e 20% em reserva técnica. Portanto, a mera retomada aos padrões observados em março de 2020 já não seria o bastante. É preciso garantir não 40%, mas pelo menos 80% da frota nas ruas, com a oferta do serviço que garanta aos fluminenses o direito contratual e constitucional ao transporte. A média de oferta de ônibus em circulação, em um ano de pandemia, foi a metade da prevista em contrato.”

O trabalho mostra ainda que mesmo com a prefeitura prometendo o retorno das linhas que foram cortadas na reformulação dos transportes ocorrida entre 2016 e 2018; em 2021, na pandemia, já na gestão de Eduardo Paes à frente da prefeitura, mais linhas sumiram.

Em números absolutos, em fevereiro de 2020 eram 81 linhas fora de circulação, um ano depois, em fevereiro de 2021 eram 118. No total, 37 linhas de ônibus regulares sumiram em 12 meses de pandemia.

FINANCIAMENTO ALÉM DA TARIFA:

O estudo mostrou ainda que há uma grande diferença de impacto das tarifas na renda das pessoas de acordo com a região.

Em regiões como Baixada Fluminense, Oeste e Leste Metropolitanos, os custos com os deslocamentos pelo valor das passagens consomem mais de 1/3 da renda das famílias.

A conclusão é que o atual modelo de financiamento dos transportes somente pelas tarifas aumenta a desigualdade social.

Os técnicos que participaram do levantamento apontam possíveis fontes de recursos que poderiam ajudar a tornar as tarifas mais baixas para o passageiro:

– Dotações específicas para o setor, previstas na legislação orçamentária dos entes federados e créditos extras de cada exercício.  Doações, auxílios, convênios, rendimentos financeiros, contribuições, subvenções, transferências e legados de pessoas físicas e jurídicas e de organizações nacionais e internacionais, governamentais e não governamentais.

– Taxação progressiva do uso de transporte individual motorizado: Aquisição, propriedade e exploração dos veículos, taxa sobre o consumo de combustíveis fósseis (CIDE etc); cobranças pelo uso do espaço urbano (estacionamento, pedágio).

– Contribuições de proprietários de imóveis comerciais localizados em áreas dotadas de transportes públicos de alta capacidade: Receitas de comércio, serviços, publicidade, PPP, etc. O I P T U, a s o pe ra çõ es u r b a n a s , contribuições de melhorias ou taxa sobre vagas privadas de grandes empreendimentos imobiliários.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

Compartilhe a reportagem nas redes sociais:
Comentários

Deixe uma resposta