Pandemia faz Metrô fechar 2020 com rombo histórico de R$ 1,7 bilhão

Empresa tomou algumas medidas operacionais para diminuir gastos, como a retirada de trens de circulação, o que aumentou o tempo de espera nas plataformas. Foto: Linha 2-Verde / Diário do Transporte

Companhia alerta que a ausência de outras fontes de recursos poderá levar a Companhia a uma situação de dependência do caixa do Governo estadual

ALEXANDRE PELEGI

O Metrô de São Paulo amargou um prejuízo de R$ 1,7 bilhão em 2020. Em comparação a 2019, ano em que a estatal já computara prejuízo de R$ 599 milhões, o crescimento de 184% na perda de receitas é explicado pela menor atividade comercial imposta pela pandemia da COVID-19.

A informação consta do Relatório da Administração 2020 publicado no Diário Oficial do Estado nesta terça-feira, 13 de abril de 2021.

De acordo com a publicação, a receita operacional líquida também caiu. No acumulado de 2020 ela alcançou R$ 1,46 bilhão, redução de 48% em comparação a 2019, quando atingiu R$ 2,8 bilhões.

Para a Companhia do Metrô, o principal fator tanto para a redução na receita operacional líquida, como o aumento do prejuízo no período, foi a redução no volume de passageiro transportado no período, causa direta das restrições e necessidade de distanciamento imposta pela pandemia da COVID-19.

A principal fonte de recursos da companhia proveniente da atividade operacional é a prestação de serviço de transporte de passageiros, composta por receita tarifária e ressarcimento de gratuidade”, diz o Relatório da Companhia.

Esta fonte representou 90% da receita operacional bruta de 2020.

A receita não tarifária também sofreu queda em 2020, quando alcançou R$ 167 milhões ante R$ 247 milhões em 2019.

O número de passageiros transportados pelo Metrô de São Paulo nas linhas operadas pela Companhia despencou de 1,098 milhão em 2019 para 554,4 milhões em 2020, quase a metade (49,5%).

No Relatório publicado hoje, a Companhia afirma que caso o cenário de queda na arrecadação se mantenha de forma prolongada, “a ausência de outras fontes de recursos para a liquidação de obrigações operacionais da Companhia poderia resultar na necessidade de recursos financeiros por parte de seu acionista controlador (GESP), podendo levar a Companhia a uma situação de dependência”.

As demais linhas do sistema metroviárias também tiveram perdas.

A ViaQuatro, de 229,5 milhões de passageiros em 2019, transportou apenas 110,9 milhões no ano passado, queda de 51,7%.

Já a Via Mobilidade viu o número de seus passageiros transportados em 2019, total de 166,8 milhões, cair para 98,3 milhões em 2020, queda de 41,1%.

Uma inversão importante pode ser vista em 2020: enquanto o transporte sobre pneus na região metropolitana de São Paulo que em 2019 transportara 63% do total de passageiros, em 2020 viu esse percentual aumentar para 65,1%. Enquanto isso, o transporte sobre trilhos, o que inclui linhas de metrô e trens metropolitanos, perdeu participação no bolo total, caindo de 37% em 2019 para 34,9% em 2020.

Se o número de passageiros e a receita caíram, o índice de satisfação dos passageiros em relação aos serviços prestados pelo Metrô (citações ‘ótimo’ e ‘muito bom’) cresceu, passando de 59% em 2019 para 67% em 2020.

 

REDUÇÃO DA FROTA CIRCULANTE

O Relatório Integrado Anual Metrô, a ser ainda publicado pela estatal, mostra que a empresa tomou algumas medidas operacionais para diminuir gastos em 2020, como a retirada de trens de circulação, o que aumentou o tempo de espera nas plataformas.

Nas linhas operadas pela Companhia – Linha 1-Azul e 3-Vermelha, a redução foi de cerca de 17% no total de partidas diárias de trens quando comparados os anos de 2020 e 2019comparação entre 2020 e 2019. Na Linha 2-Verde esta diminuição foi maior, 29%.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

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