Justiça Federal autoriza PF a quebrar sigilo de empresários de ônibus que teriam participado de vacinação clandestina

Carro da PF sai de uma das garagens de ônibus

Crime teria sido cometido em garagem. PF cumpriu mandados em endereços ligados à Saritur, em Minas Gerais

ADAMO BAZANI

O juiz Rodrigo Pessoa Pereira da Silva, da 35ª Vara Federal Criminal de Minas Gerais, atendeu pedido da Polícia Federal e autorizou a quebra do sigilo telemático dos empresários de ônibus Robson e Rômulo Lessa para as investigações sobre suposto caso de importação ilegal e vacinação clandestina particular contra a covid-19.

Com isso, os policiais poderão ter acesso a dados eletrônicos dos suspeitos, inclusive às informações gravadas na “nuvem”, ou seja, em provedores sem estarem em um dispositivo eletrônico físico.

Os policiais querem saber como foram as negociações para trazer a vacina ao Brasil e aplicar dentro de uma garagem de ônibus para um grupo de empresários de transportes e políticos.

Como mostrou o Diário do Transporte, a PF realizou nesta sexta-feira, 26 de março de 2021, a Operação Camarote para investigar a suposta vacinação clandestina.

Foram cumpridos em Minas Gerais mandados de busca e apreensão em endereços ligados a políticos, aos empresários e à companhia de ônibus Saritur.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2021/03/26/pf-cumpre-mandados-contra-empresarios-vacinados-clandestinamente-em-garagem-de-onibus-em-minas-gerais/

Uma reportagem da Revista Piauí mostrou que foram compradas doses para aplicação em cerca de 50 pessoas, custando R$ 600 para cada imunizado.

A legislação brasileira permite compra pela iniciativa privada desde que as doses sejam repassadas para o Ministério da Saúde.

Ainda de acordo com a reportagem, foram vacinados em uma garagem de ônibus políticos e empresários do setor de transportes, entre os quais, o ex-senador Clésio Andrade (PMDB-MG), ex-presidente da Confederação Nacional do Transporte (CNT) e familiares; e os donos da Saritur, os irmãos Rômulo e Robson Lessa.

Em nota, a Saritur disse que os irmãos não fazem parte do quadro societário e desconhece a vacinação em garagens.

Um vídeo feito por vizinhos da garagem mostram o suposto processo de vacinação.

O Ministério Público Federal (MPF) entende que se houver confirmação da vacinação, os envolvidos podem ter cometido crimes de contrabando, descaminho e de uso e importação de medicamento farmacêutico sem registro.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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