Eletromobilidade

Ferramenta ambiental permite criar relatório de emissões dos ônibus do transporte público de São Paulo

Ônibus elétricos operando em São Paulo. Metas da Lei dos ônibus limpos ainda estão distantes.

IEMA desenvolveu a ReFrota, calculadora que estima os gases de efeito estufa e poluentes da frota de ônibus paulista

ALEXANDRE PELEGI

A Lei 16.802/2018 do município de São Paulo, também conhecida como Lei dos Ônibus Limpos, entre outras resoluções dispõe sobre a redução de emissões da frota do transporte coletivo.

Ela abriu caminho para a conversão dos 14.400 ônibus da frota paulistana, quase todos a diesel, para veículos elétricos e híbridos, ou movidos a outros combustíveis não fósseis.

Uma de suas metas é que até em 10 anos de sua promulgação (2028) haja um corte de 50% das emissões de gás carbônico (CO²) de todos os ônibus do sistema de transporte coletivo da capital, além da redução de 90% de material particulado.

Mas a quantas anda o cumprimento dessa Lei já que estamos em 2021? De sua promulgação até hoje, como foi o processo de redução de poluentes da frota? Há como saber?

Pela norma legal, cabe aos operadores de ônibus da capital reportar anualmente à SPTrans e ao Comitê Gestor do Programa de Acompanhamento da Substituição de Frota por Alternativas Mais Limpas (Comfrota) as emissões geradas no ano anterior por suas frotas.

A SPTrans, gerenciadora do sistema de transporte por ônibus públicos de São Paulo, solicitou ao IEMA – Instituto de Energia e Meio Ambiente uma ferramenta que a possibilite acompanhar o histórico das emissões de ônibus da cidade.

Daí nasceu a ReFrota, uma calculadora que com dados dos próprios operadores estima as emissões mensais e anuais de gases de efeito estufa e de poluentes provenientes das frotas que operam na capital.

Ela foi apresentada nessa quarta-feira, 24 de março de 2021, para cerca de 50 pessoas em reunião online, público que reuniu representantes da SPTrans e de empresas operadoras de ônibus.

FUNCIONAMENTO DA REFROTA

Disponível no site do IEAMA e aberta ao público, ela pode ser utilizada por qualquer interessado: http://energiaeambiente.org.br/produto/refrota-calculadora-de-emissoes-de-frotas-de-onibus.

A ferramenta facilita e padroniza a realização do cálculo de emissões após a inserção de dados como energia consumida e quilometragem rodada.

Apesar de não ser obrigatório seu uso por parte dos operadores, ela acaba ajudando ao facilitar e padronizar o cálculo das emissões, podendo ser usada como fonte de consulta em possível auditoria futura.

Carlos Antônio Lopes Casciano, gerente da SPTrans, afirma que a estatal municipal precisa da quantidade anual de poluentes emitida por cada operadora, “mas a ferramenta também traz de interessante a possibilidade de registrar e permitir a análise de todo o histórico de emissão de cada veículo. Ou seja, por meio dela é possível acompanhar o que está acontecendo”, afirma.

O pesquisador do IEMA, David Tsai, explica que a ReFrota calcula as emissões de dióxido de carbono (CO2), de material particulado (MP) e de óxidos de nitrogênio (NOx). O primeiro é um gás de efeito estufa atrelado ao aquecimento global; os outros dois poluentes fazem mal à saúde. A Lei 16.802/2018, como vimos, determina a eliminação gradual dessas emissões até 2038.

Para obter os resultados, basta inserir na planilha da ReFrota os dados de quilometragem rodada, energia gasta (consumo de combustível ou energia elétrica), porte de veículo, como miniônibus ou ônibus articulado, e se é equipado ou não com ar-condicionado.

Sua metodologia está fundamentada no Inventário Nacional de Emissões Atmosféricas por Veículos Automotores Rodoviários. O Inventário, cabe lembrar, foi desenvolvido com a participação do IEMA em parceria com organizações públicas como o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais (IBAMA) e a Petrobras.

Durante essa quinta-feira (25), o IEMA deu suporte às equipes das operadoras de ônibus, ocasião em que solucionou dúvidas técnicas sobre o uso da calculadora e as emissões. A ReFrota também calcula as emissões por quilômetro rodado.

Tsai explica que o trânsito da cidade e o comportamento do motorista são fatores que podem reduzir ou aumentar as emissões de um mesmo veículo. Ou seja, o modo como o transporte público é operado pode gerar maiores ganhos ambientais, caso possibilite um menor consumo de combustível o que, consequentemente, vai gerar menor emissão de poluentes ou GEE.

Em comunicado, o IEMA afirma que com uma operação ideal, uma mesma quilometragem rodada pode consumir menos combustível, diminuindo diretamente a quantidade de emissões. “Por isso, é importante pensar o transporte público como prioridade na cidade. Ele precisa de espaço mais fluído para circular. Toda a população passa a ser impactada positivamente”, diz o comunicado do Instituto.

Apesar da ferramenta estar voltada para os ônibus, o IEMA ressalta que as principais fontes de emissão de gases poluentes e de efeito estufa na capital paulista são os veículos em geral.

Os automóveis têm destaque nessas emissões, pois transportam menos pessoas em relação à quantidade de gases e poluentes que produzem. Assim, ônibus cada vez menos emissores significam um transporte mais socioambientalmente adequado”, diz o comunicado do Instituto.

A ReFrota foi desenvolvida para reportar o consumo de combustível e a quilometragem percorrida por cada veículo no ano anterior, com o objetivo de verificar as emissões passadas”, explica Felipe Barcellos e Silva, pesquisador do IEMA. Desta forma, a ferramenta pode produzir o inventário de emissões de todos os ônibus públicos da cidade de São Paulo, uma das maiores frotas do mundo.

O Instituto de Energia e Meio Ambiente (IEMA) é uma organização sem fins lucrativos brasileira, fundada em 2006 e com sede em São Paulo.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

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