Projeto cultural mostra primeiras curiosidades sobre Rodoviária de Santos, que completou 50 anos

Foto: Wagner de Alcântara Aragão

Local onde está instalada abrigou há mais de cem anos uma vila onde morou o poeta Martins Fontes

ALEXANDRE PELEGI

A Estação Rodoviária de Santos, cidade do litoral paulista, que recentemente completou 50 anos de operação, é alvo de um projeto cultural contemplado pelo 8º edital do Fundo de Assistência à Cultura (Facult), da Prefeitura da cidade.

Denominado “Rodoviária de Santos, 50 anos de histórias”, o projeto prevê expressões em múltiplas linguagens – oral, visual e audiovisual (por meio de um documentário).

Já em execução no primeiro semestre de 2021, o projeto identificou algumas curiosidades sobre o equipamento de transporte.

A área ocupada pelo terminal, por exemplo, no início do século XX abrigava a Vila dos Andradas, local de moradia do poeta e médico Martins Fontes (1884-1937). Um dos maiores nomes da história da literatura brasileira, Martins Fontes exerceu importantes trabalhos na área de saúde. Além de atuar com Oswaldo Cruz no Rio de Janeiro, em sua volta a Santos ele se dedicou à área de tuberculose na Santa Casa de Misericórdia.

Mais recente, há outro fato pitoresco, este ligado ao Carnaval de 2015. A Estação Rodoviária de Santos foi ocupada na ocasião pelo bloco da Vila do Teatro, equipamento cultural que fica do outro lado da rua lateral do terminal. Isso indica, na verdade, uma curiosidade sobre a Rodoviária da cidade litorânea: ela é cercada por equipamentos culturais. Além da Vila do Teatro, ela traz em seus arredores o Teatro Guarany e a antiga Casa de Câmara e Cadeia, onde frequentemente ocorrem oficinas e exposições, além de diversas bancas de sebo.

Também no Carnaval, mas em 30 de dezembro de 1969, quando foi oficialmente inaugurada, a Rodoviária recebeu as bênçãos do padre Paulo Horneaux de Moura Filho. Conhecido em Santos como “Padre Paulo”, o religioso promovia rodas de samba no bairro Macuco nos anos 1970, onde era pároco. No local ele fundou com a comunidade uma escola de samba, que acabou levando seu nome, a Mocidade Independente de Padre Paulo.

Estas e muitas outras informações são ilustradas por imagens que estão sendo publicadas no perfil do Instagram do projeto (@rodoviaria_santos). Um documentário está em fase de produção, reunindo relatos e depoimentos diversos.


Para contribuir para a construção e resgate dessa história, o grupo de realizadores solicita o envio de relatos, depoimentos, comentários ou mesmo imagens sobre fatos, causos e memórias de pessoas que estejam em qualquer parte do Brasil e do mundo e que, em algum momento de suas vidas, tiveram (ou têm) alguma história relacionada à Estação Rodoviária de Santos.

O envio pode ser feito pelo whatsapp 13-92000-2399 ou pelo e-mail (facult_rodoviaria@protonmail.com).

Uma roda de conversa online será realizada no dia 27 de março, também aberta ao público. O link será postado no perfil do Instagram.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

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