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Luanda, em Angola, inicia operação de novo sistema de transporte coletivo

Grande procura desde as primeiras viagens na primeira linha do sistema pode ser percebida pelo índice de passageiros por quilômetro (IPK), superior a cinco

Ônibus novos têm chassis Volkswagen, carrocerias Marcopolo e Caio, além de veículos Volvo. Todo pacote de ITS é fornecido pela Transdata  

ALEXANDRE PELEGI

A população de Luanda, maior cidade e capital de Angola, na África, já utiliza um novo sistema de transporte coletivo desde esse final de semana.

Começando no dia 27 de fevereiro de 2021, o sistema passou a rodar com novos ônibus fornecidos pela Asperbras, com chassis Volkswagen e carrocerias Marcopolo e Caio.

Além destes, há também veículos da Volvo e Marcopolo, fornecidos para a empresa estatal de transporte coletivo de Luanda, uma das quatro operadoras do novo sistema.

Todo o pacote de ITS (Intelligent Transportation System, da sigla em inglês) é fornecido pela Transdata, empresa de tecnologia brasileira (foto abaixo).

SISTEMA COMEÇA COM IPK ELEVADO

A primeira linha do novo sistema começou com uma frota de 14 veículos. As demais linhas serão acrescentadas à rede, uma a uma.

A grande procura desde as primeiras viagens nessa primeira linha pode ser percebida pelo índice de passageiros por quilômetro (IPK), superior a cinco, produtividade invejável para a realidade atual dos sistemas brasileiros.

A administração local informa que a frota total a ser empregada nessa primeira fase do novo sistema será de cerca de 110 ônibus. A previsão é que chegue até 800 veículos.

Fátima Silva, da consultoria brasileira PAIT, com sede em São Paulo, que dá suporte à implantação do novo sistema, diz que a empresa participa desde o processo de planejamento das operações até o treinamento dos operadores e o cadastro dos usuários. “Vamos deixar todo o sistema funcionando”, diz.

Já a Transdata, responsável única pelo ITS do novo sistema, informa que já foram entregues mais de 2.800 equipamentos, entre validadores e acessórios que compõem o pacote de serviços.

A empresa de tecnologia, com sede em Campinas, São Paulo, está em Angola desde 2017, ocasião em que foi escolhida para implantar a tecnologia de gestão para o sistema de transporte escolar do país.

Devanir Magrini, diretor de Negócios da Transdata, conta que a empresa começou o trabalho em Angola atuando no transporte escolar. “Depois passamos para o transporte urbano em Lubango, agora Luanda, e depois devemos alcançar outras províncias. Além dos ônibus, trens e barcos também fazem parte do escopo da nossa solução para Angola”, diz.

O sistema de transporte é multimodal e conta com ligações interprovinciais por trens e barcos.

Outra inovação do sistema é que ele prevê diversos subsídios e incentivos sociais ao uso do transporte coletivo, hoje predominantemente realizado por transportes informais.

O programa de mobilidade de Angola é uma iniciativa do Governo da República de Angola e conta com suporte de organismos internacionais de fomento.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

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