Comitê vai acompanhar plano de recuperação do BRT do Rio de Janeiro

Trecho do corredor Transolímpica

Grupo foi criado pela prefeitura da capital e terá a participação de diferentes agentes públicos

ADAMO BAZANI

A prefeitura do Rio de Janeiro anunciou a criação de um comitê para acompanhar o plano de ações de recuperação do sistema de BRTs da cidade que possui três corredores: TransOeste, TransOlímpica e TransCarioca.

Sistemas de BRT são considerados em todo o mundo soluções adequadas de mobilidade (obviamente junto com outras intervenções e sem substituir trilhos) e o caso específico do Rio de Janeiro não pode ser considerado parâmetro para críticas e avaliações a este tipo de meio de transporte já que existem problemas bem peculiares do sistema da capital fluminense, como erros na concepção de projetos (em alguns pontos nem compactação adequada de solo foi feita), na operação e a violência urbana.  No sistema já chegaram a ficar fechadas ao mesmo tempo cerca de 40 estações dos corredores por causa de atos de vandalismo e roubos ou furtos de equipamentos.

O comitê vai se reunir ao menos uma vez ao mês e será composto por técnicos de diferentes órgãos públicos:  SMTR, da SEOP, SECONSERVA, CET-RIO, SMAS, RIOLUZ, SPM-RIO, COMLURB e Subprefeituras.

Nesta sexta-feira, 26 de fevereiro de 2021, a prefeitura, por meio de nota, fez um balanço sobre o que tem sido realizado pelo Plano de Ações, que foi instituído em 01º de janeiro de 2021:

Estudos sobre a frota:

A Secretaria Municipal de Transportes (SMTR) concluiu no início de fevereiro o estudo sobre a frota de BRTs disponível e as condições dos veículos articulados, e irá monitorar essas informações mensalmente. O objetivo é avaliar as condições para dar maior regularidade ao serviço e mitigar as aglomerações.

A análise dos dados de janeiro revelou que, nos dias úteis de janeiro, houve queda contínua da quantidade de ônibus em circulação na cidade. A situação da frota do BRT se agravou muito nos últimos quatro anos. Atualmente, a frota operante corresponde a menos da metade da frota determinada que também precisa ser atualizada em função do contexto de pandemia. A análise foi realizada com base em dados operacionais fornecidos pelo BRT e complementada com um esforço da SMTR para a retomada da análise dos dados de GPS de ônibus e BRTs da cidade, que permitem monitorar o posicionamento dos veículos por satélite, e o acompanhamento online da frota em circulação.

Fiscais da SMTR também fizeram vistorias em 136 estações de BRT e nas garagens dos ônibus articulados. Foram encontrados apenas 199 veículos, em vez dos 413 estipulados na frota determinada. Os dados foram discutidos com o BRT Rio. A empresa alega que a frota disponível no fim de 2020 era de 306, sendo que 8 foram queimados, 94 estão parados por falta capacidade financeira para a manutenção.

A SMTR inicia nos próximos dias pesquisa diretamente nas estações e terminais em trechos mais mais críticos do BRT para atualização da frota determinada. O trabalho está previsto para ser concluído até o fim de março. A SMTR esclarece ainda que há uma discussão em curso com as empresas operadoras e o Ministério Público para revisar as regras estruturais da prestação do serviço do BRT e dar uma solução de médio e longo prazo.

Nova ferramenta para melhorar serviço

A secretaria está desenvolvendo uma ferramenta de compartilhamento de informações sobre o BRT, com dados sobre cada corredor, com três escalas de prioridade: Urgente (necessita de ação imediata); Alta (para realização de uma ação extraordinária); e Média (manutenção dos protocolos em vigor). Um protótipo já está em fase de testes.

Ação integrada da prefeitura em 26 estações do BRT

Uma das principais demandas da população em relação à qualidade dos serviços nas estações do BRT e seu entorno teve início logo no primeiro dia útil de janeiro. A prefeitura iniciou uma operação integrada de 15 dias nas 26 estações mais movimentadas do BRT, com a participação de diversos órgãos municipais para a recuperação do sistema, por meio de ações de zeladoria. A intervenção teve como objetivo criar uma nova dinâmica de uso do sistema para promover mais sensação de segurança e dignidade para os usuários, além de reduzir o risco de transmissão da Covid-19.

Foram realizadas ações de conscientização sobre a pandemia com distribuição de 113 mil máscaras oferecidas pelas empresas Michelin e Blueman em 13 estações. Houve acolhimento da população em situação de rua, combate ao comércio ambulante e ao calote nas estações, recolhimento de lixo, reforço na iluminação, poda de árvores, reparos da calha do BRT, calçadas e travessias, fiscalização do transporte alternativo irregular, entre outros serviços.

As intervenções tiveram a participação, além da Secretaria de Transportes, das secretarias de Ordem Pública, Saúde, Assistência Social, Conservação, Comlurb, CET-Rio, Rioluz e Subprefeituras, em conjunto com o BRT Rio, operador do sistema.

Mais ações de combate à Covid

A SMTR, em parceria com as subprefeituras da Barra da Tijuca, Recreio dos Bandeirantes e Vargens, da Zona Oeste e da Zona Norte, iniciou na última segunda-feira (22/02) a distribuição de 150 mil máscaras doadas pela BYD nos terminais Alvorada, Jardim Oceânico, Paulo da Portela, e na Estação Santa Cruz. A entrega é feita nos horários de pico da manhã (6h30 às 8h) e à tarde (17h30 às 19h). Além disso, foram alocados nestas estações totens cedidos pela parceira OnBus para que os passageiros possam higienizar as mãos com álcool em gel.

Reabertura de estações do BRT

A Prefeitura e o BRT Rio também já reabriram este ano nove estações do BRT que estavam fechadas por problemas de vandalismo ou segurança: Pinto Teles, no Campinho, Bosque Marapendi (Módulo Expresso), na Barra da Tijuca, Tanque, em Jacarepaguá, General Olímpio, Santa Cruz), André Rocha e Aracy Cabral (ambas na Taquara), Nova Barra, no Recreio dos Bandeirantes, Praça do Bandolim, em Curicica, e Padre João Cribbin, em Magalhães Bastos. Todas foram entregues com nova pintura, iluminação interna com luminárias de LED e externa, com refletores, bilheteria reformada, vidros instalados e nova programação visual.

“PORCARIA”

O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, chegou a chamar o BRT do Rio de “porcaria” durante uma entrevista coletiva em 19 de fevereiro de 2021 ao comentar sobre a  “irresponsabilidade” dos moradores das áreas nobres diante da pandemia de Covid-19. “… olha só que absurdo isso aqui, as áreas mais nobres da cidade, que supostamente tem carro para se deslocar, que tem mais condições para manter a vida, aguentar o tempo da pandemia, é justamente a área que continua com o risco mais alto (…) O sujeito que pega a porcaria do BRT lotado do jeito que está, que pega o trem, entrando no risco moderado”.

O Consórcio BRT Rio rebateu a declaração em nota e alegou que o projeto e seus erros são da gestão anterior de Paes frente ao executivo municipal.

“O prefeito deveria levar em conta que muitos dos problemas que hoje prejudicam a operação do BRT são consequência de pistas inadequadas para a circulação dos ônibus articulados e estações subdimensionadas, entre outras falhas de concepção que causam graves prejuízos aos passageiros e ao operador do sistema. É um projeto que foi concebido pelo próprio Prefeito em seu primeiro mandato e que tinha tudo para dar certo, mas por conta dos problemas acima e dos impactos da pandemia (queda brutal no número de passageiros pagantes), da falta de fiscalização sobre o transporte clandestino e sobre o transporte por aplicativos – que circulam pela cidade sem que haja qualquer regulamentação sobre esse serviço -, além do congelamento da tarifa por mais de dois anos, dentre outros, chegou ao atual estado de degradação.”, conforme nota do consórcio.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2021/02/19/eduardo-paes-diz-que-brt-rio-e-porcaria-e-empresas-de-onibus-lembram-que-sistema-foi-concebido-por-ele/

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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Comentários

Comentários

  1. brunorodrigues90 disse:

    O pior BRT do mundo.

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