Ícone do site Diário do Transporte

Itapemirim se une à Odebrecht para leilão das linhas 8 e 9 da CPTM

Ainda falta um parceiro financeiro para a licitação, que será realizada em março de 2021

ALEXANDRE PELEGI/ADAMO BAZANI

A Itapemirim, tradicional empresa do setor rodoviário, depois de anunciar a criação de uma empresa aérea, agora decide se unir à Odebrecht (atual Novonor) para disputar leilões na área de infraestrutura. O primeiro desafio será a licitação da concessão das linhas 8 e 9 da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos).

Por meio de nota ao Diário do Transporte, a Itapemirim informou que “será a líder do consórcio e ficará responsável pelos estudos de viabilidade, que consistem na análise técnica, jurídica e econômica da proposta a ser formatada para o projeto, enquanto a OEC fará os estudos especializados de engenharia e concederá os certificados que habilitarão tecnicamente o consórcio para participar da concorrência. A construtora terá exclusividade sobre a realização obras civis previstas no edital.”

Na mesma nota, o proprietário da Viação Itapemirim, Sidnei Piva, disse que a parceria confirma a saúde financeira da empresa com os novos planos de negócios e estrutura junto à OEC (Odebrecht Engenharia & Construção)

Estamos muito felizes em ter ao nosso lado uma empresa com a capacidade da OEC e que acredita também no nosso know-how e solidez de mercado”, afirma Piva.

Já o diretor da OEC para o mercado brasileiro, Raul Ribeiro, destacou no comunicado que a construtora tem experiência no ramo de obras de mobilidade.

“Colocaremos toda a nossa experiência acumulada como construtor, operador e mantenedor de ativos desta natureza à disposição do nosso parceiro e do poder concedente para garantir, dentro dos prazos e custos estabelecidos, que as cidades da região metropolitana contempladas nos trajetos das duas linhas possam usufruir o quanto antes de uma nova referência de serviço de transporte urbano”.

O leilão das Linhas 8-Diamante e 9-Esmeralda da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) deverá ser o primeiro teste para a parceria entre os grupos.

Em abril de 2020, o Diário do Transporte já havia noticiado em primeira mão o interesse da Itapemirim pelas linhas da CPTM:

Relembre: https://diariodotransporte.com.br/2020/04/03/itapemirim-cptm-onibus-novos-empresa-aerea-pneu/

No entanto, ainda falta um parceiro financeiro para a licitação, que está marcada para 02 de março de 2021.

LINHAS 8 E 9 TRANSPORTAM UM MILHÃO DE PASSAGEIROS POR DIA

Ambas as linhas transportam mais de um milhão (1,088 milhão) de pessoas por dia.

A Linha 8-Diamante, que liga Júlio Prestes a Amador Bueno, tem 41,6 Km de extensão e 22 estações, atendendo aos municípios de São Paulo, Osasco, Carapicuíba, Barueri, Jandira e Itapevi, com integrações na Linha 7 Rubi e Linha 9 Esmeralda da CPTM, e na Linha 3 Vermelha do Metrô, e demanda MDU (Movimento em Dias Úteis), em 2019, de 497 mil passageiros transportados/dia.

A Linha 9-Esmeralda, interliga Osasco a Varginha, estende-se por 32 km e tem 18 estações, atendendo às cidades de São Paulo e Osasco, com integrações na Linha 8 Diamante da CPTM, e Linhas 4 Amarela, 5 Lilás e 17 Ouro do Metrô, e demanda MDU, em 2019, de 591 mil passageiros transportados/dia.

EDITAL

O prazo de vigência da concessão das Linhas 8 e 9 da CPTM é de 30 anos, contados a partir da data indicada na ordem de início da operação comercial, conforme definido no contrato.

O valor estimado é de R$ 3.356.000.000,00 (três bilhões, trezentos e cinquenta e seis milhões de reais) na data base de 1º de setembro de 2020, correspondente ao valor do somatório dos investimentos estimados a cargo da concessionária, adicionando o valor da outorga fixa mínima, de R$ 303 milhões.

A definição da frota será parcialmente disponibilizada pela CPTM, em nome do poder concedente. A concessionária deverá adquirir 34 novos trens e realizar a remobilização de dois trens para compor a frota de trens para operação das linhas.

Outros pontos:

– renovação da área do pátio de Presidente Altino, e transferência das atividades de manutenção da CPTM para outros locais;

– modernização dos sistemas de sinalização e telecomunicações;

– aprimoramento do sistema de suprimento de energia; e

– implementação de novo Centro de Controle Operacional.

Alexandre Pelegi e Adamo Bazani, jornalistas especializados em transportes

Sair da versão mobile