Aliança ZEBRA afirma que tecnologia de trólebus com bateria está contemplada em compromisso de financiamento para ônibus não poluentes em São Paulo

Trólebus operado pela Ambiental em São Paulo. Foto: Adamo Bazani

Em coletiva na tarde desta quinta-feira (10) ICCT e C40, que compõem a parceria, detalharam o acordo firmado com quatro cidades da América Latina

ALEXANDRE PELEGI

Em coletiva internacional realizada na tarde desta quinta-feira, 10 de dezembro de 2020, a Aliança ZEBRA (Zero-Emission Bus Rapid-deployment Accelerator) anunciou oficialmente um acordo e a lista de fabricantes de ônibus e investidores que irão impulsionar a expansão dos coletivos menos poluentes na América Latina nos próximos 12 meses.

A meta da aliança internacional é alcançar até US$ 1 bilhão (R$ 5,3 bilhões) em investimentos com a ampliação da rede de parceiros.

A proposta é garantir que a transição para emissão de zero poluentes no transporte público de cidades como São Paulo, no Brasil, Santiago do Chile, Medellin na Colômbia e Cidade do México seja baseada em um modelo de negócio que separe a operação do transporte da propriedade dos veículos.

Santiago do Chile, que estruturou este modelo, figura hoje como a primeira cidade fora da China com a maior frota de ônibus elétricos em operação. Atualmente são 776 ônibus com zero emissão na capital chilena.

No caso de São Paulo, em resposta a uma pergunta do Diário do Transporte, o representante do Brasil no C40, Ilan Cuperstein, garantiu que a tecnologia do trólebus está contemplada, desde que o veículo atue com bateria acoplada para pequenos trechos.

Desta forma, modelos como o Dual Híbrido, produzido pela Eletra, uma das parceiras da Aliança Zebra, poderá participar dos testes e modelos de financiamento. A Eletra, com sede em São Bernardo do Campo, é pioneira em Dual-Bus no Brasil.

O primeiro Dual foi lançado oficialmente em 2015 e opera no Corredor Metropolitano ABD, que liga o ABC Paulista à Capital. É um ônibus “superarticulado” de 23 metros de comprimento com chassi Mercedes-Benz e carroceria Caio Millennium III, que reúne as tecnologias elétrica-pura e trólebus.

Quanto à reclamação recorrente das empresas de ônibus, que em entrevistas ao Diário do Transporte dizem temer o que consideram alguns entraves de ordem operacional, entre as quais o tempo de recarga das baterias, em torno de quatro horas, Ilan garantiu que os modelos serão adequados à realidade de cada cidade. Para isso, como ocorreu em pesquisa recente realizada na Cidade do México, serão avaliadas as condições operacionais e os veículos mais adequados. De qualquer maneira, a proposta é que os ônibus 100% elétricos sejam equipados com baterias de carga rápida. E neste sentido, foi respondida outra pergunta feita pelo Diário, se a Aliança ZEBRA contempla financiamentos para sistemas assim.

Ainda no caso de São Paulo, apesar da crise do sistema de transporte agravada pela pandemia, a representante do ICCT, Carmen Araújo, avaliou que a lei do Clima terá de ser cumprida, e para tanto a Aliança Zebra buscará um modelo de negócio em que o valor do veículo não entre no custo de capital, uma espécie de leasing, o que não causará impactos no valor da tarifa.

No caso paulistano, o modelo adotado até aqui é a separação entre a posse do chassis do ônibus e a posse da bateria.

As fabricantes de ônibus BYD, Eletra, Foton, Higer e Sunwin anunciaram seu compromisso com a parceria ZEBRA no caso de São Paulo (veja quadro abaixo).

Como parte deste compromisso, elas se comprometem a disponibilizar um modelo de ônibus zero emissões para São Paulo em um prazo de 12 meses, demonstrar o produto em uso nesse mesmo período e disponibilizar para comercialização pelo menos uma linha de ônibus zero emissões em até 18 meses.

Com isso, os fabricantes se juntam a instituições financeiras internacionais que se comprometeram em investir em projetos de ônibus zero emissões na Colômbia, México, Chile e Brasil, visando descarbonizar o setor de transporte da América Latina.

VEJA OS MODELOS PREVISTOS PARA SÃO PAULO:


No caso paulistano, a Aliança já considera o projeto em implementação, e cita as seguintes conquistas:

– A Ambiental, operadora de ônibus de São Paulo, opera cerca de 200 trólebus, fornecidos pela fabricante local Eletra;

– A Transwolff, também operadora de ônibus em São Paulo, adquiriu em 2019 16 ônibus elétricos12 metros da BYD. No final de 2020, a Transwolff adquiriu mais três ônibus elétricos de 12 metros da BYD, com carroceria da Marcopolo.

CASO CHILENO

Na coletiva, foi citado como vitorioso o precursor processo de implantação de uma frota elétrica em Santiago do Chile.

Com o propósito de de mudar a tecnologia do transporte, definiu-se uma nova forma de comprar e operar os ônibus.

Com as empresas de energia do país atuando como parceiras e financiadoras da operação de compra, pode-se fazer uma separação entre a propriedade do ônibus e sua operação, que se dá em forma de aluguel (leasing) pelas operadoras locais.

Segundo a Aliança, isso permitiu que Santiago tenha atualmente 776 ônibus elétricos em operação, com a meta definida para até 2035 alcançar 100% de zero emissões no transporte coletivo.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

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