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Empresa envolvida no acidente em João Monlevade (MG) não tinha autorização da ANTT

Foto: reprodução Diário do Aço

Agência informa que veículo não estava habilitado para prestar o serviço de transporte de passageiros. Acidente causou 17 mortes até o momento. JS Turismo informa que veículo estava sendo utilizado ilegalmente pela Localima Transportes

ALEXANDRE PELEGI

Comunicado da Agência Nacional de Transportes Públicos (ANTT) informa que a empresa cujo ônibus caiu nesta sexta-feira, 04 de dezembro de 2020, na BR-381, entre João Monlevade e Bela Vista de Minas, no interior de Minas Gerais, não tinha autorização da autarquia federal.

O acidente até o momento deixou 14 mortos e 26 feridos, de acordo com informações do Corpo de Bombeiros de MG.

Ainda segundo a ANTT, a empresa está cadastrada e tem um Termo de Autorização para prestação de serviço regular concedido pela justiça, por liminar. “No entanto o veículo em questão não estava habilitado para prestar o serviço de transporte de passageiros”, informa nota da Agência.

A Agência faz questão de ressaltar que a habilitação na ANTT por força de liminar não permite que a empresa JS Turismo seja classificada como clandestina.

A JS Turismo encaminhou nota explicando que o veículo fora arrendado em 2019 à Localima Transporte. e o contrato havia sido rompido. Mesmo assim, a empresa manteve o adesivo da JS Turismo para burlar a fiscalização (leia abaixo).

A Anatrip também encaminhou nota em que pede à ANTT “uma fiscalização permanente para coibir e punir os infratores” (leia abaixo).


Leia a nota da ANTT na íntegra:

A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) informa sobre o acidente de agora a tarde, na BR 381, próximo a Joao Monlevade-MG.

A empresa envolvida no acidente hoje , sexta-feira, em João Monlevade não tinha autorização da ANTT.

A empresa está cadastrada na ANTT e tem um Termo de Autorização para prestação de serviço regular concedido pela justiça, por liminar. No entanto, o veículo em questão não estava habilitado para prestar o serviço de transporte de passageiros.

Aproveitamos para passar à imprensa que a ANTT tem monitorado o transporte clandestino de passageiros utilizando o Canal Verde Brasil, uma rede nacional inteligente de percepção veicular. São pórticos que leem as placas dos veículos nas principais rodovias do Brasil e dão sua localização em tempo real para Agência. Quando um ônibus não cadastrado é identificado, essa informação é passada para a equipe de fiscalização mais próxima que aborda o veículo . O Canal Verde Brasil faz um acompanhamento e mapeamento de fluxos de transporte nos corredores logísticos.

A Agência alerta sobre os perigos de utilizar o transporte clandestino de passageiros, que via de regra, emprega motoristas sem treinamento, que cumprem jornadas exaustivas de trabalho. Esses veículos são precários, geralmente apresentam péssimo estado de conservação e manutenção, o que aumenta em quatro vezes a letalidade dos acidentes envolvendo esse tipo de transporte.

Os veículos flagrados pela ANTT fazendo transporte não autorizado costumam ter os mesmos tipos de problemas como para-brisas trincados, bagagens e malas transportados junto com passageiros, pneus carecas, motoristas sem o curso obrigatório para condução do transporte coletivo de passageiros, etc. Por varias vezes foram encontradas motocicletas em bagageiros com combustível.

A ANTT chama a atenção também quanto ao risco de infecção pelo novo coronavírus a que os passageiros que optam pelo transporte clandestino ficam expostos pela não adoção das determinações vigentes de higienização dos veículos.

A Operação Pascal da ANTT de combate ao transporte clandestino interestadual segue em todo país.

Atualização das apreensões da ANTT em 2020- atualizados até 04/12/2020:

Foram 2490 Autos de Infração contra o transporte clandestino, gerando prejuízo para essas empesas de R$ 13,2 milhões;
1188 veículos apreendidos, impactando 35,6 mil passageiros que foram transbordados para o transporte regular (realocados para empresas regulares- as despesas das passagens são pagas pela empresa flagrada sem autorização)

Para denuncias, a Agência disponibiliza os canais:
WhatsApp (61) 9688-4306.;
telefone 166 ou e-mail ouvidoria@antt.gov.br


Nota pública *JS TURISMO*

Em razão do grave acidente ocorrido na data de hoje (04.12.2020) na BR-381, conhecida como rodovia da morte, com um veículo da empresa *localima transportes* e que continha no pára-brisa frontal o nome “JS TURISMO”, informa-se que o veículo em questão era um veículo arrendado à JS turismo com contrato celebrado em 2019, porém, em razão da péssima qualidade identificada na manutenção exercida pela “localima Transportes” o contrato de arrendamento foi-se desfeito em OUTUBRO/2020 e o veículo prontamente descadastrado do sistema na ANTT, bem assim, o referido seguro foi objeto de cancelamento, justamente pra frustrar eventual futuro transporte irregular de passageiros.

Ocorre que, aproveitando-se do adesivo colado em seu pára-brisa com a inscrição “JS TURISMO”, e no intuito de tentar driblar a fiscalização, a empresa em questão (LOCALIMA TRANSPORTES) estava utilizando o veículo como meio de transporte irregular de passageiros sem qualquer tipo de segurança para aqueles passageiros transportados.

A empresa JS TURISMO preza pela máxima qualidade no transporte de seus passageiros e em razão deste fato, está acionando judicialmente a empresa localima transportes por utilização indevida de marca e tentativa de fraude ao consumidor.

Mais uma vez, a empresa JS turismo ressalta a importância do passageiro apenas embarcar dentro das rodoviárias.

Atenciosamente,

Direção jurídica da empresa

JS TURISMO


Nota – Associação Nacional das Empresas de Transporte Rodoviário Interestadual de Passageiros (Anatrip)*
No transporte rodoviário é preciso que exista uma legislação eficiente para definir as normas e regras que permitam a prestação de um serviço que ofereça uma maior eficiência, agilidade e segurança da frota e dos usuários. Acidentes como o de hoje (04), que aconteceu em Minas Gerais, e o que que ocorreu em São Paulo, no último dia 25, refletem a insegurança e o risco que os cidadãos brasileiros passam.
Para isso, as empresas de transporte devem cumprir todas as normas que os órgãos públicos impõem, principalmente aquelas que dizem respeito à legalidade de seus serviços, à segurança de seus veículos, ao treinamento e capacitação de seus motoristas , à exigência do seguro de responsabilidade civil e ao respeito e segurança dos usuários.
Além disso, faz-se necessário que os órgãos públicos exerçam uma fiscalização permanente para coibir e punir os infratores , inclusive todo e qualquer transporte irregular e ilegal.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

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