VÍDEOS: Saiba como um trem reboca o outro em caso de necessidade no Metrô de São Paulo

Trens prontos para o processo de rebocamento

Quando um trem não consegue se movimentar e fica parado nos trilhos, retirá-lo do local é uma tarefa complexa, exigindo conhecimento e profissionalismo de todos envolvidos. Companhia realizou treinamento e você confere com vídeos no Diário do Transporte

WILLIAN MOREIRA

No dia 18 de novembro de 2020, circularam em redes sociais, sem nenhuma checagem, boatos de que dois trens do monotrilho da linha 15-Prata, da zona Leste de São Paulo, tinham batido. Não passava de mais uma “fakenews”. O Diário do Transporte mostrou que na verdade se tratava apenas de uma composição rebocando a outra que estava com problemas.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2020/11/18/linha-15-prata-e-normalizada-apos-monotrilho-com-problema-ser-rebocado-por-outro-trem-na-tarde-desta-quarta-18/

As companhias metroferroviárias em todo o mundo têm protocolos operacionais, de manutenção e de qualidade rígidos para evitar ao máximo que as composições apresentem defeitos. Mas diante do tráfego intenso e da quantidade de viagens, podem ocorrer situações em que uma composição não consegue mais seguir em circulação e precisa ser rebocada por outro trem.

Mas se engana quem pensa que é só “emendar um trem em outro e sair puxando”;

Para entender como é feito este “socorro”, o Diário do Transporte acompanhou um dia de treinamento promovido pelo Metrô de São Paulo para seus funcionários condutores de trem, no trabalho de retirada da via de uma composição que esteja “travada”, sem conseguir se movimentar por contra própria.

A equipe do site esteve na quarta-feira, 25 de novembro de 2020, no Pátio Metroviário do Jabaquara, Zona Sul da capital e pode de perto conhecer a rotina de operações do sistema, mas focando na capacitação dos colaboradores da companhia para a tarefa de trazer até o pátio, seja o da Linha 1-Azul ou das outras, um trem que necessite ser “carregado” por outro até uma região em que não cause interferências no atendimento de todo o ramal.

O PROCESSO DE REBOQUE DE UM TREM

Quando ocorre um problema em alguma composição, realizar o reboque é apenas a ultima alternativa, que é realizada após pelo menos seis ou sete minutos com o operador do trem, agentes de estação e outros trabalhadores no CCO (Centro de Controle Operacional) tentarem diversas manobras em campo.

Esgotadas todas as tentativas, resta rebocar este trem.

Por este motivo, o treinamento é periódico e procura manter todos os trabalhadores aptos a uma ação que foge da rotina diária do transporte metroviário, mas que pode vir a ser necessária. Procedimento não tão comum em outros sistemas metroferroviários em que o uso de um rebocador separado é feito e não outro trem igual de passageiros.

Isto é um dos diferenciais do Metrô de São Paulo e algo pouco notado pelos usuários no dia a dia em meio a corrida da grande metrópole.

Um trem de passageiro socorrer o outro parado é possível porque todos os engates das composições são parecidos, criando uma espécie de padronização, possibilitando a execução deste socorro por trens de diferentes modelos ou séries.

“Como todo equipamento mecânico, elétrico, eletrônico podemos ter falhas. Então estes equipamentos saem daqui do pátio preparados para a operação comercial para não ter falha, mas como todo equipamento é possível que tenha alguma coisa na prestação de serviço.Todo funcionário recebe um treinamento completo para retirar os impedimentos do trem e fazer que ele volte a se movimentar caso tenha uma parada. Então ele tem alguns recursos bastante avançados para ele fazer a movimentação do trem. Caso o trem não se movimente com todas as alternativas que o operador tem, como ultima opção nós temos o reboque. A gente fala que a operação precisa continuar e o trem precisa se movimentar mesmo que rebocado. Temos um procedimento para a liberação da via através do reboque e todo o funcionário passa por esse treinamento de preparação de reboque”, explicou o coordenador de Tráfego do Metrô de São Paulo, Gildo Prado.

O Operador de Transporte Metroviário Nível III,  Valdecir Pereira Dias, atuou no treinamento como supervisor da operação de resgate do trem com problemas, explicando de forma bem didática, como funciona o acoplamento.

Terminado o engate entre os dois trens, a movimentação se inicia e é o momento mais delicado, já que a velocidade permitida não de ultrapassar dos 25 km/h e se o rebocador estiver com passageiros em seu interior, primeiro deve ser feito o desembarque na estação mais próxima, diminuindo assim o peso a ser carregado.

Como curiosidade, cada carro metroviário (chamado erroneamente de vagão) pesa 40 toneladas, com cada trem de seis carros pesando 240 toneladas.

Em operações de resgate, dois trens juntos pesam 480 toneladas.

 

Depois do resgate, já no pátio, os trens devem ser desconectados/desacoplados e este processo também precisa de muitos cuidados, como a verificação de velocidade com a mínima aceleração utilizada e a ativação dos freios do trem com avaria para evitar um deslocamento inesperado.

O Metrô paulista também conta com um equipamento rebocador para locais sem energia elétrica, por exemplo, nos pátios de manobras. O dispositivo se chama “Track Mobil” e faz parte da frota tanto da Companhia do Metropolitano, está presente também na CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos).

. “Track Mobil” atua em locais sem energia elétrica, por exemplo, nos pátios de manobras

SIMULADOR PARA TREINAMENTO

Ainda no Pátio de trens do Jabaquara, o Metrô possui dois simuladores em tamanho real que copiam um modelo de cabine de um trem.

Simulador mostra situações cotidianas e emergências que podem ocorrer na operação

Nela os funcionários que atuam como Operadores de Trem, têm o conhecimento de ações reais e comandos a serem desempenhados em um dia normal de trabalho, passando desde a informações pelo sistema de som, verificação de câmeras internas, informações no painel e o principal, a condução em sistema automático e manual.

Com equipamento de alta tecnologia, a companhia procura manter seus colaboradores capacitados para atuar em todos os tipos de ocorrências no Metrô para manter o atendimento à população de São Paulo.

E como repórter tem de viver a matéria, Willian Moreira faz uma “treinamento relâmpago” no simulador

Willian Moreira em colaboração especial para o Diário do Transporte

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Comentários

Comentários

  1. Kaio Castro disse:

    Agradeço a Deus por saber ler 🙏 e na leitura vivenciar uma situação totalmente ignorada para a maioria da população, para mim inclusive, trazendo-nos mais conhecimento e admiração a todos os profissionais nela envolvidos. Parabéns a todos.

  2. Laurindo Martins Junqueira Filho LAURINDO JUNQUEIRA disse:

    obrigado por nos fazer relembrar momentos cruciais …
    Se puderem acrescentar todos os passos q antecedem a um reboque de trem, façam-no, por favor! São muito instrutivos para projetistas de sistemas metroferroviários.

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