Pandemia: Pesquisas mostram rejeição a transporte coletivo, aumento do uso de carro e intenção de compra de veículo próprio

Estudos também trazem projeções para a mobilidade urbana nas principais metrópoles do país. Foto: Adamo Bazani.

Estudos foram reunidos em evento virtual promovido pela Anfavea

JESSICA MARQUES

Pesquisas divulgadas nesta quarta-feira, 18 de novembro de 2020, mostram o impacto do novo coronavírus no setor automotivo e nos sistemas de transporte público. Os dados revelam uma rejeição ao transporte coletivo, um aumento do uso do carro e maior intenção de compra de veículo próprio em meio à pandemia de Covid-19.

Os estudos foram apresentados durante o Conexão Anfavea, realizado pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores, com o tema “A Pandemia e a Reorganização da Mobilidade”. Participaram do evento online o Grupo Globo e a Moovit.

A pesquisa “Globo Insights – Como a pandemia afeta aqueles que não têm carro”, realizada pelo Grupo Globo, mostra uma rejeição ao transporte coletivo durante a pandemia de Covid-19. O estudo revela também um aumento no uso do carro neste período.

O número de pessoas que utilizava ônibus passou de 55% antes da pandemia para 34% dos entrevistados depois da Covid-19. O uso de metrô foi de 19% para 13%, enquanto o uso do carro passou de 40% para 43%.

Além disso, a pesquisa detalha as alternativas buscadas pelas pessoas que não têm carro para se locomover neste período. Para a realização do estudo, foram ouvidas 1.500 pessoas sem veículo próprio, em setembro deste ano.

De acordo com o head de Estratégia para o setor Automotivo do Grupo Globo, Thiago Mariano, o objetivo do estudo foi investigar mais a fundo a forma de locomoção de pessoas que não têm veículo próprio neste período, para entender os desejos e anseios desse público.

“A principal mudança que a gente identificou, isso não foi só a Globo, a gente viu em diversos estudos, é a rejeição a transportes públicos. Em setembro fizemos uma pesquisa com 1.500 pessoas e elas de fato mostram uma queda grande na expectativa de utilização do transporte público, comparando antes e depois da pandemia”, afirmou Mariano.

Por sua vez, o head de Negócios para o setor Automotivo do Grupo Globo, Bruno Guerra, ressaltou que o setor automotivo foi muito impactado esse ano. “É um setor muito sensível à economia e aos indicadores econômicos. A gente observando tudo isso quis dar um mergulho para ver como a pandemia afetou esses consumidores e o mercado de maneira geral”, afirmou.

“Esses consumidores estão reavaliando a mobilidade, considerando o transporte público, o transporte individual. Fica evidente nessa pesquisa porque muita coisa mudou, o consumidor está preocupado com a segurança, com a mobilidade e ele começa a priorizar algumas questões”, completou.

ALTERNATIVAS DE LOCOMOÇÃO

Confira os resultados obtidos pela pesquisa com relação às preferências dos passageiros que não têm carro e buscam no automóvel uma alternativa para locomoção:

INTENÇÃO DE COMPRAR CARRO

Ainda segundo o estudo, 39% dos entrevistados têm intenção de comprar um carro. Entre quem não possui veículo, 22% pretendem comprar um neste ano ou em 2021. Quem possui maior intenção mora nas regiões Centro Oeste e Norte do país. São jovens de 25 a 34 anos, de classe C.

O principal motivo, segundo a pesquisa, para a intenção das pessoas de comprar um carro é o receio do contágio pelo novo coronavírus. Assim, 55% dos passageiros buscam trocar o transporte público pelo individual neste período.

FINANCIAMENTO

A pesquisa revela ainda que o financiamento é principal forma de concretizar a intenção de quem busca comprar um carro neste período. Entretanto, 57% dos entrevistados responderam que nada os faria mudar de ideia sobre essa decisão.

PREFERÊNCIA POR MODELO

A maioria dos entrevistados informou que pretende investir até R$ 50 mil na compra do carro, enquanto 19% ainda não decidiu o valor a ser investido. O modelo preferido é o sedan, usado.

PESQUISA DA MOOVIT SOBRE O TRANSPORTE COLETIVO

O gerente geral da Moovit no Brasil, Pedro Palhares, apresentou dados que também mostram a perda de passageiros no transporte coletivo em meio à pandemia de Covid-19.

Na média, os sistemas que a gente acompanhou, que são as principais regiões metropolitanas, perderam entre 60% e 80% de sua demanda, o que é um problema para os operadores, porque o sistema de transporte público brasileiro não conta com subsídios, como em outros países”, afirmou Palhares.

“A gente acompanhou muitas empresas com problemas financeiros, porque seu custo fixo continuava correndo solto. O funcionário, a garagem, luz, manutenção. Os custos variáveis reduziram, como custo e manutenção de peças, mas a receita foi lá para baixo”, completou.

A Moovit também revelou o que faria os passageiros voltarem a utilizar o transporte coletivo neste período. Confira o estudo, na íntegra:

Após a apresentação das pesquisas, o presidente da Anfavea, Luiz Carlos Moraes, conduziu uma discussão a respeito da mobilidade urbana e o setor automotivo em meio à pandemia. Confira o debate, na íntegra:

Jessica Marques para o Diário do Transporte

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Comentários

Comentários

  1. Marcos p disse:

    Eu parei de usar o onibus depois que seccionaram a linha que eu usava…o tempo de.deslocamento aumentou em 30 minutos e o gasto da passagem aumentou pois nao exiate integracao emtu sptrans….hj uso meu carro e comprei oiyro carro para o rodizio….minha qualidade de vida melhorou muito pois gastava 2:00 de onibus hj gasto 30 minutos de carro….vou sentado no meu carro…se.tiver transito estou sentado de boa…..no busao estaria de pé com as.pernas doendo e o principal…gasto menos de carro do qur gastava com o onibus… Nao volto mais para o onibus e Recomendo quem pode comprar um carro fazer o msm!! Nao vai se arrepender!!

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