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Levantamento do WRI mostra mudanças na mobilidade urbana em capitais após impacto da pandemia

Prévia mostra que divisão modal teve aumento da representatividade dos carros por aplicativo e queda do uso do transporte coletivo. Uso do automóvel e da bicicleta cresceu

ALEXANDRE PELEGI

Pesquisa pela internet ainda em andamento, realizada pelo Centro de Excelência BRT+, com apoio do WRI Brasil, mostra alguns resultados prévios do impacto da pandemia do coronavírus no comportamento das pessoas diante da mobilidade urbana em várias cidades do mundo.

O trabalho inclui as capitais brasileiras Belo Horizonte, Fortaleza, Porto Alegre, Rio de Janeiro e São Paulo.

Apesar de ainda não se poder afirmar o quanto, nem quais, das mudanças de hábito do cidadão vieram para ficar, o que os primeiros resultados apontam é que, de fato, a pandemia mudou a forma como as pessoas passaram a se deslocar nas cidades.

Uma das primeiras constatações é quanto à divisão modal: cresceu nas capitais brasileiras a representatividade dos carros por aplicativo, ao passo que caiu a do transporte coletivo.

O WRI divulgou alguns resultados de uma etapa ainda intermediária, que não necessariamente representa o comportamento da população como um todo.

QUEDA NOS DESLOCAMENTOS X MAIOR USO DE APLIACATIVOS

Com a instituição de regimes de teletrabalho ou home office, cidades como São Paulo, Porto Alegre, Belo Horizonte e Rio de Janeiro apontam que mais de 50% das pessoas não estão se deslocando para sua atividade principal (geralmente trabalho ou estudos). Isso quando comparado a antes da pandemia.

A única exceção até aqui foi Fortaleza, onde apenas 37% das pessoas deixaram de se deslocar.

Por outro lado, os dados preliminares mostram que houve uma sensível redução do uso do ônibus em comparação ao uso do automóvel e do carro por aplicativo nas cinco capitais.

Pelos resultados preliminares, o aumento no uso de automóveis por aplicativo se deu com mais vigor em Porto Alegre, Rio de Janeiro e Fortaleza.

Já o uso do transporte por ônibus, BRT, lotação, metrô, trem e VLT, apresenta as maiores quedas em todas as cidades.

Se antes da pandemia mais de 40% dos respondentes na maioria das cidades usavam o transporte coletivo, com a pandemia este percentual passou a ser de menos de 15%.

São Paulo, maior cidade, teve redução significativa no uso dos meios coletivos, passando de 59% das pessoas antes da pandemia para apenas 8% durante as medidas de isolamento adotadas para evitar a disseminação do vírus.

HIGIENE E MEDO DE CONTAMINAÇÃO

Outra preocupação aferida pela pesquisa diz respeito à higiene. A preocupação das pessoas aumentou quando o deslocamento é feito no transporte coletivo.

Belo Horizonte, Porto Alegre, Rio de Janeiro e São Paulo tiveram mais de 50% das pessoas dizendo-se “Extremamente preocupadas”, com menos de 15%, em todas as cidades, afirmando estar “Um pouco” ou “Nada preocupadas”.

Independente da razão do deslocamento, a pesquisa antecipa alguns dados sobre a frequência de utilização para diferentes meios de transporte. Nesses casos, repete-se o quadro de redução drástica no uso de transporte público coletivo, que chega a ser superior a 50% em todas as cidades, com destaque mais uma vez para São Paulo, com 80% de queda.

CARROS E BICICLETAS

Outros modos de transporte também sofreram alterações significativas, como é o caso do uso da bicicleta em Fortaleza, que acusou aumento de 20% no uso, enquanto 10% diminuíram.

Já no Rio de Janeiro, enquanto 30% das pessoas aumentaram o uso do carro próprio, 15% diminuíram.

Segundo avaliação preliminar do WRI, esses dados podem indicar tendência de maior utilização desses meios de transporte em um cenário pós-pandemia, caso esses hábitos se consolidem.

TRABALHO À DISTÂNCIA

Para os moradores das cinco capitais brasileiras, o home office trouxe como grande ganho o fato de não precisar se deslocar para o trabalho.

Mas há também pontos negativos do trabalho remoto, que foram citados pelos respondentes: em Porto Alegre e São Paulo, o maior desafio é a capacidade de se concentrar; no Rio e Fortaleza, as interrupções da família e filhos durante horário de trabalho é algo contraproducente. Em Belo Horizonte, o ponto negativo citado é a falta de colaboração efetiva com colegas.

A pesquisa consultou as expectativas quanto à permanência do home office após o término das restrições associadas à pandemia.

Para a maioria dos moradores de Porto Alegre, Rio de Janeiro, São Paulo e Belo Horizonte, “a empresa apoiará um balanço entre o trabalho de casa e presencial”, enquanto em Fortaleza a maioria votou que “a empresa irá preferir que os funcionários retornem ao trabalho presencial”.

PRIMEIRA CONCLUSÕES

De acordo com o WRI, os resultados preliminares mostram que os aplicativos de transporte conseguiram manter ou aumentar a sua representatividade na divisão modal. Ao mesmo tempo, as viagens de automóvel e bicicleta também cresceram.

O perdedor é o transporte coletivo que, como observa o WRI, já vem de uma crise de queda de demanda verificada antes da pandemia, e que agora acabou por ser o mais impactado.

O WRI mantém a pesquisa no ar. Para participar, basta clicar na cidade de moradia e responder:

Belo Horizonte: https://pt.surveymonkey.com/r/BZBPLKD

Fortaleza: https://pt.surveymonkey.com/r/B5CLVC9

Porto Alegre: https://pt.surveymonkey.com/r/BZDQQSG

Rio de Janeiro: https://pt.surveymonkey.com/r/HKF3WMY

São Paulo: https://pt.surveymonkey.com/r/HK8JVCL

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

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