ENTREVISTA: Guilherme Boulos promete “investimento pesado” em corredores de ônibus e tarifa zero

Guilherme Boulos em campanha na região central

Duplicação da M’Boi Mirim, conclusão do corredor da Radial Leste e melhoria do serviço do Atende também estão no seu plano de governo

WILLIAN MOREIRA

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Em entrevista para o Diário do Transporte, o candidato a Prefeitura de São Paulo, Guilherme Boulos, explicou algumas de suas intenções voltadas para a mobilidade urbana caso seja eleito.

O primeiro ponto abordado pelo candidato é um investimento mais forte nos corredores exclusivos para os ônibus na cidade, em especial nas áreas mais afastadas do centro, onde há gargalos que resultam no aumento do tempo de viagem. Junto a isto, as empresas de ônibus seriam convocadas a “mesa” para um debate buscando o aumento da frota de coletivos nas ruas.

Boulos disse que o sistema de remuneração destas empresas atualmente é equivocado, com elas recebendo por passageiro transportado e não por quilômetro rodado, mesmo com a nova licitação ter autorizado este tipo de pagamento, ainda não foi regulamentado, segundo o candidato.

“Nós vamos antes de tudo, fazer um investimento pesado em corredores de ônibus. Não da para aceitar que na cidade mais rica da América Latina alguém demore três horas saindo do fundão da M’Boi Mirim, do fundão de Guaianases, Cidade Tiradentes para chegar ao seu local de trabalho. Vamos fazer um investimento pesado em corredores para reduzir o tempo de deslocamento e exigir das empresas de ônibus um debate para ter mais frota, mais carros, hoje isto tem haver com o sistema de cobrança, é totalmente equivocado. A Prefeitura remunera as empresas por passageiro transportado e não por quilometro rodado, embora a nova licitação autorizou remunerar por quilometro rodado, mas isto não foi regulamentado ainda, nós vamos regulamentar e garantir que neste sentido tenha mais carros e transporte menos lotado.” – disse.

Boulos acrescentou ainda algumas das prioridade de corredores.

“Nós vamos terminar o corredor da Radial Leste, vamos fazer a Ponte Graúna-Gaivotas no Grajaú para desafogar a Belmira Marim. Eu vou duplicar a M’Boi Mirim com corredor de ponta a ponta para citar algumas obras de gargalos muito fortes na cidade de São Paulo, na Zona Leste e Zona Sul.” – complementou.

TARIFA ZERO É UMA META

Guilherme Boulos enfatizou a importância de um transporte mais barato ao usuário, iniciando em seu mandato a revogação de medidas aplicadas na gestão João Doria/Bruno Covas que diminuiu o tempo de integração e viagens possíveis com uma única tarifa.

O Passe Livre seria ampliado para desempregados, mulheres com criança de colo, estudantes e após isto, seria reduzido gradualmente o preço da passagem até se chegar ao valor zero para todos.

Ao ser questionado sobre o conflito que poderia gerar com o Governo do Estado que é responsável pela CPTM e Metrô, Boulos entende que o Estado não iria segurar o ônus de a tarifa na capital diminuir e no transporte metroferroviário não, cabendo ao governador “ter responsabilidade social” para entender o momento atual vivido pela população.

“Eu acho difícil que um governo mesmo que seja o do João Doria, vai querer comprar o ônus da gente reduzindo tarifa em São Paulo e o povo saber que ele não quis reduzir a tarifa da CPTM e Metrô. Nós vamos reduzir, não vamos lá discutir se vai reduzir ou não, nós vamos reduzir a tarifa e vamos ampliar as gratuidades! Vamos jogar a bola para o Governo do Estado ter responsabilidade social, entender o momento que a gente está  vivendo e poder também seguir isso com a redução da integração”, afirmou Guilherme Boulos.

ATENDE RECEBERÁ INVESTIMENTOS

O candidato avalia que o programa Atende, que consiste em vans operadas pelas viações da cidade que levam pessoas com deficiência de sua casa até o compromisso e depois fazem o caminho de volta, está sucateado e foi reduzido nos últimos anos.

Portanto, como os ônibus do transporte coletivo adaptados atualmente não possuem uma equipe treinada de forma adequada, motoristas e cobradores passariam por treinamento especializado para ser um ponto de complemento do Atende ou até uma alternativa funcional.

Boulos prometeu também que o Atende receberá mais investimentos com a aquisição de novos veículos, aumentando assim a frota existente.

“O programa foi sendo sucateado nos últimos anos, teve uma redução. As pessoas com deficiência precisam ter uma prioridade na cidade de São Paulo. O Atende é essencial  para que as pessoas possam fazer um deslocamento básico, ainda mais com calçadas que são precárias. Pega a situação de um cadeirante, muitas vezes a condição de ele ir para a fisioterapia, até de ele ser atendido na sua saúde, de ir para uma escola é que ele tenha o serviço do Atende. Muitas vezes nos ônibus que hoje são adaptados para cadeirantes, os cobradores e motoristas não são treinados para isto, falta esse treinamento. Também tem o deslocamento da casa da pessoa até o ponto de ônibus que é precário e às vezes é inviável,  com a inexistência de calçadas ou calçadas muito precárias. No meu ponto de vista a solução é o Atende, não tem segredo, é investir mais, “botar” mais vans e poder atender uma quantidade maior de pessoas com deficiência”, concluiu o candidato ao cargo de prefeito.

RESPOSTA SPTRANS

A SPTrans – São Paulo Transporte contestou posicionamentos e falas do candidato à prefeitura Guilherme Boulos.

Segundo a gerenciadora, a remuneração das empresas de ônibus não é apenas por passageiro transportado e leva em conta os serviços prestados desde o início da vigência dos contratos atuais, que foram assinados em setembro de 2019.

Sobre a integração do Bilhete Único, a SPTrans informou que no caso da modalidade comum não há alterações desde 2008 e sobre o Vale-Transporte, é possível dois embarque em até três horas.

A respeito das vans do Atende, a gestora alegou que desde 2017 foram colocadas 236 unidades zero km e que há modelos que possibilitam melhor atendimento de pessoas com autismo.

Sobre os ônibus regulares do sistema, a SPTrans informou que todos os veículos são acessíveis e que motoristas e cobradores são treinamos para o atendimento das pessoas com deficiência.

Veja a nota na íntegra:

Em respeito aos leitores do Diário do Transporte, a SPTrans informa que a remuneração das concessionárias de ônibus da cidade de São Paulo na fase de transição passou a considerar o serviço programado e não somente os passageiros transportados, desde que os novos contratos de concessão foram assinados, em setembro de 2019.

A SPTrans esclarece ainda que o Bilhete Único comum segue com seu tempo de integração inalterado em três horas desde 2008. Os usuários que pagam a tarifa de R$ 4,40 com Bilhete Único comum têm o direito a embarcar em até quatro ônibus municipais diferentes no período de três horas, independentemente do sentido da viagem. O Bilhete Único Vale-Transporte permite até dois embarques em ônibus diferentes, no período de até três horas.

Quanto ao Atende+, vale informar que, desde 2017, foram 236 vans zero km inseridas no serviço, totalizando 487 veículos em operação para transportar pessoas com autismo, surdocegueira ou deficiência física com alto grau de severidade e dependência.

Já a frota municipal de ônibus conta com 100% dos veículos em operação acessíveis a pessoas com deficiência. A SPTrans revisou todo o conteúdo para treinamento focado em acessibilidade e elaborou a Cartilha de Acessibilidade – Treinamento Transporte Coletivo, que teve seu conteúdo submetido às secretarias de Direitos Humanos e Cidadania e Pessoa com Deficiência, responsável pela impressão das cartilhas. O material é utilizado no treinamento dos operadores do sistema.

Willian Moreira em colaboração especial para o Diário do Transporte

(O Diário do Transporte tem feito entrevistas com os candidatos/as a prefeitura na capital paulista. Alguns já foram para o ar e outros/as estão ainda para ser publicados/as)

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Comentários

Comentários

  1. DENILSON PJ disse:

    Falar em tarifa zero é fácil,na pratica são outras contas.
    Ja tem muita gente andando de graça em SP com as fraudes no bilhete unico.
    AS GRATUIDADES SÃO A MAIORIA DAS FRAUDES NO SISTEMA e eles ainda incentivam as tais gratuidades.
    Precisamos de SAÚDE,EDUCAÇÃO E SEGURANÇA o resto vem naturalmente.

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