Empresa Visate demite 243 trabalhadores em Caxias do Sul

Publicado em: 7 de outubro de 2020

Foto: Leo Ribeiro / Ônibus Brasil

Concessionária do transporte coletivo de Caxias justificou a demissão em nota oficial, atribuindo a medida à queda na demanda provocada pela pandemia

ALEXANDRE PELEGI

Os impactos negativos provocados pelas medidas restritivas impostas pela pandemia de coronavírus às empresas de transporte coletivo continuam a punir os trabalhadores do setor.

Em Caxias do Sul a Visate – Viação Santa Tereza, concessionária do transporte do município, acaba de anunciar em nota oficial a demissão de 243 funcionários. A justificativa são as consequências da pandemia do coronavírus.

A demissão alcança perto de 25% do quadro de motoristas e cobradores.

A Visate informa, seguindo seus princípios de transparência e prestação de contas à comunidade caxiense, que devido a grande queda na demanda de usuários do transporte público de Caxias do Sul,  ocorrida em virtude da pandemia do novo Coronavírus e decorridos seis meses desde o início do Estado de Emergência, o qual continuamos vivendo, infelizmente, precisamos desligar 243 funcionários do nosso quadro, visando ajustar a operação em relação a demanda“.

A nota continua:

“Essa redução é absolutamente necessária para a manutenção dos serviços à população, bem como para o reequilíbrio financeiro da empresa. Lamentamos profundamente a situação, mas, é preciso se adaptar para continuar atendendo a comunidade caxiense”.

CRISE É PROFUNDA

Como mostrou o Diário do Transporte, o setor de ônibus urbano no Brasil deixou de realizar 32 milhões de viagens por dia no auge da pandemia. O dado consta do Anuário da NTU – Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos, divulgado nesta terça-feira, 06 de outubro de 2020.

Segundo o levantamento da série histórica, houve uma perda diária de 1,2 milhões de viagens realizadas por passageiros pagantes em todo o país, o equivalente a uma queda de 3,7% da média de viagens (288,3 milhões) dos meses de abril e outubro do ano passado, em comparação com os mesmos meses de 2018.

Em comunicado encaminhado à imprensa especializada, em que divulga o lançamento do Anuário, a NTU, que representa as empresas operadoras de transporte coletivo urbano por ônibus no país, afirma que parte do caminho a ser construído passa pela elaboração de um novo marco regulatório para o setor, pela mudança das políticas de custeio do serviço e financiamento de insumos, tecnologia e infraestrutura, e que o Governo Federal assuma o papel de indutor da Política Nacional de Mobilidade Urbana.

“Somente a partir dessas mudanças será possível garantir, num primeiro momento, a sobrevivência desse serviço, e, no médio e longo prazos, assegurar melhor qualidade e produtividade”, conclui o comunicado.

O Documento completo pode ser lido aqui: Anuario NTU 2019-2020

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

Compartilhe a reportagem nas redes sociais:

Deixe uma resposta