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Setor de transporte mostra otimismo para 2021, mas impasse na prorrogação da desoneração da folha de pagamentos preocupa

Nova rodada da Pesquisa de Impacto no Transporte – Covid-19, da CNT, mostra que ritmo de demissões começa a desacelerar

ALEXANDRE PELEGI

A Nova rodada da Pesquisa de Impacto no Transporte – Covid-19, da CNT – Confederação Nacional do Transporte, aponta um maior otimismo entre as empresas de transporte com o pós-pandemia.

Como obstáculos a esse sentimento positivo, no entanto, estão as dificuldades de acesso a crédito e um eventual fim da desoneração da folha de pagamento.

A quinta rodada da Pesquisa de Impacto no Transporte – Covid-19, divulgada pela Confederação nesta segunda-feira, 14 de setembro de 2020, aponta que pela primeira vez, em três meses, houve uma estabilização do número de empresas do setor que tiveram de adotar demissões durante a pandemia do novo coronavírus. O levantamento mostra que até mesmo houve uma pequena tendência de queda.

O levantamento destaca que dos 40,6% transportadores que tiveram de promover redução em seus quadros de empregados, 55,3% não pretendem promover demissões em setembro. Já entre os que não demitiram, esse percentual é ainda mais elevado: 83,8% não devem demitir empregados.

A pesquisa da CNT ouviu 914 empresas de cargas e de passageiros, de todos os modais de transporte, entre os dias 25 de agosto e 3 de setembro.

Ainda sobre demissões, o levantamento revela que 52,3% dos transportadores consultados que promoveram desligamentos de funcionários, esperam readmitir após o fim da pandemia.

Outro dado positivo da pesquisa, que mostra uma mudança positiva no cenário econômico do setor de transporte, é quanto à expectativa de aumento da demanda e da receita em 2021, esperado por 35,9% dos entrevistados.



Para nublar esse quadro de otimismo, no entanto, está o impasse entre o governo e o Congresso Nacional em relação à prorrogação da desoneração da folha de pagamentos. Para quase 40,0% das empresas transportadoras brasileiras, o impacto será negativo caso haja um possível fim da desoneração da folha de pagamento; 18,1% não souberam avaliar o impacto.

Para Vander Costa, presidente da CNT, os transportadores estão mais otimistas em relação ao futuro pós-pandemia, o que será fundamental para reaquecer o setor nos próximos meses. “Os resultados dessa rodada demonstram que as empresas transportadoras estão comprometidas com a retomada da atividade econômica do país, indicando até mesmo uma eventual recuperação de parte dos postos de trabalho perdidos durante a pandemia. Mas, para que essa possibilidade tenha mais chance de se concretizar, é necessário que haja uma rápida e favorável definição sobre a prorrogação da desoneração da folha de pagamentos”.

PERSISTEM OS DESAFIOS

A quinta rodada da Pesquisa de Impacto no Transporte – Covid-19, no entanto, mostra que o setor ainda enfrenta os efeitos da maior crise já enfrentada: 63,6% das transportadoras apontaram queda de demanda em relação ao mesmo período de anos anteriores, sendo que, para 46,6%, a retração foi bastante acentuada.

Das empresas consultadas, 67,4% declararam que tiveram prejuízos durante a pandemia.

A queda de faturamento foi indicada por 50,8% das empresas de transporte, e mais de um terço das transportadoras (36,2%) informou estar com a capacidade de pagamento muito comprometida (folha de pagamento, financiamentos, tributos, fornecedores e aluguel, entre outros). Nesse sentido, para 52,5%, levará pelo menos um ano para sua empresa voltar aos níveis de demanda e faturamento anteriores à pandemia; 8,5% afirmam que a empresa não voltará a ter o nível de faturamento anterior à pandemia.

DIFICULDADES NO CRÉDITO

Desde o início da crise da pandemia, a CNT aponta que 51,8% das empresas de transporte solicitaram aos bancos algum tipo de financiamento, sendo que quase dois terços delas (61,3%) tiveram a sua solicitação negada.

Outro destaque do levantamento é quanto ao PEAC – Programa Emergencial de Acesso a Crédito: 62,4% afirmam não conhecer a iniciativa do governo federal que busca viabilizar crédito para pequenas e médias empresas.

Já a atuação do Ministério da Economia em relação ao apoio às empresas durante a pandemia é avaliada como negativa por 67,5%, enquanto 25,6% a consideram positiva.

EXIGÊNCIAS DOS CLIENTES: PROTOCOLOS DE HIGIENE

Para as empresas entrevistadas pela CNT, 58,2% delas perceberam mudanças de exigências dos clientes desde o início da pandemia.

Para 65,1% das empresas, os protocolos de higiene e de segurança sanitária representam a principal mudança exigida durante a pandemia. Na sequência, aparecem a redução do valor cobrado pelo serviço (11,5%) e pontualidade (6,5%).

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

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