Greve do transporte coletivo em Foz do Iguaçu (PR) chega ao segundo dia

Publicado em: 9 de setembro de 2020

Foto: João Paulo do Santos Pinheiro/Ônibus Brasil

Categoria fez como anunciado e parou o transporte após as 8h

ALEXANDRE PELEGI/WILLIAN MOREIRA

A greve que afeta o transporte coletivo em Foz do Iguaçu, no Paraná, chegou ao segundo dia.

Como ocorreu nessa terça-feira, 08 de setembro, hoje (09) os coletivos interromperam a circulação às 8h, logo após o horário de pico.

Como não houve avanço nas negociações entre empresas e o sindicato que representa a categoria, o protesto que afeta o transporte deve continuar.

Segundo a Foztrans, que gerencia o transporte municipal, a partir de hoje as vans do transporte escolar e de turismo podem fazer o papel dos ônibus, cobrando R$ 4,00 por viagem e com autorização válida por uma semana.

GREVE COMEÇOU APÓS FALTA DE ACORDO ENTRE SINDICATO E EMPRESAS

Rodrigo Andrade de Souza, presidente do Sitrofi, informou que a paralisação é resultado do fracasso nas negociações entre a categoria e as empresas do Consórcio Sorriso – Viação Cidade Verde, Expresso Vale do Iguaçu e Transporte Urbano Balan.

Como mostrou o Diário do Transporte, a paralisação foi aprovada em assembleia realizada no mês de agosto, e os trabalhadores aguardaram até a noite de sexta-feira, 4, por algum avanço nas negociações.

Ainda na manhã de ontem a prefeitura emitiu nota sobre a paralisação.

Leia a nota na íntegra:


Nota à imprensa – Prefeitura de Foz do Iguaçu:

“É com cautela que recebemos a notícia da paralisação do transporte coletivo prevista para terça-feira (08), supostamente motivada pela não renovação do acordo coletivo de trabalho e pendências de vale alimentação, férias e multa de FGTS.

O Foztrans sempre esteve à disposição para ouvir o Consórcio Sorriso sobre eventuais dificuldades financeiras decorrentes da pandemia do coronavírus, para juntos buscarmos a melhor solução possível. Entretanto, salienta-se que o Município não deve valor algum à concessionária.

Se de fato concretizada, esperamos que a paralisação se dê de forma prudente e pacífica, caso contrário as forças de segurança serão acionadas.

Ao contrário do que difundem nas redes sociais, a Prefeitura não recebeu verba do Governo Federal. A Câmara dos Deputados aprovou o projeto de lei 3364/20, na qual prevê repasses da União para os Municípios, visando ajuda financeira para garantir o serviço de transporte público coletivo de passageiros. O PL ainda depende de análise do Senado Federal e posteriormente, sanção presidencial.

A exemplo de outros municípios brasileiros, no início da pandemia, a Prefeitura realizou a compra antecipada de 376 mil reais em vales transportes, visando possibilitar que o Consórcio organizasse seu fluxo de caixa, para garantir o pagamento de salários e verbas trabalhistas”.


Como motivo da greve estão os salários atrasados dos meses de junho, julho e agosto, além da exigência de recontratação de trabalhadores demitidos durante a pandemia, principalmente cobradores. Parte das férias de abril estão atrasadas também, e a categoria aguarda a renovação do acordo coletivo de trabalho (ACT) para os anos 2020 e 2021, ainda pendente.

Atuando com menor número de ônibus desde o início da pandemia de Covid-19, as empresas de ônibus alegam forte queda na receita.

Cerca de 300 funcionários já foram demitidos, e as empresas estão com dificuldades para quitar a multa rescisória, segundo informações do portal H2FOZ.

O Edital de Greve foi publicado no dia 02 de setembro nos jornais locais:


Foto: publicação em jornal


Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes e Willian Moreira em colaboração especial para o Diário do Transporte

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