Seis estações do BRT Rio tiveram equipamentos furtados no feriado prolongado

Publicado em: 8 de setembro de 2020

Estação Capitão Menezes foi uma das que tiveram equipamentos furtados. Foto: Divulgação.

Um homem foi detido na estação Olof Palme, no corredor Transolímpica

JESSICA MARQUES

O sistema BRT Rio voltou a ser alvo de criminosos no feriado prolongado de Dia da Independência. Ao todo, seis estações tiveram equipamentos furtados, de acordo com o consórcio BRT Rio.

Foram registrados casos de furto nas estações Capitão Menezes, Aracy Cabral, Vicente de Carvalho e Taquara, situadas no corredor Transcarioca; Riocentro, no corredor Transolímpica; e Gláucio Gil, no corredor Transoeste. Um homem foi detido por agentes do Proeis enquanto furtava cabos na estação Olof Palme, no corredor Transolímpica, no domingo.

Relembre: Homem é detido furtando cabos na estação Olof Palme do BRT Rio

No sábado, as estações Capitão Menezes, Aracy Cabral e Riocentro tiveram circuito de iluminação, tomadas e rack furtados. Por sua vez, no domingo os criminosos roubaram o circuito de iluminação da estação Vicente de Carvalho e atacaram a Capitão Menezes novamente. Desta vez, foram levados a condensadora do ar condicionado, relógio de ponto, iluminação, tomadas e porta de rolagem.

Além disso, a estação Taquara também foi alvo de furto de circuito de iluminação, tomadas e bilheteria. Na segunda, feriado de 7 de Setembro, a estação Gláucio Gil teve a condensadora do ar-condicionado roubado. Ainda no fim de semana, a equipe de Infraestrutura do BRT Rio refez os circuitos e gastou 400 metros de fios de 2,5 mm nos trabalhos.

ESTAÇÕES FECHADAS

Desde abril, cerca de 100 estações foram alvo de vândalos e bandidos. Atualmente, o BRT Rio tem um total de 35 estações fechadas por causa de vandalismo e/ou furtos de equipamentos, conforme informado em nota.

Ainda segundo o consórcio, as estações que foram fechadas em razão da pandemia foram depredadas e não apresentam condições para a reabertura.

“O BRT Rio ressalta que as ações dos operadores de estação são em caráter de orientação aos passageiros para as operações do sistema. A segurança em terminais e estações, que são um patrimônio do município, é atribuição do poder público. É o que estabelece a lei complementar municipal número 100, de 15 de outubro de 2009, que cria a Guarda Municipal e prevê, entre outros itens, ‘proteger bens, serviços e instalações municipais do Rio de Janeiro’”, informou o consórcio, em nota.

“Precisamos muito do apoio do poder público para coibir todo tipo de crime e delito que pode ocorrer nas estações do BRT e também nos articulados. Somente com uma ação integrada da Guarda Municipal com a Polícia Militar, com a qual já temos convênio com o Proeis, conseguiremos colocar fim ao que estamos presenciando hoje e, assim, garantir a segurança das estações e dos passageiros que as utilizam”, afirmou o presidente executivo do BRT Rio, Luiz Martins.

Além disso, o BRT Rio informou também que iniciou um cronograma de reforma de estações. Ao todo, 17 estações já passaram por intervenções nos últimos meses. “As obras incluem o fechamento do acesso ao forro e à cobertura, pintura, nova rede elétrica, reforço na iluminação e sinalização. A nova estrutura que vem sendo utilizada na revitalização impede que ambulantes e moradores de rua guardem objetos na parte superior da estação, além de proteger o cabeamento elétrico. A iluminação também é reforçada com mais refletores”, detalhou.

PREFEITURA ACOMPANHA CASOS

Em nota, a Prefeitura do Rio de Janeiro, por meio da SMTR (Secretaria Municipal de Transportes), informou que está acompanhando de perto os episódios de vandalismo e a reforma das estações.

Confira a nota da SMTR, na íntegra:

O vandalismo em estações do BRT é um caso de segurança pública. A Secretaria Municipal de Transporte envia os registros recebidos para as Polícias Militar e Civil.

A secretaria está acompanhando de perto os episódios de vandalismo e a reforma das mais de 20 estações atingidas do BRT, ainda que os casos sejam recorrentes e atrapalhem a conclusão dos trabalhos. A iniciativa para a restauração dos equipamentos é resultado de orientações e incentivos da SMTR para que o BRT Rio proporcione melhorias e maior conforto aos usuários do sistema.

É importante reforçar que, se os equipamentos não forem usados de forma responsável e consciente, os passageiros poderão ser novamente afetados pela suspensão dos serviços para a necessária reforma do local.

A Guarda Municipal do Rio atua desde outubro de 2018 nas estações do BRT fiscalizando o calote de passageiros nos ônibus e já aplicou 14.453 multas, sendo 4.607 este ano (até o dia 23 de agosto). Nesse período, já registrou mais de 30 ocorrências nas estações com prisões em flagrante por crimes, como furto, roubo, importunação sexual e dano ao patrimônio público, além de prestar auxílios ao público.

A Guarda Municipal atua nos principais pontos e espaços públicos da cidade, incluindo o entorno de estações e terminais de transporte, com patrulhamento preventivo realizado a pé ou com viaturas, além do ordenamento urbano e do trânsito. Como esses locais são administrados pela iniciativa privada, eles também contam com serviço de segurança no interior das instalações. A Guarda Municipal presta todo o apoio necessário, dentro de suas atribuições.

BRT RIO, UMA BOA SOLUÇÃO QUE SOFRE COM EXTERNALIDADES DESDE O INÍCIO:

O sistema de corredores de ônibus do Rio de Janeiro, alavancados pelas Olimpíadas de 2016, trouxe inegáveis melhorias na mobilidade da capital. Em alguns trechos, o tempo de viagem caiu até 65%.

Mas situações externas à escolha do meio de transporte têm deteriorado os serviços.

Um dos primeiros pontos foi o preparo do solo e as soluções de engenharia. Uma auditoria da gestão do prefeito Marcelo Crivella em outubro de 2018 apontou que o projeto original e o que estava previsto em contrato não foram seguidos. Em trechos onde trincas, buracos e deformações eram aparentes no asfalto, foi verificado, segundo a prefeitura, uso de material de qualidade abaixo da especificada no contrato e espessuras até 10 cm menores do que as que deveriam ser utilizadas no concreto. Além disso, o asfalto original já estava aparente.

O solo não recebeu a compactação correta e, em alguns trechos, foi escolhido asfalto em vez de concreto, que é mais adequado para o peso dos ônibus.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2018/10/22/crivella-denuncia-irregularidades-em-outra-obra-do-brt/

Além dos problemas físicos, que interferem na manutenção dos veículos, há também as questões financeiras. O Consórcio BRT reiteradas vezes reclamou do custeio do sistema, que sofre interferências como do transporte clandestino e da evasão de receitas pelo fato de muitos passageiros não pagarem mesmo não tendo direito a gratuidades. As readequações de linhas para alimentarem o BRT também tiveram equívocos e não foram concluídas ainda.

As ações criminosas e o vandalismo também causam riscos à operação, ampliam os custos e reduzem a qualidade dos serviços. Constantemente estações são alvos de ataques, com furtos de equipamentos, depredações e até incêndios.

A Polícia Civil investiga a atuação do crime organizado em muitas destas ações.

Os ônibus dos BRTs começaram a tirar os passageiros das lotações, muitas delas ilegais, e, não generalizando, porém, não escondendo a realidade, são controladas por traficantes de drogas e milicianos, muitos dos quais ligados a policiais e até mesmo a políticos, apontam as investigações.

Desta forma, o atual estágio do BRT do Rio não pode ser usado como parâmetro nem para criticar e nem para defender este tipo de solução de transporte porque sofre com interferências de outras áreas externas ao transporte, como decisões equivocadas de engenharia, políticas tarifárias contestáveis e até de segurança pública.

O VLT – Veículo Leve sobre Trilhos, outra boa solução que ajudou remodelar e qualificar as áreas onde foi instalado, não sofre com os mesmos problemas, mas não pode ser usado na comparação contra ou a favor do BRT, já que sua malha é muito pequena e atende mais as regiões central e portuária, onde há  maior infraestrutura e atuação das forças de segurança pública. O BRT, por sua vez, se estende a regiões mais afastadas do centro, cujos índices vulnerabilidade social e os indicadores de violência são bem mais desfavoráveis.

Jessica Marques para o Diário do Transporte

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