Passarela de Paranapiacaba é parcialmente interditada por estrutura não suportar peso

Publicado em: 7 de agosto de 2020

Pessoas com carrinho de bebê ou cadeirantes devem solicitar liberação a funcionários da Prefeitura. Fotos: Redes sociais.

Passagem construída em 1899 está frágil e bloqueio busca impedir aglomeração e passagem de motos, mesmo com condutor empurrando

JESSICA MARQUES

A passarela que liga a Parte Baixa à Parte Alta de Paranapiacaba está com a estrutura frágil. Para evitar submeter a passagem a muito peso, o acesso ao local foi parcialmente bloqueado pela Prefeitura de Santo André, no ABC Paulista, cidade à qual pertence a vila.

O bloqueio na passarela, chamada pelos moradores de “Ponte”, ocorreu uma semana após a reabertura da vila para turistas, em 25 de julho de 2020. Antes dessa data, o acesso estava restrito por conta da pandemia de Covid-19.

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A interdição parcial foi realizada pela Prefeitura após vistoria técnica feita pela MRS, concessionária que opera a Malha Regional Sudeste da Rede Ferroviária Federal. A empresa é responsável pela estrutura da passarela.

Apesar da fragilidade da estrutura, ainda não há previsão para reforma no local. Além disso, o bloqueio interfere no cotidiano dos moradores da Parte Baixa, que não conseguem acessar a rodovia principal que liga a vila a Rio Grande da Serra e outras cidades do ABC Paulista.

Quem mora em Paranapiacaba também relata dificuldades para receber entregas dos Correios e até mesmo da padaria. Outro problema é que o bloqueio dificulta a passagem de carrinhos de bebê e cadeiras de rodas.

MORADORES ENFRENTAM DIFICULDADES

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A integrante do conselho de Representantes de Paranapiacaba e Parque Andreense, Valdinete Matos, contou que o bloqueio parcial foi informado pela Prefeitura em uma reunião com empreendedores do local.

“Ainda é possível a passagem, porém o espaço está estreito, foram colocados cavaletes e correntes com cadeado de forma que seja impedidas as motos”, explicou.

“Houve alguns incômodos, especialmente dos motociclistas. Muitos apontam riscos de seguir viagem pela estrada de terra, além de outras comodidades, como entregas como jornal, livros, pizza etc”, afirmou também.

Por conta do bloqueio, o morador Adalberto Nazário colocou-se à disposição oferecendo caronas. Assim, Nazário auxilia realizando o transporte de pessoas com carrinhos de bebê ou cadeirantes pela estrada de terra da Parte Baixa, caso precisem sair da vila.

Além disso, nestes casos, a Prefeitura informou que pessoas com carrinhos de bebê e cadeirantes devem solicitar passagem a funcionários do Centro de Informações, que farão a abertura do bloqueio.

FALTA DE INFORMAÇÃO

Os moradores que não atuam como empreendedores na vila lamentam a falta de comunicação sobre o bloqueio. O morador Jonas Vegas Marques contou que não foi informado com antecedência.

“A ponte passou a ter uma intervenção, segundo as pessoas, pelo mal estado de conservação, sendo assim bloquearam a passagem de motos com risco de queda. Mas em festivais o movimento é enorme e não tem controle de pessoas na ponte, 100 pessoas em cima dela pesa menos que uma moto?”, ponderou.

“Os prejuízos foram limitar moradores de vários serviços como carteiro, entregadores em geral. A passagem pela estrada de terra é extremamente precária sem sinalização e sem sinal de celular, caso de roubo ou acidente não teria como entrar em contato com ninguém, e dias de chuva é impossível passar motos por lá”, afirmou também.

Por sua vez, a moradora Edimila Souza Duarte afirma que a solução seria a liberação da ponte para moradores, fiscalização aos fins de semana e feriados controlando a quantidade de pessoas na passagem,

“Passamos pela Ponte apenas a pé, pelo cantinho apertado entre as grades”, contou.

Ao morador Mateus Dourado, a informação que chegou é que a ponte está com risco de desabamento. Entretanto, ele afirma não ter visto nenhum anúncio oficial sobre o fato.

“Até então eu fui informado através do WhatsApp por amigos, mas não houve, pelo menos eu não vi, ninguém anunciando sobre isso na vila aos moradores”, lamentou.

ACIDENTE COM COMPOSIÇÃO DA MRS

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Além do fato de a “Ponte” ter sido construída há mais de 130 anos, com manutenções superficiais ao longo do tempo, Valdinete Matos relata que um acidente piorou as condições da estrutura.

“Em 2018, um trem guincho [da MRS] se chocou em uma das pontas, o que desestruturou, entortando a base. Em julho de 2019, devido ao Festival de Inverno, com muitos pedestres circulando, a Ponte chegou a tremer, sendo obrigado a ter funcionários da Prefeitura para fazer o controle de acesso”, contou Valdinete.

Neste ano de 2020, a Prefeitura solicitou um laudo do estado da Ponte, o que fez com que houvesse diálogo entre a administração municipal e a MRS, empresa responsável pela manutenção do equipamento, também segundo a moradora.

“Entrei em contato via Instituição União Serrana, Associação de Empreendedores local, com a Prefeitura, que me explicou a situação apontando o bloqueio da vila a pedido da empresa MRS por medidas de segurança. Semana passada enviei um e-mail solicitando esclarecimentos e uma nota oficial para a empresa, para ser entregue para os moradores”, relatou.

À moradora, a empresa informou que há um projeto em análise no Comdephaapasa (Conselho Municipal de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico, Arquitetônico-Urbanístico e Paisagístico de Santo André) para aprovação de obras de reforma na estrutura.

Pelo fato de a vila ser um patrimônio histórico, intervenções dessa natureza também devem ser aprovadas pelo Condephaat (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico da Secretaria da Cultura do Estado) e pelo Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional).

OUTRO LADO

Em nota, a Prefeitura de Santo André informou que o acidente ocasionado pela MRS e o tempo de uso da passarela contribuem para a deterioração da estrutura.

Assim, após vistoria da MRS atestando as condições da estrutura, foi solicitada a interdição parcial. Contudo, não há previsão para reforma no local, que é de responsabilidade da companhia ferroviária.

“Quanto à questão de passagem de carrinhos de bebê e cadeirantes, a Vila de Paranapiacaba conta com equipe de funcionários, na parte alta, e o acesso deve ser solicitado a esta equipe”, informou a Prefeitura.

Confira a nota, na íntegra:

A Prefeitura de Santo André, por meio da Secretaria de Meio Ambiente, informa que a passarela de pedestres que liga a parte alta e a parte baixa da Vila de Paranapiacaba tem registros históricos que indicam o seu início de uso em 1899. Portanto, a mesma já é utilizada há 121 anos.

Soma-se a esse tempo extenso de utilização o fato de a passarela estar localizada em uma região úmida e de acentuada agressividade ambiental, que recebe massas de ar vindas do oceano e das indústrias da Baixada Santista, em especial da cidade de Cubatão – reconhecida em diversas referências bibliográficas como a região com maior agressividade ambiental do Brasil.

Todos esses fatores foram responsáveis pela deterioração da passarela nos últimos anos e o acidente ocorrido em 2018 é mais um fator.

Em 2020, uma equipe técnica da MRS realizou vistoria na passarela e solicitou o apoio da Prefeitura na implantação de medidas para a interrupção imediata do tráfego de motos sobre o tabuleiro da passarela, inclusive com a instalação de barreiras se necessário.

Por esse motivo, na reabertura da Vila, dentro do contexto da pandemia, a Secretaria de Meio Ambiente interrompeu o acesso de motos. Importante ressaltar que é proibido o tráfego de veículos em passarelas, conforme artigo 193 do Código de Trânsito Brasileiro (CTB):

“Art. 193

Capítulo XV – Das INFRAÇÕES

Transitar com veículos em calçadas, passeios, passarela, ciclovias, ciclofaixas, ilhas, refúgios, ajardinamentos, canteiros centrais e divisores de pista de rolamento, acostamentos, marcas de canalização, gramados e jardins públicos:

Infração : GRAVÍSSIMA

Penalidade – Multa (3 Vezes)”

A Secretaria de Meio Ambiente compreende que existe a dificuldade de ligação entre a parte alta e baixa de Paranapiacaba, porém para as duas partes da Vila existem acessos próprios (mesmo que em via não pavimentada), sem que haja a necessidade de atravessar a passarela com motos, colocando em risco os pedestres que por ali circulam. As intervenções futuras são de responsabilidade da MRS.

Quanto à questão de passagem de carrinhos de bebê e cadeirantes, a Vila de Paranapiacaba conta com equipe de funcionários, na parte alta, e o acesso deve ser solicitado a esta equipe.

MRS SE POSICIONA

Também em nota, a MRS não informou sobre a possibilidade do início de uma reforma no local e não comentou sobre o acidente causado em 2018. A empresa afirmou, porém, que a passarela citada é uma construção histórica, com mais de 100 anos de existência. Assim, a estrutura não está preparada para suportar muito peso.

“A passarela citada é uma construção histórica, com mais de 100 anos de existência. Ela não foi concebida para a passagem de motos ou para suportar a aglomeração de muitas pessoas. Os eventuais bloqueios de acesso à ela são definidos pelo município, que é o responsável pela mobilidade urbana na região”, informou a empresa, em nota.

OBRAS NA VILA

Apesar do imbróglio para a reforma ou restauro da Ponte, a Prefeitura de Santo André informou que a atual gestão realizou obras de recuperação em outros pontos históricos da vila.

Confira a nota, na íntegra:

Desde o início da atual administração foram recuperados o Museu Castelo, a Casa Fox (Casa da Família Ferroviária), o Centro de Visitantes do Parque Nascentes e a igreja Senhor Bom Jesus de Paranapiacaba. Também foram entregues nesta gestão as novas sedes da GCM e do Corpo de Bombeiros, a Biblioteca (antiga Casa do Engenheiro) e a revitalização do Centro de Informações Turísticas.

Outra obra importante foi o restauro da antiga Garagem das Locomotivas, que abriga a plataforma do Expresso Turístico da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos). O restauro foi realizado com recursos do PAC Cidades Históricas, fruto de parceria do Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) com a Prefeitura de Santo André.

O Museu Castelo, reaberto em 2018 após passar por reforma, era a antiga moradia do engenheiro-chefe da ferrovia. O local recebeu série de melhorias como nova pintura, reformas na parte elétrica, no telhado e no assoalho. Também foram realizadas a recuperação da lareira no quarto superior, das janelas da face sul e do mastro das bandeiras e a instalação de iluminação interna e externa, além de melhorias do paisagismo e substituição de vidros quebrados. Ingressos custam R$ 3, com direito a visita guiada.

A Casa Fox, uma conjunto de duas casas geminadas, foi recuperada e passou a abrigar em 2018 a Casa da Família Ferroviária. O local conta com série de móveis, utensílios e decorações da década de 1930 e visitá-la é uma verdadeira viagem no tempo a uma casa de ferroviários daquela época. As visitas guiadas custam R$ 3.

Instalada na parte alta da Vila, a igreja Senhor Bom Jesus de Paranapiacaba também foi recuperada num trabalho que envolveu, além da Prefeitura, a comunidade, ex-moradores e a Diocese do ABC. A obra, entregue em 2019, compreendeu a troca do telhado e instalação elétrica, bem como a impermeabilização de todo o prédio e a pintura. Foram recuperados ainda a porta de madeira da entrada, o sino e a torre, além da casa do pároco e o banheiro. A iluminação local recebeu melhorias.

Jessica Marques para o Diário do Transporte

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Comentários

  1. Sueli Figueiredo de Faria disse:

    Pagamos impostos mais alto do mundo……..pra isso???? PQP 😐🤬😡😠😡🤬😠

  2. Eliana de Souza disse:

    Nasci em Paranapiacaba, sei que nosso prefeito faz o que pode, a vila está tombada, e, ele depende de vários órgãos para liberar as obras, no Antena Paulista de 30/08, vão homenagear as obras
    da prefeitura na reforma da estação Campo Grande, que pertence a Paranapiacaba, Santo André, muito orgulho dessa nossa administração, parabéns.

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