Pesquisa: 30% dos paulistanos querem usar menos ônibus e 27% menos metrô quando a pandemia passar

Publicado em: 6 de agosto de 2020

Quase metade dos entrevistados pede maior frota para sentir maior segurança

Também é menor o desejo por viagens em táxis e carros de aplicativo.  Apesar de ser voltada para a capital paulista, pesquisa Ibope/Nossa São Paulo traz indicativos para gestores e operadores dos transportes em todo o País. Maior frota é que o que daria mais segurança para que passageiro não abandone sistemas coletivos

ADAMO BAZANI

Mesmo quando a pandemia da Covid-19 passar e o isolamento social não for mais necessário, grande parte dos usuários habituais de transportes públicos vai querer usar menos estes meios de deslocamento.

É o que revela uma pesquisa realizada pela Rede Nossa São Paulo em parceria com IBOPE Inteligência, entre os dias 18 e 28 de julho, que traz a percepção dos moradores da capital paulista sobre as ações do poder público relacionadas à pandemia e o que os cidadãos pretendem fazer após o fim do problema. A pesquisa foi feia de forma virtual entre internautas das classes A, B e C da cidade.

De acordo com os resultados, os gestores e operadores de transportes coletivos terão dois grandes desafios: melhorar os serviços de fato e saberem se comunicar com os passageiros  sobre estas melhorias para “convencerem” os usuários a voltarem.

Apesar de a pesquisa ser voltada para a capital paulista, os indicativos podem valer para sistemas de todo o País.

De acordo com nota da Rede Nossa São Paulo, os táxis e carros de aplicativo também podem perder clientela e os deslocamentos a pé vão despertar mais interesse. Os deslocamentos por carros próprios também podem aumentar.

“41% dos respondentes pretendem se deslocar mais a pé, 19% pretendem usar mais o carro no dia-a-dia e 17% usariam mais a bicicleta (eram 38%, 16% e 20%, respectivamente, na pesquisa de junho). Por outro lado, 30% pretendem usar menos o ônibus, 27% querem diminuir o uso de trem/ metrô e 19% têm intenção de usar menos Táxi/Uber/Carro de aplicativo nos deslocamentos cotidianos (na rodada passada eram 26%, 24% e 19%, respectivamente). Considerando apenas aqueles que já usavam o meio de transporte no seu dia-a-dia, a prioridade em usar o carro em seus deslocamentos diários após a pandemia cresceu 5 pontos percentuais. Neste levantamento, entre os moradores do Centro, 52% querem andar mais a pé e 30% pretendem usar mais a bicicleta para se deslocar depois que a pandemia passar.”

Em relação aos medos para a volta ao chamado “novo normal”, a lotação do transporte público é relevante para 10% dos participantes da pesquisa.

O levantamento também mostra que a maioria da população quer que a prefeitura e os operadores intensifiquem a higienização nos ônibus e aumentem a frota em circulação para que haja segurança em continuar usando ou voltar a usar o transporte coletivo.

“Convidados a eleger as três medidas que a que a prefeitura está tomando ou poderia tomar para garantir a segurança na utilização do transporte público, a higienização do transporte com maior frequência e aumentar a quantidade/ a frota de ônibus em circulação são as mais citadas, com 41%, cada uma. Permitir somente o acesso de pessoas usando máscara no transporte público é mencionada por 31% dos internautas paulistanos, chegando a 42% entre os moradores do Centro. Já em outro patamar são citadas: adotar o uso obrigatório de máscaras e medir a temperatura de todos os funcionários a bordo do transporte público (23%); limitar a ocupação de pessoas no transporte público (22% – indo para 30% entre aqueles que vivem na região Oeste) e manter os ambientes ventilados, evitando circular com as janelas fechadas (20%). As demais medidas têm até 10% de respostas. Um em cada dez paulistanos afirma não se sentir seguro em utilizar o transporte público com nenhuma medida.”,

Segundo o Ibope e a Rede Nossa São Paulo, foram feitas 800 entrevistas. A margem de erro é de três pontos percentuais para mais ou para menos sobre os resultados encontrados no total da amostra.

Em nota, a SPTrans – São Paulo Transporte, informou que a quantidade atual da frota (85,85% do que era antes da pandemia) é suficiente para atender a demanda atual de 49% e diz ainda que são tomadas diversas ações de higienização, distanciamento e proteção no sistema de ônibus.

A Prefeitura de São Paulo, por meio da SPTrans, vem mantendo a frota de ônibus disponíveis nas ruas sempre muito superior à demanda de passageiros desde o início da pandemia. O grupo local de distribuição, que atende os bairros mais afastados da região central, está operando com 92,5% da sua frota para transportar 50% da demanda, enquanto a média da frota da cidade está em 85,85% para 49% de passageiros, um total de 11.001 veículos.

A SPTrans informa que 3,3 milhões de pessoas eram transportadas, em média, por dia útil, nos ônibus municipais diariamente antes da pandemia. Atualmente, a média está em 1,5 milhão de pessoas transportadas por dia útil.

Os terminais municipais vêm recebendo reforço na higienização para evitar a contaminação pelo novo coronavírus. Desde o início da pandemia, plataformas, gradis, pistas de rolamento e áreas comuns estão tendo a limpeza complementada, passando por lavagens noturnas. Além disso, ao longo do dia os locais também recebem varrições de todas as plataformas, recolhimento de lixo, higienização e desinfecção dos equipamentos de uso comum.

A limpeza dos ônibus municipais em nove terminais passou a ser feita com a utilização de um equipamento Atomizador Elétrico Portátil para evitar a contaminação pelo novo coronavírus. Com o novo sistema, a higienização no interior dos ônibus nos terminais onde o equipamento está disponível é realizada em apenas dois minutos, sendo feita toda vez que o veículo chega aos terminais urbanos após o desembarque dos passageiros, reduzindo o tempo comparado com a limpeza manual, que continua a ser realizada constantemente nos demais terminais.

O uso de máscara para quem precisa se deslocar passou a ser obrigatório.
Como medida de prevenção, as empresas estão autorizadas a usar cortinas em formato em “L” nos postos dos motoristas para evitar o contágio pelo novo coronavírus. A SPTrans também sinalizou a distância de 1 metro entre os usuários nas plataformas para aguardar o embarque nos terminais. A equipe técnica da SPTrans acompanha o movimento dos passageiros e adequa a frota de ônibus para atender a demanda da população.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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Comentários

  1. JOSE LUIZ VILLAR COEDO disse:

    ACORDA PMSP/SMT/ SPTrans/CET !!!! ACORDA TBM GOVERNO DO ESTADO DE SP/STM/METRÔ /EMTU/CPTM !!!! PRIORIZEM O TRANSPORTE PUBLICO C O L E T I V O !

  2. Áurea Santos disse:

    Mentiraaaaa, só se for uma quantia limitada, que apresenta isso!!! Os ônibus entram nos terminais e saem do mesmo jeito, sujos, bancos encardidos, fedorentos, o ar condicionado, então nem se fala, embora a limpeza nos transportes têm que ser mantida por nós usuários também.
    Demoram de sair e chegar nos terminais determinadas linhas de ônibus, vão e vêm sujos. Motorista e cobradores poucos usam corretamente a máscara, e estes ao invés de ficarem com celular nas mãos e cobradores que praticamente estão com as funções bem diminuídas, jogando conversa fora, poderiam fazer essa limpeza com esse aparelho, já que o seu manuseio dura apenas 02 minutos, seria um tempo bem aproveitado.
    Prefeito e Governador, vai enganar quem não os conhecem.
    Vir com essa mentira, para variar, querendo iludir, nós poupe de tantas farsas.
    Volte os seus olhares para o transporte público, que ainda está por desejar, em vez de aumentarem o valor da condução, arrecadação esta muito mal administrada.

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