Advogados dos trabalhadores contestam nota assinada por responsáveis pela gestão judicial do Grupo Transbrasiliana

Publicado em: 6 de agosto de 2020

Foto: Luis Carlos

Em nota encaminhada ao Diário do Transporte profissionais esclarecem motivo de 98,09% dos credores trabalhistas terem recusado mudança na proposta de venda de terreno para quitar dívidas

ALEXANDRE PELEGI

Em comunicado enviado ao Diário do Transporte, e em nome da maioria dos advogados que representam os credores trabalhistas da Recuperação Judicial da empresa Transbrasiliana Transporte, os profissionais contestam a Nota divulgada pelos Gestores Judiciais do Grupo atualmente em recuperação judicial.

Como mostrou o Diário do Transporte no dia 28 de julho de 2020, nota assinada pelos responsáveis pela gestão judicial do Grupo – Marino Tolentino Filho e Romualdo José Crusco –, esclarece que a falência das empresas não foi decretada, ao contrário do que, afirmaram, foi espalhado por boatos após a Assembleia, realizada em 24 de julho.

Segundo a nota dos Gestores, o que houve foi a recusa por parte dos representantes da classe trabalhista de uma proposta de alteração do Plano – Quinto Aditivo. Essa alteração, ainda segundo a nota, envolvia a possibilidade de fazer a finalização dos pagamentos aos trabalhadores, “uma vez que existe a proposta de compra da Garagem da Avenida Perimetral, em Goiânia, no processo de Recuperação Judicial”. Relembre: Grupo Transbrasiliana nega boato de falência

A proposta pode ser exercida até o dia 1º de setembro de 2020 pelo interessado na aquisição do imóvel.

No comunicado, assinado pelos advogados defensores de 1.393 trabalhadores da Transbrasiliana, os profissionais afirmam que o plano foi aprovado e o pagamento dos trabalhadores deveria acontecer até, no máximo, 06 de março de 2020.

Mas, como todos sabem, o pagamento não foi feito! A situação poderia levar a empresa à falência, mas antes disso a empresa apresentou uma proposta de venda da garagem da Transbrasiliana em Goiânia, por R$ 100 milhões, o que segundo o Sr. Marino seria o suficiente para pagar a dívida trabalhista com apenas 15% de deságio (desconto)”, afirma o comunicado.

Após não conseguir fechar a venda, a empresa apresentou justificativas e pediu o adiamento para 01 de setembro de 2020. Diante disso, o Juiz determinou que fosse realizada uma Assembleia com os credores trabalhistas para aprovação da venda e do deságio.

A Assembleia aconteceu nos dias 17 e 24 de julho, conforme amplamente divulgado e transmitido pelo Youtube à todos os interessados.

No momento da reunião, afirmam os advogados, o Sr. Marino apresentou uma nova que não tinha sido discutida antes.

Pela proposta, segundo o comunicado, os advogados dos trabalhadores deveriam aceitar que o dinheiro apurado na venda de outros imóveis fosse usado para o pagamento de outras dívidas, antes da suposta venda da garagem, sem garantia de que a venda da garagem seria realizada.

Essa teria sido a verdadeira razão dos advogados dos trabalhadores terem rejeitado o 5º aditivo, o que correspondeu a 98,09% dos credores trabalhistas.

Não era possível abrir mão de imóveis que estão reservados ao pagamento dos trabalhadores mediante apenas a promessa de venda de outro imóvel sem nenhuma garantia de que o negó cio seja concretizado”, afirma o comunicado.

Leia o comunicado na íntegra:



Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

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