Lava Jato denuncia ex-presidente do Detro por suposto esquema de propina de empresas de ônibus do Rio de Janeiro

Publicado em: 5 de agosto de 2020

Segundo MPF, esquema envolveu empresários de ônibus, agentes públicos e políticos

Foram denunciadas mais oito pessoas. Rogério Onofre teria recebido R$ 43 milhões das viações, diz MPF

ADAMO BAZANI

A Força-Tarefa da Lava Jato do Ministério Público Federal (MPF) apresentou nesta quarta-feira, 05 de agosto de 2020, denúncia contra o ex-presidente do Departamento de Transportes Rodoviários do Estado do Rio de Janeiro (Detro), Rogério Onofre, por lavagem de dinheiro e crimes contra o sistema financeiro que teriam sido cometidos por uma suposta organização criminosa instalada no sistema de transporte público na cidade do Rio de Janeiro.

A denúncia está no âmbito da Operação Ponto Final, um dos desdobramentos da Lava Jato.

Foi também denunciada Dayse Deborah Alexandra Neves, mulher de Onofre.

Integram também a denúncia Rodrigo Chedeak e outras seis pessoas que firmaram acordos de colaboração premiada, que permitiram a descoberta dos crimes.

Segundo o Ministério Público Federal, ocorreu no Rio de Janeiro um esquema de corrupção envolvendo empresas de ônibus, o ex-governador Sergio Cabral, agentes públicos e outros políticos que movimentou mais de R$ 260 milhões.

A promotoria sustenta que somente Onofre teria captado R$ 43 milhões deste suposto esquema e que lavou ao menos R$ 20 milhões em contratos de compara e venda de imóveis num período de oito anos, como diz nota da assessoria de imprensa do MPF.

Em 30 de julho, a Polícia Federal e o MPF cumpriram três mandados de busca e apreensão expedidos pela 7ª Vara Federal Criminal, um na capital e dois em Paraíba do Sul, interior fluminense. As investigações apontaram um sofisticado sistema de lavagem de dinheiro com a compra de imóveis no Paraná, Santa Catarina e Minas Gerais, com entregas de dinheiro em espécie no Rio de Janeiro, além de ocultar recursos no exterior.

Na denúncia, o MPF aponta que Rogério Onofre e Dayse, entre 2010 e 2017, praticaram oito atos de lavagem de dinheiro por intermédio de organização criminosa, com a realização de operações de compra e venda de imóveis em nome de terceiros, nos Estados do Paraná, Santa Catarina e Minas Gerais, no valor de R$ 20.561.817,00. Entre 2014 e 2016, o casal também manteve conta no exterior, em nome de uma offshore, com o montante de USD 8.341.420,86.

As investigações identificaram, ainda, que, entre julho de 2013 a agosto de 2014, em quatorze oportunidades distintas, foi entregue um valor total de R$ 1.850.000,00 pertencentes a Rogério Onofre e Dayse a Rodrigo Chedeak, estando em apuração o destino dado a esse valor.

A Operação Ponto Final foi deflagrada em 2017 e resultou na prisão de empresários de ônibus, como Jacob Barata Filho, José Carlos Reis Lavouras, Marcelo Traça Gonçalves e o então presidente da Fetranspor, que reúne as empresas de ônibus, Marcos Lélis Teixeira. Todos foram beneficiados por habeas corpus concedidos pelo ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, e respondem em liberdade.

Como mostrou o Diário do Transporte, em 16 de julho de 2020, o MPF (Ministério Público Federal) enviou à Corte Especial do STJ (Superior Tribunal de Justiça) uma denúncia contra o empresário Jacob Barata Filho.

A denúncia também é contra o desembargador do TJRJ (Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro), Mário Guimarães Neto pelo mesmo motivo.

Além disso, constam como denunciados a esposa do magistrado, a advogada Gláucia Iorio de Araújo Guimarães; os empresários Miguel Iskin, José Carlos Reis Lavouras; além do presidente do Conselho Superior do Sindicato Rio Ônibus, e João Augusto Morais Monteiro, e do doleiro Carlos Eduardo Caminha Garibe.

Jacob Barata Filho integra o quadro societário de mais de 25 empresas do ramo dos transportes.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2020/07/16/mpf-denuncia-jacob-barata-filho-por-corrupcao-lavagem-e-evasao-de-divisas-no-transporte-publico-do-rj/

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

Compartilhe a reportagem nas redes sociais:

Deixe uma resposta