Em menos de cinco anos, 15 companhias de ônibus deixaram de operar na capital fluminense
ADAMO BAZANI
Os passageiros de ônibus do Rio de Janeiro ainda se dizem prejudicados pelo fechamento da TEL – Transportes Estrela nesta segunda-feira, 03 de agosto de 2020. A empresa deixou de operar na última sexta-feira, 31 de julho de 2020.
Apesar de haver ônibus de outras empresas do consórcio Internorte em algumas linhas que eram operadas pela Estrela, os usuários dizem nas redes sociais que a quantidade é insuficiente e que havia ainda itinerários sem cobertura.
Em nota ao Diário do Transporte na sexta-feira, 31, a Secretaria Municipal de Transportes informou que não tinha sido comunicada oficialmente do fechamento da TEL e que, como a concessão é por consórcio e não por empresa, as linhas têm de ser supridas pelas outras companhias consorciadas.
Vale lembrar que, no caso de fechamento de empresas, não deve haver qualquer prejuízo na operação das linhas de ônibus, já que o serviço foi licitado por região e para os consórcios operadores (Internorte, Intersul, Transcarioca e Santa Cruz), não por linhas e para empresas. Sendo assim, é de responsabilidade do consórcio absorver e operar as linhas se alguma empresa integrante encerrar as atividades, sem deixar de prestar o serviço essencial à população. – diz parte da nota.
Em nota ao Diário do Transporte, o Consórcio Internorte diz que não havia mais condições de a Estrela continuar operando.
*Nota do Consórcio Internorte*
O Consórcio Internorte informa que a viação Transportes Estrela paralisou suas atividades por absoluta falta de condições de seguir em operação, *que ficou inviabilizada em razão do colapso econômico-financeiro que vem atingindo todo o setor de transporte por ônibus no Município do Rio de Janeiro*.
A situação crítica das empresas de ônibus na cidade não é novidade, *e a ausência de medidas efetivas por parte da administração pública do Rio tem impactado fortemente um sistema que transporta milhões de passageiros diariamente*.
A Transportes Estrela é vítima, também, da expansão do transporte alternativo clandestino, da concorrência de aplicativos em trajetos curtos, da redução em mais de 50% do número de passageiros neste período de pandemia, entre outros.
As empresas de ônibus vêm realizando todos os esforços para manter o atendimento à população, *mas é imprescindível que sejam adotadas pela administração pública, em caráter emergencial, medidas capazes de ao menos reduzir o grave desequilíbrio econômico-financeiro que há anos atinge o setor no Município do Rio*.
A Estrela empregava quase 500 trabalhadores.
As linhas que eram operadas pela Estrela são:
265 (Marechal Hermes-Castelo, Via Av. Dom Hélder Câmara)
SP265 (Marechal Hermes-São Cristóvão, Via Av. Dom Hélder Câmara)
311 (Engenheiro Leal-Candelária, Via Del Castilho e São Cristóvão)
349 (Rocha Miranda-Castelo)
350 (Irajá-Passeio, Via Praça das Nações)
SP350 (Irajá-Candelária, Via Praça Das Nações)
SR350 (Irajá-Passeio, Rápido)
363 (Vila Valqueire-Candelária, Via Dias da Cruz e Uerj)
SV363 (Vila Valqueire-Candelária, Via Rua Dálias, Dias da Cruz e Uerj)
SR363 (Vila Valqueire-Candelária, Via Todos os Santos e Radial Oeste)
651 (Méier-Cascadura, Via Lins)
652 (Méier-Cascadura, Via Tomaz Coelho)
653 (Marechal Hermes-Méier)
678 (Vila Valqueire-Méier)
711 (Rocha Miranda-Rio Comprido, Via Inhaúma e Benfica)
15 EMPRESAS FECHADAS:
Com o fim das atividades da Estrela, já são 15 empresas que deixaram de operar na cidade desde 2015: Translitoral, Madureira Candelária, Rubanil, Algarve, Transportes América, Andorinha Rio, Bangu, Estrela Azul, Litoral Rio, Rubanil, Santa Maria, São Silvestre, Translitorânea, Via Rio Class. Transportes América e Rio Rotas.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes
