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Greve do Metrô em São Paulo é suspensa para esta terça-feira (28), mas estações abrem com atraso

Trens do Metrô

 

ATUALIZAÇÃO

GREVE SUSPENSA, MAS ESTAÇÕES ABREM COM ATRASOS

 

 

Categoria se revoltou com anúncio de corte de 10% nos salários. Paralisação foi decidida por meio de assembleia

ADAMO BAZANI

O Metrô de São Paulo terá greve nesta terça-feira, 28 de julho de 2020.

A decisão foi tomada na noite desta segunda-feira, 27, em assembleia virtual e presencial da categoria. Foram 2436 votantes, dos quais, 73% pela greve: Sim 1839 ( 73,38%), Não 545 ( 21,75%), Abstenção 122 ( 4,87%)

A paralisação vai afetar as linhas 1-Azul (Jabaquara/Tucuruvi), 2-Verde (Vila Prudente/Vila Madalena) e 3-Vermelha (Barra Funda/Itaquera) de Metrô e a linha 15-Prata (Vila Prudente/São Mateus) de monotrilho.

As linhas 4-Amarela (São Paulo-Morumbi/Luz) e 5-Lilás (Capão Redondo/Chácara Klabin), de operação privada, não param.

Funcionam também os trens da CPTM e os ônibus comuns e seletivos da EMTU, além de trólebus e ônibus da Metra, no Corredor ABD.

O rodízio municipal de veículos, por sua vez, será suspenso na capital paulista nesta terça-feira, 28 de julho de 2020.

Relembre: Rodízio de veículos será suspenso na capital paulista nesta terça-feira

Ainda nesta segunda-feira, houve uma audiência no TRT – Tribunal Regional do Trabalho sobre o assunto, mas não houve acordo.

Terminou sem acordo, a audiência de tentativa de conciliação realizada no Tribunal Regional do Trabalho (TRT) entre Metrô de São Paulo, Governo do Estado e os sindicatos que representam os metroviários e os engenheiros, sobre as recentes alterações em direitos trabalhistas e o desconto de 10% dos salários de julho. Por unanimidade, a diretoria do sindicato optou pela greve.

A audiência virtual no TRT foi presidida pelo Desembargador-Relator Fernando Álvaro Pinheiro, que determinou, em caso de paralisação frotas mínimas de 95% no pico e 65% nos demais horários:

  1. Durante o horário de pico, compreendido entre 6h e 9h e 16h30min e 19h30min, deverá ser mantida a prestação mínima para a população de 95% do praticado, em relação à semana anterior; b) Fora do horário de pico, deverá ser garantida a manutenção da prestação mínima para a população de 65% do praticado, em relação à semana anterior.

O magistrado ainda determinou que os percentuais são sobre os serviços e não à mão de obra.

Fica esclarecido que os percentuais acima estabelecidos dizem respeito à prestação do serviço, e não da mão de obra devidamente colocada para tanto.

Em caso de descumprimento por culpa dos metroviários, o sindicato poderá ser multado em R$ 150 mil por dia e se a culpa for do Metrô, a pena se eleva para R$ 500 mil

No caso de descumprimento da Liminar por culpa dos trabalhadores, fica estabelecida a multa diária de R$150.000,00 (cento e cinquenta mil reais) e, se por culpa da Companhia, fica estabelecida a multa diária de R$500.000,00 (quinhentos mil reais). O cumprimento da Liminar será avaliado segundo análise de Relatório do Sistema de Registro de Frequência (marcação de ponto dos empregados), e do Relatório de Movimentação dos Trens.

Com a falta de consenso, aumenta a possibilidade da greve planejada para 28 de julho terça-feira, não está descartada e sua realização ou não será decidida no começo da noite.

A categoria votará em audiência online e presencial a forma de protesto.

Nesta segunda-feira, 27, de acordo com a ata da audiência, o Ministério Público do Trabalho, por meio do procurador, Ronaldo Lima dos Santos, apresentou a seguinte proposta:

O desembargador relator informou que acampou a proposta do MPT.

O Metrô, por sua vez, manteve a proposta encaminhada em 22 de junho 2020.

O Sindicato dos Metroviários, que já estava ameaçando uma paralisação desde junho contra cortes em direitos e benefícios, disse que os trabalhadores se revoltaram contra uma mensagem que a companhia do Metrô de São Paulo enviou na última quinta-feira, 23, a cada um dos funcionários relatando corte de 10% de salários de julho.

Os sindicalistas pediram o corte dos “superssalários” da companhia, principalmente da diretoria. Seriam em torno de 400 funcionários nesta situação; ganhando mais que o próprio governador João Doria.

A entidade sindical diz que vem buscando negociar com o Metrô e o Governo do Estado de São Paulo para que sejam revistas alterações em direitos trabalhistas, alterados durante a pandemia, dentre os quais:

* redução da hora extra de 100% para 50%;

* fim do adicional de periculosidade dos Operadores de Trem e Agentes de Segurança;

* redução do adicional noturno de 50% para 20%;

* fim do auxílio-transporte da complementação salarial, entre outros.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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