Transporte coletivo de Juiz de Fora (MG) entra em nova paralisação

Publicado em: 21 de julho de 2020

Ônibus em Juiz de Fora. Foto: Alexandre Tilli/Ônibus Brasil.

Como no movimento anterior, trabalhadores reivindicam o pagamento de diretos que estão em atraso

WILLIAN MOREIRA

Uma nova paralisação parcial do transporte coletivo na cidade de Juiz de Fora em Minas Gerais, teve início na manha desta terça-feira 21 de julho de 2020.

A greve foi promovida pelo Sindicato dos Trabalhadores em Transportes e Trânsito (Sinttro) e funcionários da Goretti Irmãos Ltda (GIL). A categoria reivindica, novamente, o pagamento de direitos trabalhistas em atraso, dentre eles o ticket alimentação e cesta básica.

A empresa est,á desde a paralisação anterior, buscando um acordo com a categoria e sindicato, como alegado em nota divulgada em 08 de julho.

Relembre: https://diariodotransporte.com.br/2020/07/09/onibus-de-juiz-de-fora-mg-voltam-a-circular-apos-um-dia-de-paralisacao/

Os veículos se concentraram na região central em avenidas, gerando transito na região. Motoristas das empresas Tusmil e Viação São Francisco deram apoio ao movimento.

PREFEITURA

O prefeito Antônio Almas já ciente da interrupção do serviço, em transmissão nas redes sociais da prefeitura no final da manha, fez um apelo aos trabalhadores e empresários para que seja rapidamente resolvido o impasse e seja restabelecida a operação dos coletivos, mas que a administração municipal não tem culpa ou relação com a greve.

“Temos visto alguns problemas que não podem continuar acontecendo. O problema de hoje não tem relação com a prefeitura, é um problema trabalhista”.

A prefeitura disse que o cidadão não pode ser penalizado e está tomando medidas administrativas e jurídicas para voltar o serviço do transporte a circular.

EMPRESAS ACUSAM SINDICATO DE INCITAR MOVIMENTO

Em nota divulgada para o jornal Tribuna de Minas, a Astransp, que representa o Consórcio Manchester (Tusmil e GIL) e a Viação São Francisco Ltda, alega que o movimento grevista é organizado pelo sindicato.

Além disso, a nota informa que este teria aceito o acordo de suspender a cesta básica e o pagamento parcelado do ticket, em razão das dificuldades financeiras destas empresas.

“O quadro permanece o mesmo, agravado, mas ele (sindicato) inflexivelmente, sem razoabilidade, não aceita prorrogar o aditivo”, cita a nota.

SINDICATO REBATE CRÍTICAS DAS EMPRESAS

Por sua vez, o Sinttro utilizou as redes sociais para emitir uma nota a população onde se defende das acusações da Astransp, dizendo que diferente dela, o sindicato faz o seu papel durante a pandemia cobrando os direitos dos trabalhadores que estão sendo penalizados com os atrasos e aceitou apenas o parcelamento do ticket de março e não dos meses seguintes.

Veja a nota do sindicato na íntegra:

“O SinttroJF diante da nota emitida pela Astransp nesta terça-feira(21), vem a público dar o seu posicionamento quanto a paralisação de hoje e os constantes atrasos dos compromissos com os trabalhadores.

1) Sobre a divisão do ticket alimentação, o que foi feito foi o parcelamento de duas vezes em abril no benefício referente a março, como pode ser conferido no acordo assinado no início da pandemia. O SinttroJF intima as empresas a mostrarem onde está assinado o parcelamento do ticket para os demais meses.

2) O SinttroJF tem ciência do momento de crise de saúde e social-econômica pelo que passa o mundo e o país, tanto que foi umas das primeiras categorias a negociar e a fechar um acordo com os patrões por DOIS MESES, dando a sua suada contribuição, como o parcelamento de duas vezes do ticket de março, abrindo mão da cesta básica e do adiantamento salarial.

3) Ao falar que o SinttroJF não está fazendo o seu papel social nesta crise, o Sindicato lembra que quem não o faz são as empresas, que estão constantemente deixando os trabalhadores com os salários, ticket alimentação e verbas trabalhistas atrasadas e assim não honram com os seus compromissos. Estes trabalhadores também precisam levar o alimento para a suas famílias e pagar as suas contas, e mesmo assim, todos estão cumprindo os seus horários, trabalhando todos os dias e se expondo aos riscos de contágio do coronavírus. Onde está o compromisso das empresas e o papel social delas?

4) Pagar os seus funcionários e honrar os seus compromissos são as mínimas coisas que uma empresa tem que fazer pelos seus funcionários e isto não está sendo feito a tempos pelas empresas de ônibus de Juiz de Fora, como reflexo disto, as constantes paralisações, por vezes organizadas dentro da lei pelos Sindicato ou pelos próprios trabalhadores, como hoje.

Como exemplo, nesta última semana já foi ingressada pelo Sindicato uma ação na Justiça do Trabalho cobrando o pagamento do FGTS atrasado desde 2018 pela empresa GIL, o que prova que esta ingerência com os trabalhadores já vem muito antes da pandemia.

5) Vale lembrar que o movimento de hoje surgiu por organização dos próprios trabalhadores que estão sem receber novamente. O SinttroJF tem consciência da lei de greve (aviso à população e autoridades 72 h antes e manutenção de 30% da frota rodando), tanto que na semana passada foi feito todo o procedimento, mas diante deste novo movimento de hoje, também não vai abandonar a categoria, estando neste momento tentando intermediar uma saída para a situação.

6) O SinttroJF cobra uma posição enérgica da Prefeitura de Juiz de Fora, da Câmara de Vereadores, do Ministério Público do Trabalho e da Justiça do Trabalho contra esses desmandos que vêm acontecendo no transporte público do município a alguns meses. O trabalhador está cumprindo o seu papel de trabalhar e não está recebendo os seus direitos. É nítida a irresponsabilidade das empresas com os seus funcionários e com a população de Juiz de Fora.

7) O SinttroJF solicita à população e às autoridades que apoiem a categoria. Pois todos são pais de família e estão trabalhando diariamente se expondo ao vírus e há anos vêm sofrendo com o descaso das empresas que constantemente atrasam salários e benefícios garantidos por lei.

8) Porque as empresas de ônibus querem discutir o aumento das passagens de 2020, mas não querem abrir as negociações salariais?

9) Por fim, o SinttroJF questiona as empresas: Onde está o papel social delas em querer tirar a cesta básica dos trabalhadores, um benefício que existe a décadas e que já vem embutido no valor da passagem, neste momento de crise mundial? Onde está o papel social das empresas que não pagam sequer os salários, ticket alimentação e verbas trabalhistas em dia a seus funcionários?
SinttroJF – 21 de julho de 2020”

Willian Moreira em colaboração especial para o Diário do Transporte

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Comentários

  1. Fecha a empresa, manda todo mundo embora. Coloca no olho da rua.

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