Estação Ferroviária de Campo Grande, no ABC Paulista, é restaurada

Publicado em: 19 de julho de 2020

Estação Ferroviária de Campo Grande é um edifício histórico construído na segunda metade do Século XIX pela empresa inglesa São Paulo Railway. Foto: Alex Cavanha / PSA.

Obra é financiada pela MRS Logística, por meio da Lei de Incentivo à Cultura

JESSICA MARQUES

A Estação Ferroviária de Campo Grande, no ABC Paulista, começou a ser restaurada. A edificação histórica é uma parada localizada entre Rio Grande da Serra e Paranapiacaba, inaugurada em 1889.

A obra é financiada pela MRS Logística, por meio da Lei de Incentivo à Cultura, com valor aprovado de R$ 1.746.599,96. O escritório de arquitetura e urbanismo Contemporânea Paulista, especializado em restauração de Patrimônio Histórico Cultural, coordena o restauro, que teve início no primeiro trimestre de 2020.

Em nota, a Prefeitura de Santo André ressaltou que a Estação Ferroviária de Campo Grande é um edifício histórico construído na segunda metade do Século XIX pela empresa inglesa São Paulo Railway.

“Atualmente, o local está sob responsabilidade da MRS Logística, concessionária de transporte de carga pela ferrovia, e se tornará um centro de controle operacional das composições MRS que trafegam pela região em direção ao Porto de Santos ou retornando no sentido do interior de São Paulo, entre outros destinos”, detalhou.

Além deste restauro, alguns pontos da vila ferroviária passaram por intervenções. Entre as obras entregues em Paranapiacaba nos últimos anos estão a revitalização do Museu Castelo, da Igreja do Senhor Bom Jesus de Paranapiacaba, da Torre do Relógio e da Garagem das Locomotivas, utilizada hoje como estação do Expresso Turístico da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos).

ABANDONO DE DUAS DÉCADAS

Com 300 metros quadrados de área construída e 7.500 metros quadrados de área externa, a estação estava abandonada há cerca de 20 anos, repleta de mato e com risco de desabamento, segundo a Prefeitura.

De acordo com a administração municipal, o projeto de restauração foi elaborado pelo arquiteto Laerte Gonzalez. A Contemporânea Paulista, das arquitetas Cristina Machado e Fabiula Domingues, é responsável pelo gerenciamento da obra, que está sendo executada por empresa especializada na recuperação de elementos originais como as telhas, tijolos, madeiramento estrutural da cobertura e a argamassa de revestimento.

“O projeto cultural de restauração da Estação Ferroviária de Campo Grande é referenciado pelos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas. A iniciativa tem apoio da Prefeitura de Santo André e do Comdephaapasa (Conselho Municipal de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico, Arquitetônico-Urbanístico e Paisagístico de Santo André)”, informou também a Prefeitura.

ATIVIDADES EDUCATIVAS

Além disso, a Prefeitura informou que, durante a execução da obra, também serão oferecidas ao público, gratuitamente, atividades educativas. O objetivo destas práticas é informar a população sobre as riquezas da região e, desta forma, incentivar a difusão e a preservação da memória, por meio do patrimônio histórico.

As oficinas serão organizadas por Doutores e Mestres com formação multidisciplinar na USP, Unicamp, Unesp e PUC-SP, sob coordenação do Mestre em Antropologia Social pela USP, Carlos Eduardo Gimenes e da Arquiteta e Urbanista Ana Paula Soida.

“Nossa maior ambição é fazer com que o patrimônio histórico seja cada vez mais compreendido pela sociedade. Um bem restaurado, além de permitir novas experiências, é um legado para as futuras gerações. Seguimos o lema: preservar o patrimônio para consolidar a nossa história”, afirmou, em nota, a arquiteta Fabiula Domingues, também da empresa Contemporânea Paulista, que gerencia a obra de restauração.

A MRS

A MRS é uma operadora logística que administra uma malha ferroviária de 1.643 quilômetros nos estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo, região que concentra cerca da metade do PIB brasileiro.

A produção da empresa é diversificada, entre as principais cargas transportadas estão: contêineres, siderúrgicos, cimento, bauxita, agrícolas, coque, carvão e minério de ferro.

A companhia foi criada em 1996, quando o governo transferiu à iniciativa privada a gestão do sistema ferroviário nacional. A malha da empresa conecta regiões produtoras de commodities minerais e agrícolas e alguns dos principais parques industriais do país aos maiores portos da região Sudeste.

CONTEMPORÂNEA PAULISTA

As arquitetas restauradoras Cristina Machado e Fabiula Domingues elaboram e realizam projetos de arquitetura, restauro e urbanismo. A Contemporânea Paulista conceitua seus projetos otimizando a sustentabilidade dos recursos naturais e econômicos, em conformidade ao atendimento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030 e as parcerias público-privadas.

Jessica Marques para o Diário do Transporte

Compartilhe a reportagem nas redes sociais:

Comentários

  1. PAUL WILLIAM DIXON disse:

    Urge agora reabrir as estações Campo Grande e Paranapiacaba para trens regulares de passageiros (prolongamento da L10) até Santos (Valongo) com paradas em Campo Grande, Paranapiacaba, Piaçagüera, Cubatão, Casqueiro, Alemoa e Santos.

Deixe uma resposta