Doria reclassifica região de Piracicaba, que retrocede para a fase vermelha da quarentena

Publicado em: 17 de julho de 2020

Mudança foi anunciada nesta sexta-feira, 17

ADAMO BAZANI / JESSICA MARQUES / WILLIAN MOREIRA

O Governo do Estado de São Paulo alterou nesta sexta-feira, 17 de julho de 2020, mais uma vez, as faixas da quarentena, de acordo com o plano da equipe do Governador Doria diante da Covid-19.

O governador João Doria informou, em entrevista coletiva, que a Região de Piracicaba vai da fase laranja para a vermelha. Essa é uma reclassificação extraordinária do Plano São Paulo.

“A regressão, ou seja, dar um passo atrás pode ocorrer a qualquer momento, sem a necessidade de aguardar uma ou duas semanas”, disse Doria.

Na fase vermelha, ficam liberadas apenas as atividades consideradas essenciais, como hospitais, mercados e postos de gasolina, por exemplo.

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A secretária de Desenvolvimento Econômico, Patrícia Ellen, disse que há 84,6% de ocupação de leitos na Região de Piracicaba. Assim, este foi o fator determinante para a reclassificação.

Na mesma coletiva, o prefeito da capital paulista, Bruno Covas afirmou que não haverá Réveillon na Avenida Paulista. A Virada Cultural será online e o Show da Virada não será realizado nas ruas.

TRANSPORTE COLETIVO

Todas alterações nas atividades econômicas interferem diretamente na demanda dos transportes coletivos, necessitando, muitas vezes, alterações de frotas, horários e escalas.

Muitos passageiros têm relatado ônibus, metrôs e trens metropolitanos com lotação, o que contraria as recomendações de autoridades de saúde nacionais e internacionais quanto ao distanciamento social.

Entretanto, a questão é complexa de acordo com especialistas em transportes e urbanismo.

Isso porque, os sistemas de ônibus, trens e metrôs foram concebidos para deslocar grandes demandas (não superlotação, mas com capacidade máxima de acordo com cada veículo).

Além disso, as empresas de transportes, sejam ônibus ou por trilhos, têm funcionários afastados em razão da doença, o que também é um complicador sobre a necessidade de frota plena em operação.

O aspecto econômico também pesa na situação. Obviamente que é necessário poupar vidas por meio do distanciamento social, mas os sistemas de transportes têm enfrentado colapso financeiro porque, de acordo com os operadores, mesmo com redução da frota, a oferta tem sido maior que a demanda, o que tem causado desequilíbrio no custeio dos sistemas.

A maior parte dos serviços não tem conseguido desonerações ou incentivos para a manutenção das atividades.

OUTROS ANÚNCIOS

Doria também divulgou o protocolo para retomada de competições de motociclismo e automobilismo. Assim, as atividades podem ser retomadas em regiões que estejam na fase amarela do Plano São Paulo, seguindo protocolos sanitários.

Entre eles, estão testagem de Covid-19 dos pilotos e demais funcionários, aferição de temperatura, uso de máscara e outros protocolos, como uso de álcool em gel, por exemplo.

Confira os anúncios, na íntegra:

DADOS

Na coletiva, foram atualizados os dados da Covid-19 até o início desta tarde:

BRASIL – 2.012.151 casos confirmados – 76.688 óbitos
SÃO PAULO – 407.415 casos confirmados – 19.377 óbitos

Taxa de ocupação de leitos de UTI
ESTADO SP – 67,2%
GRANDE SP – 65,7%

Internados
UTI – 5.883
Enfermaria – 8.862

Casos Recuperados – 255.768
Altas hospitalares – 56.914

FAIXAS

Para separação de faixas, a Região Metropolitana foi dividida em cinco sub-regiões:

Norte: Caieiras, Cajamar, Francisco Morato, Franco da Rocha, Mairporã;

Leste: Arujá, Biritiba-Mirim, Ferraz de Vasconcelos, Guararema, Guarulhos, Itaquaquecetuba, Mogi das Cruzes, Salesópolis, Santa Isabel, Suzano

Sudeste: Diadema, Mauá, Ribeirão Pires, Rio Grande da Serra, Santo André, São Bernardo do Campo, São Caetano do Sul;

Sudoeste: Cotia, Embu,Embu-Guaçu, Itapecerica da Serra, Juquitiba, São Lourenço da Serra, Taboão da Serra, Vargem Grande Paulista;

Oeste: Barueri, Carapicuíba, Itapevi, Jandira, Osasco, Pirapora do Bom Jesus, Santana de Parnaíba

FASES

Diário do Transporte mostrou, no dia 29 de maio de 2020, que a gestão João Doria publicou o decreto 64.994, em edição extraordinária do Diário Oficial do Estado de São Paulo, com as regras para as mudanças de fases nas cidades.

São cinco fases. No decreto, a equipe de Doria também detalha quais as atividades permitidas em cada uma destas fases:

Fase 1 (Vermelha): Alerta Máximo – Fase de contaminação, com liberação apenas para serviços essenciais)

Na fase vermelha, ficam liberadas apenas as atividades consideradas essenciais

– Saúde: hospitais, clínicas, farmácias, clínicas odontológicas, lavanderias e estabelecimentos de saúde animal.

– Alimentação: supermercados, hipermercados, açougues e padarias, lojas de suplemento, feiras livres. É vedado o consumo no local.

– Bares, lanchonetes e restaurantes: permitido serviços de entrega (delivery) e que permitem a compra sem sair do carro (drive thru). Válido também para estabelecimentos em postos de combustíveis.

– Abastecimento: cadeia de abastecimento e logística, produção agropecuária e agroindústria, transportadoras, armazéns, postos de combustíveis e lojas de materiais de construção.

– Logística: estabelecimentos e empresas de locação de veículos, oficinas de veículos automotores, transporte público coletivo, táxis, aplicativos de transporte, serviços de entrega e estacionamentos.

– Serviços gerais: lavanderias, serviços de limpeza, hotéis, manutenção e zeladoria, serviços bancários (incluindo lotéricas), serviços de call center, assistência técnica de produtos eletroeletrônicos e bancas de jornais.

– Segurança: serviços de segurança pública e privada.

– Comunicação social: meios de comunicação social, inclusive eletrônica, executada por empresas jornalísticas e de radiodifusão sonora e de sons e imagens.

– Construção civil, agronegócios e indústria: sem restrições.

Fase 2 (Laranja): Controle – Fase de atenção, com eventuais liberações.

Na fase laranja, shoppings centers (com proibição de abertura das praças de alimentação), comércio de rua e serviços em geral podem funcionar com capacidade limitada a 20%, horário reduzido para quatro horas seguidas e adoção dos protocolos padrão e setoriais específicos. Fica proibida a abertura de bares e restaurantes para consumo local, salões de beleza e barbearias, academias de esportes em todas as modalidades e outras atividades que gerem aglomeração.

Fase 3 (Amarela): Flexibilização – Fase controlada, com maior liberação de atividades

Na fase amarela, shoppings centers (com proibição de abertura das praças de alimentação), comércio de rua e serviços em geral podem funcionar com capacidade a limitada 40%, horário reduzido para seis horas seguidas e adoção dos protocolos padrão e setoriais específicos. Adiciona-se à lista salões e barbearias, além de bares e restaurantes que estarão liberados com restrições. O governo do Estado antecipou para esta fase as academias, parques e salões de beleza e barbearias.

Fase 4 (Verde): Abertura Parcial – Fase decrescente, com menores restrições

Na fase verde, fica liberado o funcionamento de todos os estabelecimentos comerciais e de serviços, incluindo academias e praças de alimentação dos shoppings, desde que com capacidade limitada a 60% e adoção dos protocolos padrão e setoriais específicos. Ficam proibidos eventos que gerem aglomeração.

Fase 5 (Azul): Normal controlado – Fase de controle da doença, liberação de todas as atividades com protocolos de segurança e higiene.

Retomada da economia dentro do chamado “novo normal”

COMO MUDAR DE FASE

A publicação também detalha como será a medição dos resultados para que cada uma das regiões do Estado mude de fase, evoluindo ou regredindo.

São dois critérios: capacidade de resposta do sistema de saúde e evolução da epidemia.

Segundo nota do Governo do Estado de São Paulo, o critério “Capacidade de Resposta do Sistema de Saúde” é composto pelos seguintes indicadores:

(1) taxa de ocupação de leitos hospitalares destinados ao tratamento intensivo de pacientes com COVID-19; e

(2) quantidade de leitos hospitalares destinados ao tratamento intensivo de pacientes com COVID-19 por 100 mil habitantes.

Já o critério “Evolução da epidemia” é composto por três resultados:

(1) taxa de contaminação;

(2) taxa de internação;

(3) taxa de óbitos. Os cálculos para cada um dos indicadores são detalhados no decreto.

O número de novas internações (taxa de internação) terá maior peso, uma vez que reflete com maior precisão a incidência da doença na população avaliada.

Desta forma, diferentes regiões poderão, a depender dos critérios objetivos definidos pelos Anexos, atuarem em fases distintas. Uma região poderá ter maior celeridade na abertura, ao passo que outra demorará mais tempo para retomar alguns setores da atividade econômica.

Como se pode depreender, a evolução da retomada econômica no estado dependerá na prática do equilíbrio entre a forma como o sistema de saúde responderá à epidemia, e à velocidade como o vírus se propagará.

A análise vai ser feita de acordo com cada região. Após a movimentação de prefeitos da Grande São Paulo, o governo do Estado dividiu a região metropolitana em cinco sub-regiões. A capital paulista será analisada como uma região separada das outras cidades, segundo nota da gestão Doria, pelo fato de ser muito grande e comportar “capacidade estrutural e independente de saúde.”

As análises serão feitas pelo Centro de Contingência e ainda levarão em conta informações do SIMI-SP (Sistema de Informações e Monitoramento Inteligente) e orientações do Ministério da Saúde, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária e das diretrizes emanadas da Secretaria de Estado da Saúde.

Como se pode ler no Decreto, dois temas serão utilizados concomitantemente na definição da retomada das atividades econômicas: a questão regional, e a fase que cada região poderá adotar para tal abertura e flexibilização. Para definir essas variáveis, dois anexos acompanham o Decreto.

O primeiro deles é uma Nota Técnica do Centro de Contingência de SP e define que para a modulação da proposta de regionalização serão usados basicamente dos critérios: a capacidade hospitalar e a propagação da doença, visto com uma visão regionalizada e considerando as áreas de abrangência dos Departamentos Regionais de Saúde (DRS) e das Redes Regionais de Atenção à Saúde (RRAS).

Para a definição das fases foi publicado o Anexo 2. Para calcular a fase de risco de cada área, também serão utilizados dois critérios: a capacidade de resposta do sistema de saúde e a Evolução da Epidemia.

Em ambos os casos, foram definidos uma série de indicadores para se calcular a intensidade de cada critério, de onde decorrerá a definição da fase.

Adamo Bazani e Jessica Marques, jornalistas especializados em transportes

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