Mercedes-Benz cresce em participação no mercado, mesmo com pandemia, mas volume de vendas caiu

Publicado em: 15 de julho de 2020

Ônibus Mercedes-Benz. Marca quer mostrar que transporte está entre os principais elementos de retomada segura

De acordo com diretor de marketing de ônibus, Walter Barbosa, com base em estimativas da Anfavea, mercado deve encolher 52% neste ano, mas escolares podem contribuir para queda um pouco menos. Campanha da montadora quer reunir boas práticas quanto à Covid-19

ADAMO BAZANI

A Mercedes-Benz registrou de janeiro a junho deste ano, crescimento de 3,8% de participação no mercado, apesar da pandemia da Covid-19.

A informação é do diretor de vendas e mercado da Mercedes-Benz, Walter Barbosa, em entrevista coletiva na tarde desta quarta-feira, 15 de julho de 2020, da qual o Diário do Transporte participou.

Por segmentos acima de oito toneladas, a participação da Mercedes-Benz no acumulado de seis meses deste ano é a seguinte: micro-ônibus (29%/ 316 unidades), escolar (38%/317 unidades), urbano (74%/1919 unidades), fretamento (53%/253 unidades) e rodoviário (57%/360 unidades).

Apesar disso, como tem ocorrido no mercado geral de ônibus, as vendas acumulam expressivas quedas entre todas as marcas.

De acordo com Barbosa, o segmento mais afetado até o momento foi o escolar (queda de 56%) e menos afetado foi o de fretamento (- 20%) em termos percentuais. Mas o fretamento é o que tem menor volume (quantidade total de ônibus).

O executivo acredita que um dos motivos para o fretamento ter registrado uma queda menor foi o fato de as empresas prestarem serviços para indústrias e atividades que, por medida de segurança, reduziram “pela metade a lotação dos ônibus”, tendo de ampliar a frota para transportar funcionários.

Barbosa disse, porém, que esse quadro não deve persistir, já que depois da normalização haverá adequação da lotação à frota no fretamento.

Em volume, o segmento que mais sofreu foi de ônibus urbanos, devido à queda de demanda de passageiros. A queda das vendas de janeiro a junho entre todas as marcas foi de 56%.

O número de passageiros caiu no Brasil em torno de 75%, variando de acordo com cada cidade, o que, na visão de Walter Barbosa, explica a queda expressiva do volume de vendas dos veículos.

No segmento de rodoviários, que representa em torno de 10% de todo o mercado, a queda de demanda de passageiros foi maior, em torno de 90% em algumas linhas, tanto intermunicipais como interestaduais.  Entretanto, diferentemente do urbano, as empresas não são obrigadas a manter frota em operação nas mesmas proporções.

Sobre os escolares, uma parcela significativa dos emplacamentos realizados no semestre, de acordo com Walter Barbosa, ainda se refere à licitação de 2018, cujas unidades estão sendo finalizadas.

Para o segundo semestre, os emplacamentos de escolares devem refletir os contratos da licitação mais recente.

De cerca de 6 mil ônibus autorizados pelo Programa Caminho da Escola da mais recente concorrência, em torno de 3,5 mil devem ser emplacados neste ano.

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ESTIMATIVAS:

O executivo apresentou na coletiva as estimativas da Anfavea – Associação Nacional das Fabricantes de Veículos Automotores para 2020 que não são nada animadoras.

A queda de vendas de ônibus projetada é de 52% em relação estimativa que o mercado tinha no início do ano, antes da pandemia atingir fortemente o Brasil.

No início de 2020, o mercado de ônibus tinha estimava de fechar o ano com 23 mil unidades vendidas aproximadamente. Agora, a perspectiva é de 10 mil unidades.

Dependendo das compras públicas de ônibus escolares, o volume pode subir para 11 mil unidades aproximadamente.

Para Barbosa, o pior mês do ano foi abril, com queda de 90% no faturamento da Mercedes-Benz. Atualmente, o faturamento varia entre 30% e 50% do período anterior à crise da pandemia e até o final do ano, a estimativa é de chegar de 75% a 80%.

Os volumes anteriores à crise do novo coronavírus só devem ser retomados no primeiro semestre de 2021, caso não haja nenhuma surpresa desagradável.

CAMPANHA VAI DIVULGAR BOAS PRÁTICAS DAS EMPRESAS:

O volume de passageiros interfere diretamente na atividade industrial de ônibus.

A lógica é simples: sem passageiro, a empresa de ônibus não ganha dinheiro, não tem condições de renovar a frota e não compra veículos.

O estímulo da retomada dos passageiros seria benéfico para todos, na visão da Mercedes-Benz, segundo Walter Barbosa, para o cidadão com melhores serviços, para a mobilidade nas cidades, para a imagem do poder público, para as empresas de ônibus, para a indústria e para a manutenção e, futuramente, geração de empregos.

A Mercedes-Benz vai lançar uma campanha on-line chamada “Coletivo de Cuidados” para demonstrar que o ônibus vai ser essencial na retomada às atividades econômicas ainda na persistência da pandemia da Covid-19.

Um dos objetivos é mostrar as boas práticas de empresas de ônibus urbanos, fretados e rodoviários quanto às ações para tornar as viagens mais seguras quanto à transmissibilidade do novo coronavírus, sejam medidas diferenciadas de higienização, adequação da frota, de operação e de comunicação com os passageiros, por exemplo.

Iniciativas de encarroçadoras e até de poder público devem entrar no conteúdo.

A estimativa é que a campanha seja lançada em agosto, quando os gestores municipais e estaduais devem alcançar níveis mais confortáveis sobre a circulação de pessoas.

Os vídeos podem ser enviados para a Mercedes-Benz pelas empresas de ônibus, gestores públicos e fabricantes de carrocerias e equipamentos.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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