RedeMob Consórcio propõe interdição de terminais da Região Metropolitana de Goiânia

Publicado em: 8 de julho de 2020

Proposta inclui fechamento temporário e parcial como alternativa. Foto: Divulgação.

Objetivo da medida seria conter aglomeração, por conta da pandemia do novo coronavírus

JESSICA MARQUES

O RedeMob Consórcio propôs, em coletiva de imprensa realizada nesta terça-feira, 07 de julho de 2020, a interdição dos terminais de ônibus da Região Metropolitana de Goiânia. O objetivo da medida seria conter aglomeração, por conta da pandemia do novo coronavírus.

Conforme informado, em nota, o consórcio justifica que os terminais são a base do sistema integrado de transporte público coletivo. Assim, as linhas saem dos bairros periféricos e passam por estes locais para integrar toda rede de transportes, que conta com 286 linhas em funcionamento, atendendo a 18 municípios da Região Metropolitana de Goiânia.

“Esses espaços são como uma espécie de hub para integrar, conectar e distribuir as pessoas que se deslocam aos mais variados locais de origem e destino nas cidades”, detalhou o consórcio, em nota.

“Mesmo com o investimento das empresas consorciadas ao RedeMob Consórcio na higienização dos terminais, dos ônibus e nas ações preventivas junto de seus funcionários, é absolutamente natural que esses equipamentos que foram implantados com a função de fazer a concentração de pessoas vindas dos mais diversos bairros com destino as mais diversas direções, contribuam negativamente para o isolamento social”, argumentou.

DEMANDA

O consórcio informou que houve uma redução na demanda de passageiros em mais de 70% na RMTC (Rede Metropolitana de Transportes Coletivos de Goiânia) desde que foram decretados a determinação de isolamento social. Contudo, a redução de demanda nos horários de pico (6:30h às 7:30h e 17h às 18:30h) não foram significativos, segundo o RedeMob.

“Essa redução ocorreu principalmente nos denominados períodos de vale da demanda, ou seja, horários de entre pico, período noturno e finais de semana. Nem o escalonamento de horários determinado pela Prefeitura de Goiânia surtiu o efeito necessário e desejado pelas autoridades. Nos horários de pico, especialmente nos terminais de integração que são os locais de conexão das linhas que compõem a RMTC, ainda permanecem com aglomeração de pessoas”, informou.

“Este fenômeno pode ser melhor compreendido em razão de que a maioria das pessoas que continuam a utilizar o transporte públicos neste horário são trabalhadores do mercado informal e trabalhadores domésticos, não sujeitos a regulamentação pública”, detalhou também.

SUGESTÃO

Desta forma, segundo o consórcio, é preciso avaliar um novo caminho. O RedeMob sugere que os terminais sejam interditados temporariamente para impedir a aglomeração de pessoas e ajudar na contenção da disseminação da Covid-19.

“Neste propósito, esta medida precisa ser discutida com as autoridades públicas e especialistas a fim de ser autorizada pela CMTC, responsável pela gestão do transporte público coletivo, para que seja implantada de acordo com a sugestão do projeto apresentado abaixo”, detalhou, em nota.

“Nós temos visto restrições de acessos das pessoas em supermercados, nas farmácias, hotéis, restaurantes, clinicas de vacinação, laboratórios…Temos presenciado as igrejas fechadas, obras paradas, enfim, um lockdown de 14 dias no Estado de Goiás, mas os terminais de ônibus continuam funcionando com elevada concentração de pessoas. Diante de tudo disto, acreditamos que se faz necessário interditar temporariamente e imediatamente os terminais de ônibus da grande Goiânia, uma medida essencial para combater o coronavírus. Toda alteração pode trazer algum efeito colateral até que ocorra a adaptação ao novo. Mas, nada, nada mesmo se compara à saúde pública e a vida das pessoas em um momento tão contubrbado de pandemia”, avaliou Leomar Avelino, diretor executivo do RedeMob Consórcio.

Confira abaixo a explicação da proposta, na íntegra:

Porque há aglomeração nos terminais?

Os terminais de integração são equipamentos públicos destinados à conexão de linhas e baldeação de pessoas, assim como acontece com outros espécies de HUB’s de passageiros, a exemplo dos aeroportos ou estações de metrô. Por sua característica, aglomera pessoas, essa é sua essência.

Mas há diferenças importantes entre eles. Os transportes aéreo e metroferroviário continuamente possuem infraestrutura que possibilita o tráfego livre, o que lhes garante regularidade e pontualidade, portanto, gerando maiores possibilidades de programação operacional que evita a aglomeração de pessoas na mesma faixa horária; de outro, o transporte público coletivo em Goiânia, não possui nenhuma prioridade na circulação dos ônibus em meio ao tráfego geral e ainda conta com uma infraestrutura pública muito antiga, na média com mais de 20 anos sem investimentos, como é o caso dos terminais, inclusive com muitos destes implantados em espaços totalmente restritos que impede a circulação de pessoas e ônibus com o mínimo de conforto. Veja exemplo do terminal da Praça “A”, implantado a mais de 40 anos em antiga rotatória da capital, portanto, com os espaços físicos limitados e inadequados diante da conjuntura atual de pandemia.

“Tanto nos aeroportos e estações metroferroviárias, quanto nos terminais de ônibus, sempre existirá aglomerações de pessoas. Por quê? A resposta é muito simples: os terminais, estações e aeroportos foram criados e implantados com a finalidade de aglomerar as pessoas e permitirem seus transbordos rumo aos diversos destinos nas cidades”, explica o diretor executivo do RedeMob Consórcio.

É praticamente consenso entre os técnicos e especialistas em transporte público de passageiros, o pensamento de que é humanamente impossível, em qualquer região metropolitana no planeta, com uma rede de quase 300 linhas plenamente integrada por meio de terminais, como é o caso da grande Goiânia, não ocorrer concentração de pessoas nos terminais de integração. “Em momentos de situações extraordinárias de pandemia como a do Covid-19, este modelo operacional de transporte necessita ser repensado, sentencia Leomar Avelino.

De outro lado, a proposta de desativação dos terminais, mesmo que parcialmente, não deve ser compreendida como medida para redução dos investimentos no transporte coletivo, pois ao contrário, mais do que nunca, sabemos que os investimentos públicos para um transporte de qualidade são essenciais para assegurar uma mobilidade urbana universal e inclusiva, não se limitando a investimentos de infraestrutura que beneficia quase que exclusivamente o transporte individual, além de não atenderem a população mais vulnerável do ponto de vista social, que mora na periferia da RMG.

O nosso modelo de transporte

O modelo tronco alimentado foi implantado há cerca de 50 anos. As linhas maiores chamadas de eixo (tronco) operam nos principais corredores com maior demanda de passageiros, a qual advém das linhas menores denominadas alimentadoras. A maior demanda das linhas de eixo tem como origem ou destino os terminais de integração, a exemplo do que ocorre com o Eixo Anhanguera.

A Rede Metropolitana de Transporte Coletivo (RMTC) na grande Goiânia, possui 286 linhas de ônibus. Destas, 178 linhas, ou seja, 62% são linhas que fazem algum tipo de alimentação e integram nos terminais, promovendo o embarque e desembarque, diariamente, de cerca de 163 mil pessoas em tempos de pandemia do coronavírus. Em tempos normais, esse número pode chegar a mais de 460 mil pessoas.

Leomar Avelino explica que os terminais de Goiânia e região metropolitana já tiveram seus áureos tempos, mas que agora estão defasados. “Quase todos os 21 terminais da grande Goiânia, em especial aqueles situados no Eixo Anhanguera, sem reforma há 23 anos, encontram-se saturados e inadequados para operação de transportes, e as aglomerações acontecem com muita facilidade, bastando três ônibus chegarem e desembarcarem os passageiros ao mesmo tempo para reunir até 100 pessoas, sendo que nos pequenos e estreitos espaço das plataformas de embarque e desembarque nos terminais se transforme em uma grande aglomeração de gente.

A PROPOSTA

Ação a curto prazo:

Interditar / fechar temporariamente os terminais de integração da RMTC.

Operação do serviço:
Criar linhas diretas dos bairros mais populosos (origem) para os locais com maior demanda (destino). Isto encurtará o tempo de viagem do usuário, pois o tempo com a integração e trasbordo nos terminais será eliminado. O usuário ficará menos tempo dentro do ônibus e chegará mais rápido ao seu destino.
Concentrar a oferta de viagens nas linhas de eixo com maior demanda. Isto vai diminuir o tempo de espera nos pontos dos corredores de transporte e a quantidade de pessoas dentro dos ônibus.
Transferir parte da oferta de viagens das linhas alimentadoras de bairros menos populosos para as linhas de Eixo. Efeito colateral: O usuário terá que programar suas viagens pelo aplicativo SimRmtc, para que fique menos tempo esperando no ponto de embarque.
Realizar algumas alterações na rede, se necessário, mediante aglutinação, alteração, exclusão e/ou criação de novas linhas.

Período da interdição:
Enquanto durar as ações governamentais de intervenção social e combate ao coronavírus. Vale lembrar que o foco é salvar vidas.

Ordem de implantação:

1. Interditam-se os terminais com menor demanda;

2. Interditam-se os terminais com maior demanda;

3. Gradativamente, os usuários vão sendo orientados, assimilam as mudanças e o novo modelo de operação do serviço.

Período para implantação:
De 11 a 23 de julho de 2020.

Jessica Marques para o Diário do Transporte

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