Transporte público de Teresina volta a funcionar na terça com frota reduzida

Publicado em: 3 de julho de 2020

Greve de ônibus durou mais de 50 dias na cidade

JESSICA MARQUES / WILLIAN MOREIRA

O transporte público de Teresina, no Piauí, volta a operar a partir da próxima terça-feira, 07 de julho de 2020. A informação foi confirmada pela Prefeitura na noite desta sexta, 03.

Em nota, a administração municipal informou que os ônibus vão circular com 70% da frota nos horários de pico, ou seja, das 6h às 9h e das 16h às 19h. Nos demais horários, a frota será reduzida em 30%.

O serviço será retomado após intermediação do Ministério Público do Trabalho para garantir o fim da greve dos motoristas e cobradores, que durou mais de 50 dias.

TERMINAIS FECHADOS

Apesar da retomada da operação, a Strans (Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito) informou que todos os terminais permanecerão fechados. O atendimento será feito com percursos diretos entre os bairros e o Centro da cidade.

O objetivo da medida é evitar aglomerações por conta da pandemia de Covid-19. Por esse motivo, a operação será retomada com restrições.

GRATUIDADES SUSPENSAS

Além disso, para evitar o aumento na circulação de pessoas nesta primeira etapa, Strans informou que também vai manter suspensos o passe do estudantil e a gratuidade dos idosos.

“O fluxo de passageiros será monitorado constantemente. Em caso de necessidade de ampliação da demanda para os serviços autorizados a funcionar, as ordens de serviços poderão ser revistas, aumentando a quantidade de ônibus em circulação”, explicou o superintendente da Strans, Weldon Alves, ressaltando que, desde o início da pandemia, o transporte público da capital vinha atendendo cerca de 10 mil pessoas diariamente.

SANITIZAÇÃO

A Strans também informou que vai garantir a sanitização diária de todos os veículos, estações de embarque e desembarque de passageiros, além das paradas de ônibus abertas de todas as zonas da cidade.

“Outra medida será a disponibilização de álcool em gel para todos os operadores dos veículos. A todos os passageiros será exigido o uso de máscaras dentro dos veículos e dos equipamentos públicos destinados ao transporte coletivo.”

GREVE

Em greve desde maio, os trabalhadores do transporte coletivo da cidade de Teresina reivindicaram o pagamento de salários atrasados e dos benefícios como ticket alimentação.

Relembre: Motoristas de Teresina (PI) completam 25 dias de greve

O retorno das atividades foi controverso. Foram feitas reuniões entre a Strans e o Setut (Sindicato das Empresas de Transportes Urbanos de Passageiros de Teresina). Ambos  também se reuniram com o MPT (Ministério Público do Trabalho) e apresentaram proposta de retorno das atividades.

Inicialmente, a proposta era para até a segunda-feira, 06 de julho, a categoria colocar 70% dos ônibus que circulavam antes da greve em operação para no horário de pico, além de 30% da frota nos demais horários.

Na quarta-feira, 1º de julho de 2020, o Sintetro-PI (Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Transportes Rodoviários no Piauí) se reuniu com o MPT-PI e ouviu a proposta do procurador João Batista Machado com duas opções para encerrar a greve.

Na primeira foi proposto terminar a paralisação e manter o salário pago aos trabalhadores em dezembro de 2019, mas sem o pagamento do plano de saúde e ticket alimentação por mais dois meses, podendo retornar os dois benefícios em setembro, ainda sim que sem garantia disto.

A segunda opção foi em caso da recusa a primeira, o retorno parcial da frota as ruas com uma quantidade de ônibus a ser definida. O Sintetro recusou a primeira opção alegando não abrir mão dos direitos trabalhistas e aceitando a segunda, mas ainda sim mantendo a greve.

PERDA DE DIREITOS

Em vídeo divulgado nas redes sociais do sindicato, o vice-presidente, Ajuri Dias disse  que as propostas foram avaliadas e entenderam que no momento atual a categoria não suportaria ficar sem seus benefícios, justamente pela falta de garantia que eles vão retornar posteriormente.

“Não podemos abrir mão do plano de saúde no momento em que vivemos hoje de dificuldade em questão de atendimentos”, disse.

Veja a fala do sindicalista.

O sindicato também informou que vai realizar uma assembleia na segunda-feira, 06, pelo fato de as reivindicações ainda não terem sido atendidas. A categoria é contra a retirada do plano de saúde e ticket alimentação.

Além disso, exige que os empresários ofereçam máscaras, álcool em gel, tela de película ao lado dos motoristas e à frente dos cobradores. A exigência é para evitar contaminação do novo coronavírus entre os rodoviários.

EMPRESAS

Por sua vez, o Setut (Sindicato das Empresas de Transporte Urbano de Passageiros de Teresina) afirma que as empresas estão sofrendo prejuízo durante a pandemia do novo coronavírus e com a paralisação.

De acordo com informações da categoria ao portal Cidade Verde, em 2019, foram vendidos R$ 5,6 milhões de passagens por mês, em média 187 mil por dia. Com a pandemia, a arrecadação foi reduzida e, com a greve, levada a zero.

Willian Moreira em colaboração especial para o Diário do Transporte

Compartilhe a reportagem nas redes sociais:

Deixe uma resposta