Empresas de ônibus de Curitiba e região rebatem presidente da ACP que chamou transporte coletivo de ‘foco de Covid-19’

Camilo Turmina ainda sugeriu toque de recolher

JESSICA MARQUES

As empresas de ônibus de Curitiba e Região Metropolitana, no Paraná, publicaram uma nota de repúdio rebatendo o presidente da Associação Comercial do Paraná (ACP), Camilo Turmina, que afirmou que o transporte coletivo é um “foco de Covid-19”.

De acordo com o Sindicato das Empresas de Ônibus de Curitiba (Setransp) e a Associação Metrocard, representante das empresas de ônibus da região metropolitana, a fala foi feita sem qualquer embasamento.

“O que precisa ficar claro é que os ônibus fazem um serviço essencial, levando profissionais da saúde aos seus postos de trabalho, onde lutam contra essa pandemia e salvam vidas. Até por isso, agora esses profissionais terão preferência na hora do embarque”, diz trecho da nota.

Confira a nota de repúdio, na íntegra:

O Sindicato das Empresas de Ônibus de Curitiba (Setransp) e a Associação Metrocard, representante das empresas de ônibus da região metropolitana, repudiam as recentes manifestações do presidente da Associação Comercial do Paraná (ACP), Camilo Turmina, tomando o transporte coletivo, sem qualquer embasamento, como vilão da transmissão do novo coronavírus.

A máxima diz que, para cada problema complexo, há uma solução fácil, simples e completamente equivocada. As manifestações de Turmina são o exemplo disso. A cada semana, arvora-se a dar “soluções” sobre o funcionamento do transporte coletivo, como se especialista fosse.

O que precisa ficar claro é que os ônibus fazem um serviço essencial, levando profissionais da saúde aos seus postos de trabalho, onde lutam contra essa pandemia e salvam vidas. Até por isso, agora esses profissionais terão preferência na hora do embarque.

O transporte coletivo estava funcionando quando a Covid-19 estava controlada. A curva mudou quando a atividade foi sendo retomada e muitos aproveitaram para abrir seus negócios não respeitando o horário estipulado de funcionamento. Isso causou aglomerações, e a culpa, em vez de ser no modo errado de utilização do transporte, cai sobre quem está prestando um serviço essencial.

“Está na hora de parar de transferir responsabilidades e de tomar o transporte coletivo como vilão. A hora é de achar soluções em conjunto”, disse o presidente do Setransp, Mauricio Gulin.

Por sua vez, o presidente da Metrocard, Lessandro Zem, alerta para a complexidade do transporte público e seu papel essencial para a sociedade, recordando uma máxima de Confúcio: “Aquele que ataca um fundamento pelo lado errado, destrói toda sua estrutura”.

O Setransp e a Metrocard acreditam na importância do transporte coletivo como aliado no combate contra o novo coronavírus. Por isso, mantêm a frota higienizada, cuidam de seus colaboradores, pedem a colaboração dos passageiros quanto ao uso inteligente do serviço e estudam todos os dias, junto com seus respectivos órgãos gestores, formas de evitar aglomerações. E assim vão continuar, apesar das críticas infundadas. Juntas, as duas entidades, com seus colaboradores e passageiros, sairão mais fortes dessa crise.

Jessica Marques para o Diário do Transporte

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