Como se prevenir no transporte público em época de pandemia?

Publicado em: 15 de junho de 2020

Sempre que possível, idosos devem evitar sair às ruas e , mesmo nas paradas comuns, sempre quando der, passageiros devem tentar manter distanciamento

Ideal é evitar aglomerações, mas nem sempre é possível escapar de ônibus e composições com lotação

ADAMO BAZANI

O termo de ordem das autoridades de saúde em todo o mundo nesta época de pandemia é isolamento social sempre quando possível. Mas com a flexibilização da quarentena em muitos Estados, a quantidade de pessoas no transporte coletivo vai aumentar.

Os especialistas em saúde indicam o isolamento como única forma de evitar um número descontrolado de casos, o que faz com que hospitais e unidades de saúde não deem conta de atender a tanta gente ao mesmo tempo. Foi o que ocorreu na Itália e nos Estados Unidos que, quando o número de casos já estava crescendo, negaram o isolamento e depois amargaram mortes excessivas e colapsos no sistema de saúde.

O número de casos no Brasil está crescendo e o isolamento ainda é criticado por uma parcela de políticos leigos em Saúde, apesar de hospitais de centros urbanos já estarem com a capacidade esgotada.

O isolamento social, apesar dos danos à economia, é apontado como necessário, mas diversas profissões essenciais não podem parar e muitos destes trabalhadores necessitam usar o transporte coletivo.

Apesar da queda da demanda e dos gestores de transportes alegarem que a frota mesmo reduzida é percentualmente maior que a quantidade de passageiros, lotações em ônibus, trem e metrô são uma realidade para muitas pessoas, em especial nos horários de pico.

Assim, como se prevenir?

Infelizmente, ninguém está livre de ser acometido pela Covid-19, mas é possível reduzir o risco de contágio.

Com base em artigos e recomendações de especialistas, o Diário do Transporte traz uma relação de dicas que podem ser úteis neste momento em que todo o cuidado é pouco:

– Saia de casa somente se necessário mesmo.

– Tente ver com seu chefe se é possível flexibilizar horários para evitar o pico (muitas vezes não será possível, mas em alguns casos, o bom senso de ambas as partes pode trazer soluções interessantes).

– Leve com você um frasquinho de álcool em gel 70% e use nas mãos antes de entrar no ônibus, estação, terminal, trem ou metrô. Higienize as mãos novamente logo depois de sair do veículo com o produto. Não basta só dar uma passadinha, mas tem aplicar e friccionar as palmas, a parte superior das mãos, entre os dedos (não se esqueça dos polegares também). Pulsos devem ser higienizados

– Use máscara, pode ser de pano, mas tem de ser de dupla face. Nuca leve as mãos à mascaras. Se precisar ajustar, mexa na cordinha ou elástico.

– Se o ônibus não tiver ar-condicionado, neste momento é melhor de acordo com infectologistas, embora que a questão seja controversa, já que a renovação do ar do ambiente proporcionada pelo equipamento de refrigeração e a limpeza adequada podem ser aliadas do passageiro, de acordo com estudos técnicos. Discussões técnicas à parte, se o ônibus não tiver ar-condicionado, abra as janelas, por mais frio que possa estar eventualmente. As micropartículas invisíveis de pessoas infectadas ficam em suspensão no ar e podem contaminar pelo contato involuntário com mucosas (boca, nariz e olhos). Assim, se tiver circulação natural de ar, essas micropartículas podem se dissipar.

– Procure manter distância das outras pessoas, o que nem sempre é possível com o ônibus, trem e metrô lotados, mas ao menos, tente não ficar direcionado para o rosto dos outros passageiros.

– Prefira pagar a tarifa com o cartão de transporte, evite o uso do dinheiro que passa pelas mãos de muita gente. Em cédulas de dinheiro, o novo coronavírus pode sobreviver por três dias. Quando chegar em casa ou ao trabalho, higienize o cartão transporte, mas com cuidado porque pode haver dano ao sistema de leitura. Um papel toalha umedecido com álcool a 70% já ajuda.

– Não converse dentro dos ônibus, trens ou metrô. Fale somente o necessário.

– Tente não usar celulares ou outros aparelhos no transporte coletivo.

– Se possível, não saia no transporte com anéis, pulseiras, relógios e adereços em geral. Estes objetos podem ser contaminados e nem sempre as pessoas se lembram de higienizá-los.

– Se tossir ou espirrar, use um lenço de papel descartável ou papel toalha. Se não tiver, nunca tape o nariz e a boca com as mãos, use o cotovelo. Porém, num coletivo lotado, se alguém espirrar ou tossir mesmo na região do braço ou cotovelo, vai esbarrar nos outros e contaminar as pessoas. Por isso, o ideal é levar sempre lenços de casa que sejam fáceis de pegar em caso de urgência. Não adianta colocar os lenços no fundo do fundo da bolsa e quando tiver de pegar na hora de espirrar ou tossir, nunca der tempo.

– Leve também uma sacolinha plástica com você para jogar lenços, papéis toalhas e guardanapos.  Coloque estes resíduos na sacolinha, feche bem e descarte no lixo, preferencialmente da sua casa ou trabalho.

– Não coma dentro dos ônibus ou vagões (carros metroferroviários), mesmo que vazios. É um hábito que muita gente tem e que nem sempre agrada os outros passageiros. Agora, deve ser totalmente evitado.

– Quando chegar em casa com a roupa que usou no transporte público, procure se trocar antes de entrar em quartos, salas e cozinha. Coloque a roupa em uma sacola plástica e feche bem. O novo coronavírus pode durar de seis a 24 horas nos tecidos. Se possível, tome uma banho logo em seguida. Deixe o calçado no quintal ou na porta de entrada.

Vale lembrar que não existe vacina contra o novo coronavírus e não há ainda um remédio pesquisado que seja consenso entre os especialistas de saúde, portanto, todo o cuidado nunca é demais.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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Comentários

  1. Santos Dumont disse:

    Boas dicas para o cotidiano dos usuários nos transportes coletivos (e até no individual). Sugiro que expandam a matéria e foquem o lado do Estado já que este ou administra ou regula terminais e pontos de embarque/desembarque, além de definir padrões construtivos de carrocerias. E o lado das encarrocadoras, com o problema da ocupação do espaço interno nos veículos, a substituição de vidros fixos por móveis e a proteção do condutor.

  2. Belle Morais disse:

    Nunca imaginei que fôssemos passar pelo momento que estamos vivendo, está complicado demais…Pós quarentena só consigo pensar em fazer a minha parte, ir nas urnas e votar em alguém que de fato represente a população carioca, estamos vivendo tempos difíceis e por isso precisamos mudar. Uma cara nova na política que aja de maneira certa e justa. Glória Heloíza, nela podemos confiar! https://www.youtube.com/watch?v=O7b2jR4WVTw&feature=youtu.be

  3. Ismael Junior disse:

    Uma coisa que reparei é que em diversos locais ainda há os bebedouros coletivos de água. Em tempos assim o certo seria retirá-los né?

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