Mapeamento do uso do transporte em Curitiba servirá para evitar aglomerações nos ônibus, afirma Urbs

Foto: Lucilia Guimarães/SMCS

Levantamento por setor e planejamento com entidades o sociedade permitirá escalonamento de horários

ALEXANDRE PELEGI

Evitar que o transporte público opere com lotação acima do normal é um dos principais desafios nessa época de pandemia da Covid-19.

Uma das alternativas, mas sempre difícil de ser posta em prática, é planejar os horários de funcionamento das atividades econômicas da cidade, de forma a evitar que todos os trabalhadores saiam de suas casas e retornem no mesmo horário.

Para permitir um planejamento com base em dados reais, a Urbanização de Curitiba (Urbs), gerenciadora do transporte da cidade, está fazendo um mapeamento do uso do transporte coletivo da capital por setor.

Com os dados obtidos, a ideia é elaborar, com entidades representativas dos três segmentos, um escalonamento de horários, uma das maneiras de evitar aglomerações nos ônibus.

Ogeny Pedro Maia Neto, presidente da Urbs, explica que a empresa está cruzando os dados do CNPJ das empresas e os cadastros por segmento com a utilização do vale-transporte pelos funcionários. “Isso vai nos dar um panorama de que segmentos estão concentrando o fluxo de passageiros nos horários de pico“, ele diz. “A partir desse diagnóstico, poderemos traçar uma estratégia conjunta para evitar a lotação nos ônibus e garantir segurança ao usuário”, diz.

Foco de reunião na próxima sexta-feira, 12 de junho de 2020, o assunto será discutido com a Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), Associação Comercial do Paraná (ACP) e Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Paraná (Fecomércio PR), contando ainda com a presença da Coordenação da Região Metropolitana (Comec), que responde pelo transporte na Grande Curitiba.

Como mostrou o Diário do Transporte, já houve um encontro na última sexta-feira, 5, com a ACP. O objetivo foi reforçar a necessidade de o comércio respeitar os horários alternativos de funcionamento – das 10h às 17h para as lojas de rua e de 12h às 20h para os shopping centers.

A ACP recomenda esses horários, mas muitos estabelecimentos passaram a abrir em horário de antes da pandemia, das 9h às 18h, nas últimas semanas. Relembre: Urbs reforça linhas nesta segunda, e discute com entidades do comércio, serviços e indústria fixação de horários alternativos

De acordo com a Urbs, o sistema de transporte opera com folga, com 80% da frota em circulação, e o movimento de passageiros em 35% do normal, mas os horários de pico da manhã e da noite passaram a registrar forte movimento com a reabertura do comércio.

“Temos que discutir de maneira ampla, com os diversos setores, medidas flexibilizar os horários de funcionamento e por consequência de entrada e saída dos funcionários. A reabertura é essencial para a economia, mas evitar a propagação da doença, especialmente agora com as temperaturas mais baixas, é uma responsabilidade que precisa ser partilhada também pelos empresários”, afirma Maia Neto.

Já no caso da Região Metropolitana, o pico no número de usuários no transporte metropolitano é no início da manhã, quando, de acordo com o presidente da Comec, Gilson Santos, é intenso o movimento das pessoas que usam o ônibus para trabalhar na capital. No entanto, esse fluxo reduz para menos da metade depois das 8h.

“Com um pequeno esforço, flexibilizando horários, o usuário vai encontrar um sistema totalmente diferente dos horários de pico e é essa compreensão que precisamos que todos tenham. Mas, infelizmente, não é o que estamos observando. Os patrões não estão olhando com a devida atenção neste momento de pandemia para estas pessoas”, disse Santos.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

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