Capital Paulista poderá avançar para a fase amarela da quarentena, estima Bruno Covas

Publicado em: 3 de junho de 2020

Bruno Covas não definiu ainda protocolos com setores, mas conversas avançam

De acordo com prefeito, taxa de ocupação dos leitos de UTI está caindo

ADAMO BAZANI/WILLIAN MOREIRA

O prefeito de São Paulo, Bruno Covas, disse que, em breve, a capital paulista vai poder evoluir para a fase amarela da quarentena, que permite com que mais atividades econômicas sejam retomadas.

A declaração foi feita em entrevista coletiva no início da tarde desta quarta-feira, 03 de junho de 2020, ao lado do Governador João Doria.

O principal fator que pode determinar a mudança, segundo Covas, é a diminuição da taxa de ocupação dos leitos de UTI.

“Se a cidade mantiver a taxa atual de ocupação de leitos (63%), poderá avançar para a fase 3 da quarentena” – comentou.

A cidade está na fase laranja, com a quarentena prorrogada até 15 de junho.

Apesar disso, ainda não houve nenhuma flexibilização, já que, segundo Bruno Covas, estão sendo elaborados os protocolos de segurança e higiene e segurança com os setores econômicos contemplados.

PREFEITOS FORAM FRUSTADOS:

Como mostrou o Diário do Transporte, o governador de São Paulo, João Doria, e uma equipe de secretários estaduais anunciaram em entrevista coletiva no início da tarde desta quarta-feira, 03 de junho de 2020,que não houve mudança na classificação das cidades quanto à quarentena em razão da Covid-19.

No entanto, indicou as regiões que podem ter mudanças comunicadas na próxima quarta-feira, 11 de junho de 2020, com as tendências de flexibilização ou endurecimento.

Assim, o municípios da Grande São Paulo, por exemplo, não conseguiram sair da fase vermelha, a mais restritiva, e se igualar à capital paulista, que foi colocada na fase laranja, na qual é permitida a abertura de shoppings centers (com proibição das praças de alimentação), comércio de rua e serviços em geral podendo funcionar com capacidade limitada a 20% com horário reduzido para quatro horas seguidas e também com a adoção dos protocolos padrão e setoriais específicos.  Nesta fase, permanece ainda proibida a abertura de bares e restaurantes para consumo local, salões de beleza e barbearias, academias de esportes em todas as modalidades e outras atividades que gerem aglomeração. (Veja detalhes abaixo)

“São Paulo não liberou geral. A retomada da economia será gradual, sensível e segura. nenhum prefeito vai transformar sua cidade em uma ‘festa de abertura’” – disse Doria na coletiva.

Entre os critérios para permitir que os municípios mudem de faixa, estão a capacidade de resposta do sistema de saúde (como por exemplo, vagas em UTI) e evolução da epidemia (taxas de contágio, novos casos e óbitos).

O vice-governador, Rodrigo Garcia, disse que o Plano São Paulo não é de abertura, mas de retomada consciente e que todos os resultados de Saúde eram os esperados. Garcia ainda trouxe a previsão de que até o final do mês de junho o Estado deve ter entre 195 mil e 265 mil casos de Covid-19.

De acordo com o prefeito de São Paulo, Bruno Covas, disse que há chances de a capital paulista evoluir para a fase amarela.

“Se a cidade mantiver a taxa atual de ocupação de leitos (63%), poderá avançar para a fase 3 da quarentena” – comentou.

TRANSPORTE COLETIVO PODE SER PROBLEMA:

Uma das preocupações na mudança de faixas é com o transporte coletivo, principalmente na Grande São Paulo, já que as cidades são territorialmente, socialmente e economicamente muito ligadas, com o tráfego intenso de pessoas em ônibus e trens, podendo gerar superlotação, o que deve ser evitado, de acordo com a OMS – Organização Mundial da Saúde.

A movimentação maior em uma cidade influencia nos municípios vizinhos, inclusive nos transportes municipais, já que muitas pessoas pegam os ônibus nos bairros e vão até os ônibus intermunicipais e trens para seguir até as outras cidades.

Veja a entrevista na íntegra:

CORTES DE ÁGUA, GÁS E ENERGIA ESTÃO SUSPENSOS:

Doria anunciou também que o Governo do Estado garante a não interrupção de água, luz e em regiões carentes de pessoas que não podem pagar suas contas, até o dia 31 de julho. Ao todo, devem ser beneficiados dois milhões de moradores pela medida em vigor desde o mês de março.

DEPOIS DE DIFERENCIAR CAPITAL, DORIA CEDE A PREFEITOS DA GRANDE SÃO PAULO:

Como mostrou o Diário do Transporte, no início da tarde de sexta-feira, 29 de maio, o Governo do Estado de São Paulo anunciou a mudança na divisão das cidades da Grande São Paulo para classificação de fases para que a quarentena seja relaxada nos municípios que circundam a capital paulista.

A região metropolitana foi dividida em cinco sub-regiões.

Norte: Caieiras, Cajamar, Francisco Morato, Franco da Rocha, Mairporã;

Leste: Arujá, Biritiba-Mirim, Ferraz de Vasconcelos, Guararema, Guarulhos, Itaquaquecetuba, Mogi das Cruzes, Salesópolis, Santa Isabel, Suzano

Sudeste: Diadema, Mauá, Ribeirão Pires, Rio Grande da Serra, Santo André, São Bernardo do Campo, São Caetano do Sul;

Sudoeste: Cotia, Embu,Embu-Guaçu, Itapecerica da Serra, Juquitiba, São Lourenço da Serra, Taboão da Serra, Vargem Grande Paulista;

Oeste: Barueri, Carapicuíba, Itapevi, Jandira, Osasco, Pirapora do Bom Jesus, Santana de Parnaíba

DECRETO:

Diário do Transporte mostrou também que no dia 29 de maio, a gestão João Doria publicou o decreto 64.994, em edição extraordinária do Diário Oficial do Estado de São Paulo, com as regras para as mudanças de fases nas cidades.

São cinco fases. No decreto, a equipe de Doria também detalha quais as atividades permitidas em cada uma destas fases:

Fase 1 (Vermelha): Alerta Máximo – Fase de contaminação, com liberação apenas para serviços essenciais)

Na fase vermelha, ficam liberadas apenas as atividades consideradas essenciais

– Saúde: hospitais, clínicas, farmácias, clínicas odontológicas, lavanderias e estabelecimentos de saúde animal.

– Alimentação: supermercados, hipermercados, açougues e padarias, lojas de suplemento, feiras livres. É vedado o consumo no local.

– Bares, lanchonetes e restaurantes: permitido serviços de entrega (delivery) e que permitem a compra sem sair do carro (drive thru). Válido também para estabelecimentos em postos de combustíveis.

– Abastecimento: cadeia de abastecimento e logística, produção agropecuária e agroindústria, transportadoras, armazéns, postos de combustíveis e lojas de materiais de construção.

– Logística: estabelecimentos e empresas de locação de veículos, oficinas de veículos automotores, transporte público coletivo, táxis, aplicativos de transporte, serviços de entrega e estacionamentos.

– Serviços gerais: lavanderias, serviços de limpeza, hotéis, manutenção e zeladoria, serviços bancários (incluindo lotéricas), serviços de call center, assistência técnica de produtos eletroeletrônicos e bancas de jornais.

– Segurança: serviços de segurança pública e privada.

– Comunicação social: meios de comunicação social, inclusive eletrônica, executada por empresas jornalísticas e de radiodifusão sonora e de sons e imagens.

– Construção civil, agronegócios e indústria: sem restrições.

Fase 2 (Laranja): Controle – Fase de atenção, com eventuais liberações.

Na fase laranja, shoppings centers (com proibição de abertura das praças de alimentação), comércio de rua e serviços em geral podem funcionar com capacidade limitada a 20%, horário reduzido para quatro horas seguidas e adoção dos protocolos padrão e setoriais específicos. Fica proibida a abertura de bares e restaurantes para consumo local, salões de beleza e barbearias, academias de esportes em todas as modalidades e outras atividades que gerem aglomeração.

Fase 3 (Amarela): Flexibilização – Fase controlada, com maior liberação de atividades

Na fase amarela, shoppings centers (com proibição de abertura das praças de alimentação), comércio de rua e serviços em geral podem funcionar com capacidade a limitada 40%, horário reduzido para seis horas seguidas e adoção dos protocolos padrão e setoriais específicos. Adiciona-se à lista salões e barbearias, além de bares e restaurantes que estarão liberados apenas para atendimento ao ar livre. Academias e eventos que gerem aglomeração continuam com abertura suspensa.

Fase 4 (Verde): Abertura Parcial – Fase decrescente, com menores restrições

Na fase verde, fica liberado o funcionamento de todos os estabelecimentos comerciais e de serviços, incluindo academias e praças de alimentação dos shoppings, desde que com capacidade limitada a 60% e adoção dos protocolos padrão e setoriais específicos. Ficam proibidos eventos que gerem aglomeração.

Fase 5 (Azul): Normal controlado – Fase de controle da doença, liberação de todas as atividades com protocolos de segurança e higiene.

Retomada da economia dentro do chamado “novo normal”

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

Willian Moreira, em colaboração especial para o Diário do Transporte

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