Doria anuncia relaxamento da quarentena em São Paulo a partir de 1º de junho. Capital com poucas aberturas e Grande São Paulo sem mudanças até 15 de junho

Publicado em: 27 de maio de 2020

Como a Grande São Paulo está na fase vermelha, nada vai mudar em 38 municípios da região até pelo menos 15 de junho. Na capital (fase laranja), haverá poucas flexibilizações, mas só depois de acordo com setores econômicos.

ADAMO BAZANI/WILLIAN MOREIRA

O governador de São Paulo, João Doria, anunciou de forma oficial nesta quarta-feira, 27 de maio de 2020, o plano para a retomada gradual das atividades econômicas no Estado. O anúncio foi feito ao lado do prefeito da capital paulista, Bruno Covas.

Será mantida a quarentena por 15 dias com a retomada de apenas algumas atividades. Haverá monitoramento diário dos índices de isolamento e do avanço da doença no Estado.

“Por 15 dias manteremos a quarentena, porém com uma retomada consciente de atividade econômicas no estado de São Paulo” – disse Doria na apresentação.

Nesta semana, houve reuniões entre o Governo do Estado e os prefeitos para definir critérios de abertura.

O pacote de “relaxamento da quarentena”, denominado pela gestão estadual de “nova fase do Plano São Paulo”, vai levar em conta para a flexibilização das regras de restrição fatores como se há ou não crescimento de novos casos e número de mortes, taxas de isolamento e percentual de ocupação de leitos.

Serão cinco indicadores e cinco fases, de forma regionalizada

Em nota, o Governo do Estado explica como estão as regiões.

Como a Grande São Paulo está na fase vermelha, nada vai mudar em 38 municípios da região até pelo menos 15 de junho. Na capital (fase laranja), haverá poucas flexibilizações, mas também não no dia 01º.

O prefeito de São Paulo, Bruno Covas, disse que a partir do 01º de junho a cidade vai começar a receber as propostas de cada setor para reabrir. Assim, a partir do dia 01º de junho nada vai reabrir. As alterações na rotina só vão ocorrer depois dos acordos setoriais forem aprovados e assinados pelo município.

Nenhuma das 17 regiões está na zona azul, que prevê a liberação de todas as atividades econômicas segundo protocolos sanitários definidos no Plano São Paulo (https://www.saopaulo.sp.gov.br/coronavirus/planosp). A zona verde, segunda mais ampla na escala, também não foi alcançada até o momento e permanece como meta de curto prazo para cada região.

Com exceção da capital, todos os municípios da Grande São Paulo e também da Baixada Santista e de Registro permanecem na fase vermelha e não terão nenhum tipo de mudança na quarentena em vigor desde o dia 24 de março. Nas três regiões, o sistema de saúde está pressionado por altas taxas de ocupação de UTI e avanço de casos confirmados de pacientes com coronavírus.

Nas demais fases, haverá flexibilização parcial em diferentes escalas de capacidade e horário de atendimento. A etapa laranja, que abrange a capital e outras dez regiões no interior e litoral norte, prevê retomada com restrições a comércio de rua, shoppings, escritórios, concessionárias e atividades imobiliárias. Os demais serviços não essenciais continuam fechados.

Na fase amarela, haverá reabertura total de serviços imobiliários, escritórios e concessionárias segundo protocolos sanitários. Comércio de rua, shoppings e salões de beleza, além de bares, restaurantes e similares poderão funcionar com restrições de horário e fluxo de clientes.

As regiões que chegarem à fase verde poderão atenuar as restrições ao funcionamento de todos os setores da fase amarela. Academias de ginástica e centros de prática esportiva também voltarão a receber frequentadores, desde que respeitados limites de redução de atendimento e as regras sanitárias definidas para o setor.

Questionado sobre o fato de a capital estar numa fase um pouco mais branda que a capital, o prefeito Bruno Covas disse que a situação na cidade está estruturada, inclusive para atender pacientes de cidades vizinhas.

Entre os setores priorizados então transporte terrestre e metropolitano

Outro aspecto é que o relaxamento da quarentena será regionalizado e não será o mesmo para todo o Estado

“[O relaxamento da quarentena] será possível em cidades que tenham consistência na diminuição do numero de casos e obedecendo o distanciamento social nos ambientes publicos e uso de mascaras” – disse Doria

As medidas de abertura podem ser suspensas caso os casos e óbitos voltem a crescer.

O relaxamento da quarentena terá cinco fases, classificadas em cinco bandeiras.

A secretária de Desenvolvimento Econômico, Patrícia Ellen, disse que foram elaborados 60 protocolos e 500 diretrizes para a reabertura.

Neste momento, capital e Grande São Paulo estão na zona Vermelha, sendo descartado um maior relaxamento

Também haverá impactos no transporte coletivo com o aumento dos deslocamentos.  O setor de transporte, entretanto, ainda está em discussão como será adaptado, mas Patrícia Ellen destacou que os serviços não foram suspensos.

“Transporte nunca foi interrompido, isto aconteceu em muitos países, mas não foi o nosso caso” – relembrou

A cada sete dias será analisada cada região e a cada 15 dias a região pode evoluir para fases mais brandas.

Segundo Doria, a quarentena iniciada em março salvou até agora 65 mil vidas.

“O vírus afetou a economia do Brasil e obviamente o estado que lidera a economia, São Paulo. Mesmo assim Estado de São Paulo decidiu manter 74% das atividades econômicas em funcionamento no estado O nosso compromisso é com a vida, com o acerto e não com erros. Nós respeitamos a ciência e a medicina e principalmente a vida de 46 milhões de brasileiros que vivem em São Paulo”.”

Quando iniciou em 24 de março, a quarentena deveria ir até 07 de abril, mas foi estendida até 22 de abril, depois até 10 de maio e, em seguida, até 31 de maio.

Na coletiva também foi apesentado como secretário-executivo do Centro de Contingência do combate ao avanço do novo coronavírus em São Paulo, o médico João Gabbardo dos Reis, considerado braço direito do ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta.

“As pessoas que dizem que as medidas tomadas não surtiram efeito no achatamento da curva, não é verdade e precisa ser contestado com muita veemência. Apesar de todas as medidas este foi o numero de casos que ocorreram e foi muito menor que se não tivessem sido adotado as medidas” – disse Gabardo.

O coordenador do Comitê de Saúde e de combate da Covid-19, Dimas Covas, disse que as medidas de isolamento tomadas até agora em São Paulo conseguiram reduzir o ritmo do avanço dos casos.

“Sem as medidas de isolamento teríamos 700 mil casos e em 8 de maio, mas tínhamos 40 mil casos. Sem medidas chegaríamos a quase um milhão de casos, isto mostra o quão foi efetiva as medidas de isolamento .É a única ferramenta que dispomos para enfrentar a pandemia.”

Segundo o prefeito de São Paulo, Bruno Covas, a ocupação nas UTIs da cidade é de 85%, até o início da tarde desta quarta-feira, 27, o que ainda é considerado alto.

Se não fosse o isolamento, de acordo com prefeito, até agora, 30 mil pessoas teriam morrido apenas na capital paulista.

Ainda sobre os resultados das medidas de restrição, Covas citou a demanda do transporte coletivo que somente nos ônibus da cidade, caiu de 3 milhões 275 mil 159 passageiros antes da pandemia para 890 mil 646 pessoas na semana passada.

Já o número de veículos em circulação caiu de 7,9 milhões de veículos antes da pandemia a 2 milhões na cidade na semana passada.

Estes e outros indicadores, segundo Bruno Covas, mostram que o isolamento social na capital paulista está superior a 55%

Assista:

Adamo Bazani e Willian Moreira

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Comentários

  1. Henrique Erick disse:

    Relaxamento ???? Foi prorrogado para mais 15 . Apartir da segunda fase vai abrir comércios.
    Agora ninguém sabe quando vai ser a segunda fase .

  2. Luis Carlos da Silva disse:

    E o transporte coletivo deve aumentar sua frota na rua , afinal foi reduzido drasticamente na cidade e vamos ficar de olhos abertos.
    Ônibus lotado denuncie as autoridades competentes.

  3. Thiago Bonfim disse:

    O relaxamento é uma resposta que a população pediu. Sinceramente, não houve empatia e contribuição de boa parte dos habitantes que poderiam ter cumprido o isolamento. Desejo que a população retorne gradativamente, mas respeitando o uso das máscaras e condições necessárias de higiene. E, caso o pior aconteça ( o “boom” da pandemia), que o governo tenha ação rápida e mais assertiva do que teve até o mento, ao passo que a população tenha maior consciência de sua parte neste controle

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