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Covid-19: Sérgio Avelleda defende pedágio urbano e faixas de ônibus para manter passageiros no transporte coletivo

Segundo o diretor de mobilidade urbana do instituto de pesquisas WRI, foco deve ser não perder capacidade operacional dos sistemas

JESSICA MARQUES

O diretor de mobilidade urbana do instituto de pesquisas WRI, Sérgio Avelleda, afirmou nesta segunda-feira, 25 de maio de 2020, que pedágio urbano e faixas de ônibus podem ser algumas das soluções para manter passageiros no transporte coletivo. As estratégias, segundo o especialista, devem ser adotadas para diminuir os impactos da pandemia de Covid-19 no setor.

Ainda de acordo com Avelleda, é preciso manter a capacidade operacional do sistema. Em um segundo momento, os gestores, em conjunto às empresas operadoras, deverão trabalhar para recuperar a demanda perdida neste período.

“Quando a gente fala de ajuda do governo para manter a capacidade operacional não é para deixar os acionistas das empresas de transporte mais ricos, mas para preservar os ativos que estão vinculados à prestação de um serviço público”, avaliou.

Assim, Avelleda mencionou algumas das alternativas que podem ser essenciais para que os sistemas de transporte coletivo do país não percam ainda mais passageiros.

“Do ponto de vista dos ônibus, temos uma grande oportunidade para melhorar o serviço nessa pandemia, por exemplo implantando faixas exclusivas de ônibus. As ruas estão com menos uso de carro, isso é barato, é tinta e placa. Assim, depois que voltar ao normal, terá um sistema de ônibus mais rápido, mais confiável e, portanto, mais atrativo”, disse.

“Acho que não vamos conseguir escapar de uma discussão que temos fugido por dificuldades políticas, que é gerenciar a demanda de carro privado. Então, por que não o pedágio urbano? Se você gera externalidade na cidade, é justo que se pague por isso. Esse dinheiro deve ir para o transporte público, para melhorar a tarifa”, citou também.

Além disso, o diretor de mobilidade urbana afirmou também que é preciso dar mais coerência na gestão do transporte. A necessidade é ainda maior em grandes metrópoles.

“Na Região Metropolitana de São Paulo, todos os gestores trabalharam para fazer o melhor de si, mas teve muitas decisões conflitantes entre prefeitos e governadores. Tudo isso afeta todo mundo. Vimos agora o que a gente já via antes: a falta de uma autoridade metropolitana, o que diminui a capacidade de fazer mais e melhor pelo transporte e torná-lo mais atrativo”, pontuou.

Sergio Avelleda, junto ao presidente da CPTM, Pedro Moro, conversou com com portais de mobilidade, dentre os quais o Diário do Transporte, nesta segunda-feira, 25 de maio de 2020.

Confira a entrevista: Live: Os 28 anos da CPTM e o “pós-pandemia”

Jessica Marques para o Diário do Transporte

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