Empresas de ônibus em Porto Alegre pedem suspensão de linhas. Prefeitura recusa e já fala em utilizar ajuda do Exército

Publicado em: 23 de maio de 2020

Foto: Maria Ana Krack, prefeitura de Porto Alegre

Pedido da Associação dos Transportadores atinge mais de 15 mil passageiros diariamente e reflete dificuldades do setor com a queda da demanda devido à pandemia

ALEXANDRE PELEGI

A Associação dos Transportadores de Passageiros (ATP) de Porto Alegre solicitou a suspensão de 12 linhas de ônibus a partir da próxima segunda-feira, 25.

O pedido, encaminhado à Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC), foi negado. Em comunicado, a prefeitura diz entender que a atitude “é um descumprimento de contrato e informa que a operação deve ser mantida”.

Os itinerários solicitados são das empresas Viva Sul, MOB, Mais e Via Leste.

As linhas atingidas são: 361 CEFER, 255 Caldre Fião, 718 Ilha da Pintada, 705 2 Aeroporto / CEASA, B09 Aeroporto / Indústrias / Iguatemi, 654 Educandário Petrópolis, 473 Jardim Carvalho / Jardim do Salso, 525 Rio Branco / Anita / Iguatemi, 282 Cruzeiro do Sul, 282 1 Pereira Passos, 289 Rincão / Via Oscar Pereira, 2843 B.Velho (S.Francisco) / Rincão / Betão até Azenha.

O prefeito Nelson Marchezan Júnior refutou a posição das operadoras. “As empresas não podem tomar uma medida de forma unilateral. Vamos manter a posição de exigir a continuidade e, ao mesmo tempo, estamos preparando alternativas para uma possível interrupção do transporte, inclusive com apoio do Exército”, afirmou o prefeito Nelson Marchezan Júnior.

A Prefeitura ressalta que o sistema de transporte público já passava por dificuldades em razão da sucessiva queda no número de passageiros, antes mesmo da crise mundial do coronavírus.

O fato motivou a administração municipal a encaminhar em janeiro deste ano à Câmara um pacote denominado “Transporte Cidadão”, com uma série de projetos para baratear a passagem e tornar o transporte público mais acessível.

O pacote aguarda votação.

Com a crise provocada pela pandemia de Covid-19, a redução na demanda nos últimos dois meses chegou a 80% do que era transportado em um dia útil antes do isolamento social.

A EPTC analisa diariamente a demanda para adequar a oferta de transporte. O objetivo principal é garantir a segurança dos passageiros, o cumprimento das medidas adotadas e, ao mesmo tempo, garantir a continuidade do serviço”, informa a prefeitura em comunicado.

Em dias úteis as linhas informadas transportam mais de 15 mil passageiros, o que representa quase 6% da demanda atual do sistema. Seriam 526 viagens a menos por dia durante a semana. Aos sábados a suspensão atinge mais de sete mil passageiros, 5% da demanda do dia e 390 viagens a menos.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

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Comentários

  1. Eduardo Valerio disse:

    Simples a questão, Se as linhas dão prejuízo, e só as empresas operadora e concessionária entregar a concessão, a PREFEITURA que é a detentora da linha assume, com sua empresa de transporte público que é a CARRIS, e o lucro dos empresários será usada no déficit ora falado, pois a empresa pública não visa lucro, e digo mais se a CARRIS assumir todo transporte de porto alegre a passagem pode ficar mais barata, e só deduzir o lucro dos empresários da tarifa, será que é pouco ?

  2. Daisy Fernandes dos Santos disse:

    Também pensei nisto. Ou que se abra licitação para novas empresas. Estas já estão lucrando há décadas e oferecendo mau serviço. Sim à uberizacao dos transportes coletivos também.

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