Empresa aprimora uso da biometria facial para permitir identificação de usuário mesmo com máscara

Publicado em: 8 de maio de 2020

Biometria facial se baseia em pontos nodais da face. Foto: Empresa 1

Empresa 1, que fornece tecnologia para transporte público, ressalta a importância dos dados como fonte de inteligência para a definição de políticas públicas

ALEXANDRE PELEGI

Parece claro que a atual crise do transporte público, aprofundada às raias do paroxismo pela pandemia de Covid-19, definirá em pouco tempo um novo padrão social para a mobilidade.

Se questões que já afetavam o setor, de ordem econômico e financeira, já eram mais que suficientes para tirar do sério não apenas gestores públicos, mas principalmente empresários, os novos hábitos que seguramente emergirão após a pandemia são mais que desafiadores.

Enquanto empresários que dependem da remuneração da tarifa como principal fonte de receita para se manter operando, tentam encontrar outras formas de sobrevivência para o sistema ao lado de autoridades e entidades do setor do transporte público, parece claro que a reinvenção da mobilidade urbana exigirá muito mais do que jamais se pôde imaginar.

Como diz a anedota, quando pensamos que tínhamos conseguido obter as principais respostas, eis que a realidade resolveu trocar todas as perguntas…

Não é para menos: o surgimento da pandemia do COVID-19, e a velocidade com que ela se desencadeou, pegou toda a sociedade de surpresa. Para o setor de transporte público, os efeitos são ainda incomensuráveis, com queda gigantesca de demanda e alguns sistemas beirando o colapso.

A Empresa 1, que fornece tecnologia para transporte público, está desenvolvendo uma série de ações voltadas para a melhoria da eficiência operacional dos sistemas de transporte, com foco no uso de sistemas de tecnologia embarcada.

Algumas premissas são óbvias: o transporte público coletivo continuará sendo essencial para um país como o Brasil, de enormes desigualdades sociais e onde a enorme distância entre emprego e trabalho é uma trágica realidade. Essa junção de características obriga o mais pobre, a imensa maioria da população urbana, a fazer grandes deslocamentos a baixo custo.

Diante disso, mais do que nunca será necessário utilizar as ferramentas disponíveis não só para pensar durante a crise, como principalmente estudar modelos para sair dela e garantir a sobrevivência do sistema.

Mais do que sobreviver, o transporte público terá de renascer melhor do que é hoje.

Se os atuais sistemas de tecnologia já instalados no transporte urbano já transformaram os ônibus em unidades vivas de informação, também é verdade que muito pouco desse material foi até agora utilizado com inteligência em benefício do próprio setor e seus usuários.

No Brasil, o ônibus terá sempre de fazer parte dessa equação: não há mobilidade possível sem ele.

E num novo padrão social, com o distanciamento entre as pessoas sendo uma necessidade constante e a proteção sanitária uma ordem de rotina, caberá às operadoras de transporte entenderem qual deverá ser seu papel nesta nova ordem, garantindo conforto e segurança aos passageiros, ao mesmo tempo em que condições mínimas para manter a operação dentro de novos padrões de excelência.

A tecnologia, mais do que nunca, torna-se essencial. E somente ela pode garantir maior eficiência. E curiosamente, não se trata de novos investimentos, mas de se apropriar do que ela pode fornecer, coisa que pouco se tem feito, e que ainda está ainda muito longe da plenitude.

BIOMETRIA FACIAL X USO DA MÁSCARA

A biometria facial aplicada ao transporte público tem como função primordial evitar a evasão de receitas provocada pelas fraudes, tanto por meio de bloqueios de fraudadores recorrentes ou eventuais, bem como pela inibição de fraudadores futuros.

Mas e numa situação em que as pessoas hoje, e assim deverão permanecer ainda por um bom tempo, estão obrigadas a usar máscaras? O sistema funciona? Fica obsoleto?

A Empresa 1 tem investido intensamente na melhoria do sistema Sigom Vision, o sistema de Biometria Facial da empresa e, ainda neste mês, colocará em operação uma atualização com novos parâmetros para identificação da face mesmo com o uso de máscara.

Em conversa com Marcionilio Sobrinho, Diretor técnico da Empresa 1, ele explicou que a empresa vem atuando antes mesmo da pandemia para aumentar ao máximo a eficiência do sistema, diante de outras barreiras naturais para a leitura, como óculos muito escuros, por exemplo.

O investimento em pesquisa feito pela Empresa 1 ao longo dos últimos anos e na experiência prática adquirida com a operação do Sigom Vision, atualmente em mais de 120 cidades e com uma base instalada de 22 mil câmeras, permite operar com alta eficiência mesmo com os usuários do sistema usando máscaras de proteção facial.

E por que isso? A biometria facial será uma aliada poderosa para o transporte público, especialmente no período de retomada da economia e do mercado, o que exigirá um alto índice de eficiência operacional.

Desde que foram criados, os sistemas de biometria facial sofreram transformações consideráveis. Se antes os algoritmos de reconhecimento de face utilizavam modelos geométricos simples, atualmente a tecnologia se tornou uma ciência de representações matemáticas sofisticadas, o que trouxe mais efetividade no processo de comparação.

Não é exagero dizer que os principais avanços dos últimos quinze anos têm impulsionado a tecnologia para um estado de qualidade e garantia de eficiência para níveis próximos da identificação humana.

Porém, o grande diferencial no uso desse tipo de solução está na combinação entre uma operação bem executada e uma tecnologia de ponta. Uma solução inteligente é composta por processos e motores de software capazes de evoluir ao longo do tempo, incrementando a performance da solução de forma automática à medida em que a operação avança.

O importante”, diz Marcionilio, “é que não se trata de novos investimentos para nossos clientes que já possuem a ferramenta instalada em seus ônibus. Basta apenas uma simples atualização do software. Nós inserimos novos conceitos de inteligência e conceitos mais avançados de nosso algoritmo de verificação, que permitem ao equipamento identificar uma pessoa mesmo com ela usando máscara”.

Com isso, o transportista que já possui o equipamento, afirma Marcionilio, não terá custo adicional, nem com pessoal, nem com novas instalações, para fazer uso desse novo aparato tecnológico. A qualidade é tão boa que dispensa a necessidade de recadastramento. As imagens captadas são perfeitamente reconhecidas quando comparadas às imagens cadastradas, o que garante a eficiência.

A tecnologia faz uso daquilo que ela já aprendeu até então”, diz Marcionílio. “A Biometria facial se baseia em pontos nodais da face, e coisas como óculos, barba ou cabelo, não fazem diferença”, ele explica. “Com a quantidade de pontos do rosto, sem a área da boca e da ponta do nariz, já é suficiente, pois com esse incremento de inteligência que fizemos, o sistema consegue remontar esses pontos faltantes, o que permite a identificação”.

Na prática, essa capacidade de transformação significa que no dia a dia da operação, os dados biométricos coletados são trabalhados por um algoritmo preparado para interpretar as informações que estão entrando e selecionar de forma inteligente o que deve ser armazenado e o que pode ser descartado, tudo isso baseado em recursos de machine learning (aprendizagem de máquina, ou aprendizado automático).

O machine learning é uma tecnologia de Inteligência Artificial que permite aos sistemas aprender sem serem programados.

Vale acrescentar que a inteligência do Sigom Vision vai além dos dados biométricos. Ao longo dos anos, a Empresa 1 observou o potencial de incorporar informações do comportamento de uso dos passageiros inerentes ao sistema de bilhetagem eletrônica, como horários, linhas e volume aos princípios de machine learning (aprendizado automático).

GERAR INTELIGÊNCIA PARA AS POLÍTICAS PÚBLICAS

Marcionilio destaca ainda outro aspecto importante da tecnologia neste momento. Com as operadoras utilizando o máximo das informações e dados que o sistema fornece, será possível com a análise das informações em tempo real projetar alterações e mudanças no sistema de transporte. Ou seja, a farta base de dados produzida se transformam em importante insumo para a formulação de políticas públicas voltadas ao planejamento da mobilidade urbana.

No caso da Biometria, por exemplo, o sistema pode, diariamente, emitir relatórios que demonstrem, por região da cidade, quais linhas, e em que horários, houve uma maior ou menor atenção ao uso de máscaras, instruindo o poder público a criar campanhas diferenciadas que aumentem a segurança sanitária, diminuindo riscos de contágio.

WEBINAR

A proposta da Empresa 1 é composta de uma série de artigos sobre o assunto, um e-book com dicas para melhor uso da biometria facial e um webinar que trará uma experiência mais aprofundada na prática sobre o sistema.

A primeira ação será a realização do webinar, com o tema “Como ter resultado com a biometria facial no transporte público mesmo em tempo de pandemia”, que acontecerá no dia 28 de maio, às 17h horas. Será um workshop aprofundado para a utilização do sistema de biometria facial, com dicas práticas sobre processos operacionais, indicadores de gestão e apresentação da inteligência por trás do sistema.

Para se inscrever basta acessar o site https://conteudo.empresa1.com.br/biometria-facial e preencher o formulário.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

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