Transporte público pode ter paralisação em Caraguatatuba

Publicado em: 2 de maio de 2020

Essencial no transporte, empresa pode paralisar atividade nesta semana.

Empresa Praiamar Transportes alega que não conseguirá realizar o pagamento de motoristas e funcionários em função da forte redução na demanda

ALEXANDRE PELEGI

A empresa Praiamar Transportes, que opera o transporte público em Caraguatatuba, litoral norte de São Paulo, está com dificuldades financeiras.

O presidente do sindicato dos Rodoviários de Caraguatatuba, Francisco Israel, informou nesta sexta-feira, 01 de maio de 2020, que a empresa talvez não consiga efetuar o pagamento de seus motoristas e funcionários, o que redundará em paralisação das atividades de transporte na cidade.

Em comunicado publicado em sua página no Facebook já em 19 de abril, assinado pela UNITRANS – União dos Transportadores por Ônibus do Litoral Norte, entidade que representa as empresas Praiamar Transportes, Verdebus e Ecobus, informa que as concessionárias já enfrentavam “sérias dificuldades financeiras”, situação causada pela pandemia do coronavírus, e em especial pelos decretos de restrições severas à circulação, que paralisou as atividades não essenciais nas cidades atendidas pelas respectivas empresas – Caraguatatuba, São Sebastião e Ubatuba –, e reduziu em mais de 85% o número de passageiros.

Diante desse cenário, as empresas informavam que não conseguiriam pagar o adiantamento salarial aos seus colaboradores, previsto nas convenções coletivas.

O comunicado informa ainda que as três empresas já haviam protocolado junto às prefeituras vários ofícios solicitando providências no sentido de subsidiarem o transporte “a exemplo de várias outras cidades do Brasil, com participação nas folhas de pagamento, diesel, diferimento do ISS ou qualquer outro que julgarem prudente”.

Além disso, segundo informou o dirigente sindical dos rodoviários ao portal Tamoios News, as tarifas em Caraguatatuba estão congeladas desde 2017.

No mês passado, ainda segundo Israel, a empresa parcelou o pagamento dos funcionários, sem conhecimento do sindicato.

Com a possibilidade de não pagar os funcionários no quinto dia útil, o dirigente sindical adianta que os motoristas devem paralisar suas atividades.

A Prefeitura de Caraguatatuba, segundo o Tamoios News, informou que notificou a Praiamar para que apresente documentos comprovando a necessidade dos subsídios.

Várias cidades brasileiras têm justificado o pagamento de subsídio emergencial através do reequilíbrio do contrato. Em Indaiatuba, interior de São Paulo, o reequilíbrio foi feito com base na matriz de riscos por meio de lei municipal, aprovada pela Câmara e sancionada pelo prefeito em 23/04. O valor da tarifa não sofreu alteração. Relembre: Câmara de Indaiatuba aprova repasse de R$ 1,58 milhão para empresa de ônibus

Outros exemplos de auxílio emergencial:

Prefeitura de João Pessoa compra créditos de passagens de ônibus

Para evitar colapso, Prefeitura de Salvador compra R$ 5 milhões em passagens de ônibus

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Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

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