Doria debate com prefeitos relaxamento de quarentena no Estado de São Paulo e diz que flexibilização vai ocorrer onde tem isolamento maior que 60%

Publicado em: 28 de abril de 2020

Ônibus municipais em Osasco, na Grande São Paulo, a segunda cidade com maior número de casos, depois da capital

Aumento de oferta de transportes está entre um dos temas que prefeitos devem estar atentos

ADAMO BAZANI

O governador de São Paulo, João Doria, se reuniu por teleconferência nesta terça-feira, 28 de abril de 2020, com 31 prefeitos de cidades com mais de 200 mil habitantes para debater como deve ser a abertura “gradual e heterogênea” da economia do Estado com a flexibilização da quarentena que será marcada pela “reabertura de estabelecimentos não essenciais por fases e regiões”, como diz nota do Palácio dos Bandeirantes.

Foi um primeiro encontro virtual para explicar aos prefeitos a situação do avanço do novo coronavírus em cada região e as perspectivas das equipes de Saúde do Estado.

Nesta quarta-feira, 29, deve haver mais uma reunião de apresentação do “Plano São Paulo”, que prevê a reabertura gradual, com prefeitos da Região Metropolitana de São Paulo, que contempla 39 cidades.

Já na quinta -feira, 30, participam os prefeitos de cidades com menos de 200 mil habitantes.

Ao todo, o Estado de São Paulo possui 645 municípios.

Segundo balanço da tarde desta terça-feira, 28, da esquipe de Saúde do Estado, das 645 cidades paulistas, 305 tiveram pelo menos um caso da doença.

Ao todo, até o início da tarde, o Estado tinha 24.041 casos confirmados e 2.049 mortes. Do total de infectados, 8.644 foram detectados em cidades do interior, litoral e Região Metropolitana da capital.

Doria ressaltou aos prefeitos, segundo a nota, que a quarentena primeiro vai ser flexibilizada em cidades que tiverem ao menos 60% de isolamento.

“O isolamento social é fundamental. Cidades que estão mantendo o índice entre 60% e 70% serão cidades com mais oportunidades de flexibilização do que aquelas que não estão tendo o mesmo desempenho”, declarou o Governador.

A medição do isolamento ocorre por meio de um sistema de monitoramento dos celulares ligados da população que pode indicar a movimentação dos proprietários das linhas, mas segundo o Governo do Estado, não mostra quem é dono do aparelho.

Constantemente, o índice médio de isolamento no Estado tem ficado abaixo de 50%.

Em entrevista coletiva no início da tarde desta terça-feira, secretário estadual da Saúde, José Henrique Germann, disse que este percentual acende o sinal amarelo de alerta e que se o isolamento não for maior que 50%, os casos de mortes tendem a aumentar numa velocidade ainda maior.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2020/04/28/sinal-amarelo-taxa-de-isolamento-foi-de-48-e-mortes-por-covid-19-podem-crescer-mais-com-este-indice-diz-secretario/

Doria disse também que a curva de casos só não explodiu por causa do isolamento.

“Estamos juntos nessa que é a pior crise de saúde, econômica e social do país. Em São Paulo não tomamos decisões de ordem política ou personalista. Tomamos decisões sempre amparadas na ciência e na medicina e é por isso que conseguimos o achatamento da curva. Estamos conseguindo salvar vidas aqui em São Paulo com a ajuda de vocês [prefeitos] e faço um agradecimento pelo apoio, consciência e atitude de todos nas suas cidades e regiões”

Um dos temas que os prefeitos devem de atentar é quanto ao transporte coletivo.

Com o retorno de algumas atividades não essenciais, a tendência é de a demanda de passageiros aumentar. Assim, as secretarias de transportes, para evitar aglomeração e lotação, devem antes mesmo da flexibilização, traçar cenários para ajustar as frotas de ônibus.

Participaram da reunião os Secretários de Estado Marco Vinholi (Desenvolvimento Regional), Patricia Ellen (Desenvolvimento Econômico), José Henrique Germann (Saúde) e Célia Parnes (Desenvolvimento Social), além do Coordenador do Centro de Contingência do coronavírus, David Uip.

“Realizamos uma reunião de pactuação entre Estado e municípios. Pedimos empenho a todos os prefeitos para que possamos seguir melhorando as taxas de isolamento social até o dia 10. Na sequência, haverá um tratamento heterogêneo, deixando muito claro para os prefeitos que é a ciência que vai definir de que forma vai se dar esse retorno gradual”, destacou Vinholi.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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