Ao menos 77 metroviários de São Paulo estão afastados por causa da Covid-19, diz sindicalista a deputado

Publicado em: 25 de abril de 2020

Mesmo com demanda menor, ainda há risco no metrô, considera sindicalista

Já entre motoristas de ônibus, são mais de 175 casos. Crescimento do número de mortes também preocupa entre rodoviários

ADAMO BAZANI

Pelo menos 77 funcionários da Companhia do Metrô de São Paulo estão afastados por causa da Covid-19, doença causada pelo novo coronavírus que teve origem na China no ano passado.

A informação é de uma nota na área de imprensa da Alesp – Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo na edição do Diário Oficial do Estado deste sábado, 25 de abril de 2020, sendo atribuída a coordenadora do Sindicato dos Metroviários, Camila Lisboa.

A sindicalista conversou por videoconferência no dia 16 de abril com o deputado Carlos Giannazi e o vereador Celso Giannazi (ambos do PSOL).

Segundo a nota, destes 77 funcionários afastados, 28 tiveram confirmação de contágio, outros 28 apresentavam na ocasião sintomas e 21 tiveram de ser isolados porque tiveram exposição ao vírus, como contato com pessoas que estavam com a infecção confirmada.

A nota, de responsabilidade da assessoria do deputado, não fala em mortes, mas cita um possível “colapso” do Metrô com a “contaminação de servidores”.

O plano de contingência à situação gerada pelo novo vírus apresentado pelo sindicato pede testagem de todos os metroviários, fornecimento dos EPIs (como máscaras, luvas e álcool em gel para todos os funcionários) e requer que mais setores da economia participem da quarentena.

Segundo a sindicalista, apesar da queda de demanda de quatro milhões de passageiros por dia para algo torno de 750 mil, há ainda muita gente circulando no sistema, com lotação em plataformas e trens, colocando em risco a saúde e a vida de usuários e metroviários.

Ainda de acordo com a nota, até então, dos 77 funcionários afastados, apenas dois se curaram da Covid-19 e retornaram ao trabalho.

A situação é preocupante também entre motoristas e cobradores de ônibus da região metropolitana de São Paulo.

Como mostrou o Diário do Transporte, de acordo com o levantamento mais recente do Sindmotoristas, que representa os funcionários do transporte coletivo de ônibus na cidade de São Paulo, pelo menos 175 rodoviários do transporte coletivo da capital paulista podem estar com Covid-19 e ao menos 15 óbitos podem ter sido em decorrência desta doença. Três mortes já tinham sido confirmadas como sendo causadas pelo novo coronavírus.

De acordo com o sindicato, dos 175 casos suspeitos, 27 já foram confirmados e das 15 mortes investigadas, quatro também foram confirmadas como resultado do novo coronavírus.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2020/04/20/sindicato-afirma-que-175-funcionarios-do-transporte-por-onibus-em-sao-paulo-podem-estar-com-o-coronavirus/

Nesta semana, um motorista de ônibus da Suzantur, de Mauá, no ABC Paulista, morreu vítima da Covid-19.

O profissional foi internado no Hospital da Vila Alpina e não resistiu.

A empresa confirmou a morte e disse que prestou assistência à família e que foi o único caso de contágio com o vírus entre funcionários das unidades do grupo, entre fretamento de Suzano, na Grande São Paulo, e urbanos de Santo André e Mauá (ABC Paulista) e São Carlos, interior de São Paulo.

Um levantamento do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe/UFRJ), que mapeou mais de 2,5 mil ocupações no País, revelou que os motoristas e cobradores de ônibus urbanos, metropolitanos e rodoviários (motoristas) estão entre os profissionais com maior risco de ser contaminados no Brasil pelo novo coronavírus, que surgiu na China e em poucos meses aterrorizou todo o mundo.

São 350 mil trabalhadores em ônibus que correm 70% de risco de serem contaminados devido ao exercício de sua profissão.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2020/04/13/motoristas-e-cobradores-de-onibus-tem-70-de-risco-de-contagio-pelo-novo-coronavirus-no-brasil-dizem-pesquisadores/

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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