Greve de ônibus em Sorocaba é mantida por tempo indeterminado

Publicado em: 24 de abril de 2020

Ônibus em Sorocaba

Segundo sindicato, viações começaram a demitir

ADAMO BAZANI

A greve dos motoristas de ônibus e demais funcionários do transporte coletivo de Sorocaba, no interior paulista, vai continuar por tempo indeterminado, de acordo com o sindicato da categoria.

Além dos atrasos em pagamentos de salários e do vale-refeição por parte das empresas de ônibus, o Sindicato dos Rodoviários Sorocaba e Região disse, por meio de nota, que começaram demissões nas companhias.

Diferentemente do que ocorreu na quinta-feira (23), nesta sexta-feira, 24 de abril de 2020, a paralisação não se restringiu apenas ao horário entre 12h30 e 16h.

A entidade trabalhista explicou em nota que diante das demissões, os trabalhadores se recusaram a voltar.

“Neste momento, as empresas CONSOR e STU, de forma totalmente irresponsável e intransigente, estão fazendo demissão em massa por meio de telegrama, diante desse gravíssimo fato os trabalhadores em transportes se recusam a retornar à atividade às 16h, como previsto no início do protesto por causa de falta de pagamento de salário.

O Sindicato dos Rodoviários de Sorocaba e Região está atuando para resolver a situação e restabelecer a operação do transporte, mas novamente a atitude irresponsável das empresas, que já não pagaram o salário completo referente ao mês de março e o adiantamento salarial no dia 20 deste mês, e agora tentam demitir por telegrama, só dificulta ainda mais um entendimento.”

As companhias de ônibus, por sua vez, disseram que enfrentam dificuldades financeiras por causa de queda de demanda em decorrência dos efeitos econômicos da pandemia da Covid-19.

As viações dizem ainda que o Sindicato dos Rodoviários teria aceitado fechar um acordo com base na Medida Provisória 936/20, que prevê redução de trabalho e salário durante o estado de emergência por causa do avanço da doença originada na China. Entretanto, segundo as viações, o sindicato da categoria pede que a carga horária seja reduzida em 50%, mas com remuneração integral.

As empresas ainda dizem que só recebem 40% da remuneração dos subsídios pelo transporte.

“O Consor e a STU pedem desculpas à população sorocabana pela falta de transporte na cidade e esclarece que também foram surpreendidos pela ação de paralisação feita pelo Sindicato dos Rodoviários.

Conforme informamos nos últimos dias, estamos enfrentando uma grave situação de arrecadação devido a pandemia da covid-19. O isolamento social gerou a queda no transporte de passageiros e, consequentemente, impactou no faturamento das empresas.

Recebemos o apoio financeiro da Prefeitura que ajudará somente em parte do pagamento das despesas referente a circulação de 40% da frota, porém para os 60% restantes não há recurso disponível em caixa.

Diante da realidade e contrário à vontade das empresas, não temos outra opção senão dispensar parte dos colaboradores. Lamentamos profundamente essa medida, mas foi a única solução encontrada para que alguns postos de trabalho sejam preservados e evitemos o fechamento total da operação pela falta de subsídio.

Pela vontade das empresas, todos estariam trabalhando e recebendo seus pagamentos corretamente como lhes é de direito. No entanto, as consequências da pandemia estão indo muito além de afetar a saúde física dos brasileiros. Agora, é a saúde da economia que está adoecendo.

Aproveitamos a oportunidade para explicar que o Sindicato aceitou o acordo com base na Medida Provisória 936/20 para a redução de salarial conforme a carga horária de trabalho. Porém, a entidade deseja que o rodoviário trabalhe metade e exige que receba a remuneração total. O que não é possível pela falta de caixa das empresas. A proposta colocada pelas empresas é a condição possível para o atual momento.

O Consor e a STU repudiam a situação de violência e depredação ocorrida na garagem da STU na tarde de hoje (24/4) e reafirma o posicionamento de que soluções devem ser buscadas por meio do diálogo e da união. Para nós, cada profissional representa uma família e sabemos que todos são importantes, por isso, seguimos firmes com o propósito de fazer o melhor dentro das nossas possibilidades e deveres.”

Na quinta-feira (23), a prefeitura de Sorocaba alegou que mantém o pagamento de R$ 6 milhões por mês referente a um repasse integral para as empresas de ônibus, apesar de somente 40% da frota estarem em circulação.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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