Motoristas realizam paralisação em Vitória da Conquista (BA) em protesto contra o sindicato da categoria

Foto: Prefeitura de Vitória da Conquista

A entidade que representa os rodoviários da cidade não aceita o acordo proposto pelas empresas de ônibus, gerando insatisfação dos trabalhadores que temem demissão em massa

WILLIAN MOREIRA

Ônibus de pelo menos duas empresas na cidade de Vitória da Conquista, na Bahia, não saíram das garagens na manhã desta quinta-feira, 16 de abril de 2020. O motivo é inusitado: os rodoviários protestam contra o sindicato que representa os motoristas e demais funcionários do setor na cidade.

Ao menos duas empresas são afetadas pela paralisação com a saída dos veículos bloqueadas das garagens, a Viação Cidade Verde e a Viação Rosa.

Segundo informações da imprensa regional, os funcionários ficaram insatisfeitos com a postura do Sindicato dos Rodoviários de Vitória da Conquista (SINTRAVC) que não aceita assinar acordo com as empresas permitindo aos funcionários receber o auxílio emergencial do governo de R$ 600, e assim evitar demissões em massa.

As empresas alegam que, sem este acordo proposto por elas, a solução será demitir parte dos trabalhadores, uma vez que a arrecadação teve forte queda, causada pelos efeitos da Covid-19 no setor de transporte público.

OUTRO LADO

O Sindicato dos Rodoviários de Vitória da Conquista – SINTRAVC enviou nota à redação do Diário do Transporte manifestando-se sobre a matéria. Segue a nota na íntegra:

A paralisação de hoje (16) ocorreu exclusivamente por iniciativa de um pequeno grupo de rodoviários da empresa Cidade Verde, incentivados e apoiados pela direção da própria empresa, que pressiona o Sindicato a aceitar um aditivo ao Acordo Coletivo para aplicação da MP 936/2020 danoso ao trabalhador.

Este mesmo pequeno grupo de rodoviários que fez a paralisação na Cidade Verde, tentou impedir a saída dos ônibus da Viação Rosa da garagem, mas não tiveram êxito, pois a Secretaria de Mobilidade Urbana – SEMOB – acionou a Polícia Militar, que liberou a saída dos carros.

Durante a paralisação da Cidade Verde, que durou cerca de 02 horas,  a Prefeitura Municipal de Vitória da Conquista determinou que a Viação Rosa suprisse a demanda de linhas que foram deixadas pela Cidade Verde.

A empresa Cidade Verde vem protagonizando, há semanas, um verdadeiro terrorismo psicológico contra os funcionários, utilizando-se da ameaça de demissão coletiva e informações falsas.

Os rodoviários da Cidade Verde se reuniram na porta do sindicato e fizeram uma votação na qual a maioria decidiu por REJEITAR a proposta da empresa.

É equivocada e desonesta a informação prestada ao site Diário do Transporte dizendo que “o Sindicato dos Rodoviários de Vitória da Conquista (SINTRAVC) (…) não aceita assinar acordo com as empresas permitindo aos funcionários receber o auxílio emergencial do governo de R$ 600, e assim evitar demissões em massa”.

Incentivamos a produção do site, entender melhor quem tem direito ao auxílio emergencial de R$ 600 , e a MP 936/2020 para informar aos leitores de maneira correta.

O SINTRAVC, como já explicado, se recusa a aceitar algumas cláusulas abusivas que a empresa adicionou à proposta e a não aceitação da proposta fará A EMPRESA perder o subsídio de 70% do governo federal.

Além disso, a demissão em massa, que a empresa Cidade Verde usa para ameaçar o Sindicato, não tem respaldo legal e existem diversos casos em que empresas que fizeram isso, inclusive do próprio grupo da Cidade Verde, foram obrigados pela Justiça a readmitir os funcionários.

O Sintravc se pauta pela LEI e defesa dos direitos dos rodoviários e não vai se render à pressão de empresas que se aproveitam do momento para sorrateiramente tirar proveito da situação de pandemia e tensão para subtrair direitos conquistados sob muita luta e garantidos pela Constituição.

Solicitamos desse veículo a publicação do nosso posicionamento, ao tempo que instamos que seja feito o papel básico do jornalismo: ouvir sempre OS DOIS LADOS do assunto.

Nossa assessoria está à disposição para prover informações e entrevista com o presidente Alvaro Souza explicando quais as cláusulas rejeitadas pelo Sindicato e apresentando nossa proposta, que diga-se de passagem, já foi aceita por diversas empresas de transporte.

Caso queiram fotos, vídeos e áudio sobre os fatos ocorridos hoje, nos solicite pelo e-mail e prontamente enviaremos.

Atenciosamente,
Carlos Henrique dos Santos, assessor de comunicação SINTRAV


Willian Moreira em colaboração especial para o Diário do Transporte

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