Transporte coletivo de Indaiatuba (SP) volta a operar na tarde desta quarta-feira

Empresa afirma que pagamentos estão em dia. Foto: Divulgação.

Rodoviários paralisaram serviço nesta terça contra redução de salários e atraso em pagamentos

JESSICA MARQUES

O serviço de transporte coletivo de Indaiatuba, no interior de São Paulo, voltou a operar ao meio-dia desta quarta-feira, 15 de abril de 2020.

Segundo a Prefeitura, os motoristas decidiram pelo retorno ao trabalho durante assembleia promovida pelo Sindicato dos Rodoviários de Campinas e Região, nesta manhã.

Os protestos são contra a redução e atrasos em salários e benefícios. A empresa Sancetur – Santa Cecília Turismo Ltda, que opera na cidade com o nome fantasia SOU Indaiatuba, alega dificuldades financeiras por causa da queda de demanda.

O número de passageiros está menor em decorrência das medidas de restrição de movimento para conter o avanço do novo coronavírus.

SUBSÍDIOS

A Câmara Municipal de Indaiatuba deve votar um projeto de lei do prefeito Nilson Gaspar que prevê subsídios para a empresa de até R$ 529.920 mensais, por até três meses, somando R$ 1,58 milhão (R$ 1.589.760,00) para equilibrar o contrato de prestação de serviços.

O prefeito Nilson Gaspar informou que se reuniu com representantes do Sindicato dos Rodoviários de Campinas e Região na tarde desta terça-feira, 14.

Os rodoviários decidiram voltar ao trabalho após esta conversa com o prefeito. Na ocasião, Gaspar pediu um voto de confiança por parte do Sindicato e solicitou o retorno dos serviços para não prejudicar ainda mais a população.

“Durante o encontro, os sindicalistas apresentaram a preocupação com o pagamento dos funcionários e manutenção dos empregos, já que o número de usuários sofreu grande redução. Cobraram a aprovação do projeto de Lei do Executivo, na Câmara Municipal, que subsidia para o passageiro, o valor da passagem do transporte coletivo”, informou a Prefeitura, em nota.

O projeto de lei em questão foi enviado à Câmara Municipal na segunda-feira, 13 de abril de 2020, mas ainda não foi apreciado devido à manifestação contrária dos vereadores da oposição, segundo a Prefeitura. Houve pedido de vistas aprovado por dois dias.

“O PL do Executivo Municipal visa subsidiar a passagem do usuário, garantindo a manutenção do serviço e da tarifa sem aumento de valores para o passageiro”, informou a Prefeitura, também em nota.

CRISE FINANCEIRA

Ao Diário do Transporte, a empresa informou estar em dia com o pagamento dos rodoviários. A viação afirmou ainda que a mobilização envolve o sindicato, os vereadores e a Prefeitura, não tendo relação direta com a empresa.

Além disso, por meio de nota, a Sancetur diz que por causa da crise originada pelo coronavírus passa por dificuldades financeiras, transportando apenas 13% da demanda habitual, e que os subsídios no projeto de lei não são para a empresa, mas para manter empregos e a continuação dos serviços.

Confira a nota, na íntegra:

A Sancetur – Sou Indaiatuba vem prestar os seguintes esclarecimento para os usuários do transporte público coletivo na cidade. Nos últimos dias todos fomos surpreendidos pelos devastadores efeitos da pandemia causado pelo Covid-19. Em razão da pandemia houve suspensão de diversas atividades econômicas, por ordem ou orientação de todas as esferas de Governo do Brasil.

Pela suspensão das atividades econômicas e pela orientação dos Governos para que as pessoas fiquem em casa pelo receio da proliferação do contágio do Covid-19, a quantidade de usuários do sistema público de transporte coletivo despencou para aproximadamente de 13% da usual e a empresa tem que tomar suas medidas de redução de gastos para continuar existindo e prestando serviço, bem como tentando manter o emprego de nossos colaboradores.

Somente para ilustrar, hoje estamos transportando 4.000 passageiros, dos quais 2.800 são pagantes e a receita não basta sequer para a aquisição do óleo diesel. Outras cidades já tomaram medidas visando a manutenção do transporte público coletivo, com a implementação de subvenções e subsídios, como São Paulo e Campinas, por exemplo.

O SUBSÍDIO NÃO É PARA A EMPRESA, MAS SIM PARA A GARANTIA DA CONTINUIDADE DO SERVIÇO PÚBLICO COMO MODICIDADE TARIFÁRIA E MANUTENÇÃO DOS EMPREGOS.

É de suma importância que a Concessionária fique mobilizada para, quando terminar este período, de forma imediata retome a prestação dos serviços de forma plena.

A paralisação do transporte na cidade ocorreu hoje, pois os nossos empregados, estão, de forma justa, preocupados com a manutenção de seus empregos, uma vez que a Câmara Municipal ainda não apreciou o Projeto de Lei 64/20 que subsidia os usuários do sistema de transporte coletivo e garantiria a continuidade da prestação dos serviços. Acreditamos que em breve a situação seja normalizada.

Estamos nos esforçando ao máximo nesse período de crise de saúde para prestar serviço público à população de Indaiatuba e manter os empregos, todavia, isso somente será possível se a Prefeitura garantir o equilíbrio econômico e financeiro do contrato de concessão, de forma que as receitas consigam fazer frente às despesas com a manutenção do serviço.

Jessica Marques para o Diário do Transporte

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