Queda de 70% no número de passageiros do transporte de Belo Horizonte leva empresas de ônibus a parcelar salários

Foto: Douglas Célio Brandão

Trabalhadores do setor de transporte já são afetados diretamente pelos efeitos da pandemia do novo coronavírus

ALEXANDRE PELEGI

Demissões em várias cidades brasileiras convivem com redução de salários. Esta é a triste realidade dos trabalhadores da área do transporte de passageiros, tanto urbano, quanto rodoviário, em decorrência dos efeitos da pandemia do novo coronavírus.

Agora a situação afeta diretamente os funcionários do transporte coletivo de Belo Horizonte, e o motivo é o mesmo: queda da arrecadação provocada pela queda do número de passageiros.

No caso de BH a redução alcança 70%, o que levou algumas empresas a propor o parcelamento do pagamento dos salários em três parcelas. Há também casos de redução de jornada de trabalho e gratificação, como informa o Estado de Minas.

O jornal aponta que há casos de empresas que passarão a pagar funcionários apenas pela hora trabalhada. Com o quadro de horários reduzido, isso terá como resultado uma queda nos vencimentos dos motoristas. O piso salarial da categoria está em torno de R$ 2.337,00.

O Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Belo Horizonte ( SetraBH) confirma que algumas empresas negociam o pagamento dos salários em três vezes, e isso se dá pela necessidade de ajustar a receita do dia aos débitos que devem ser quitados.

As medidas, de acordo com o SetraBH, têm base na Medida Provisória (MP) 936, do governo federal, que criou o Programa Emergencial de Manutenção do Emprego e da Renda.

Se a situação persistir, o sindicato das empresas admitiu que pode haver um colapso no transporte até o fim de abril.

Em nota, o SetraBH afirmou: A queda crescente de receita e de demanda de passageiros sinaliza para um colapso do sistema e que só com ajuda do poder público, as empresas vão ter condições de enfrentar a crise honrando seus compromissos com salários e pagamento de óleo diesel para continuar operando”.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

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