Pesquisa da CNT revela pessimismo na área do transporte devido à Covid-19

Empresas enfrentam queda de demanda e faturamento. Foto: Divulgação.

Mais de 90% dos entrevistados estão desanimados com os efeitos causados no setor em razão do novo coronavírus

WILLIAN MOREIRA

A CNT (Confederação Nacional do Transporte) divulgou nesta segunda-feira, 06 de abril de 2020, uma pesquisa realizada com empresários do setor de transporte de cargas e rodoviários sobre o novo coronavírus. O resultado mostra em maioria preocupação e uma visão não muito otimista do futuro próximo dessa área, em razão dos efeitos diretos e indiretos causados pela pandemia.

Entre os dias 1º e 3 de abril deste ano, 776 empresas de cargas e de passageiros foram consultadas para este levantamento sobre a situação atual do transporte. O levantamento aponta que mais de 90% do setor foi afetado de forma negativa pela crise da Covid-19, seja na queda de demanda ou, por consequência, no faturamento.

Uma das explicações para a queda na demanda pode ser expressada nas ações municipais, estaduais e federais de alguma maneira, que resultam no confinamento das pessoas, uma restrição das ações de convívio sociais e as relações comerciais e pessoas entre elas.

Isso obrigou as empresas de transportes a buscar soluções e adaptações para se manter funcionando e honrar seus compromissos financeiros, uma preocupação de 71,1% dos entrevistados, que já passam por dificuldades de caixa.

Quando questionados sobre o impacto da pandemia, 69,5% dos entrevistados constataram um resultado “muito negativo”, em contra partida, apenas 0,9% do setor vêem como “muito positivo” os impactos atuais.

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Pelo confinamento, muitos deixaram de realizar entregas ou transportar passageiros. Como por exemplo, medidas no estado da Bahia que atualmente restringe em 62 municípios o transporte intermunicipal, afetando não só o setor urbano regional, mas empresas de grandes distâncias que levam passageiros de outros estados até a Bahia.

Reflexo disso é o numero de 85,3% na queda das atividades do setor apontado no mês de março de 2020, período em que a crise do coronavírus aumentou de forma aguda.

Com base nisso, 61,6% dos entrevistados apontam uma drástica redução de suas atividades e um aumento de apenas 0,9% que pode ser expressado especialmente nas grandes cidades com o crescimento na demanda de transporte e entrega de curtas distancias, seja por aplicativos de alimentação ou de insumos e derivados, que também configura a atividade de transporte.

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A projeção para os próximos 30 dias não é animadora e a queda, já evidente, tende a se agravar com a prorrogação dos decretos de confinamento.

Exemplo disso é o que ocorre no estado de São Paulo, entreposto de circulação de pessoas e cargas, teve seu decreto de confinamento e restrição social prorrogado até o dia 22 de abril, com a possibilidade de nova extensão caso for necessário.

Com esse cenário, 84,0% dos entrevistados esperam a queda no faturamento, sendo que destes 53,5% já projetam uma diminuição acima dos 60% no valor arrecadado com o serviço prestado, colocando em risco a saúde destas empresas.

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Além da questão do faturamento, outros problemas que acompanham a crise é a interrupção das atividades, seja total ou parcial, junto à redução da frota e queda na produtividade.

Por sua vez, como uma engrenagem que compõe um sistema maior, a falta se insumos essenciais para o funcionamento se faz presente em 46,4% das empresas, destas 12,5% já notam muita dificuldade, sem especificar qual tipo de insumo está em falta.

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Uma alternativa encontrada por essas empresas é a mudança nas rotinas de trabalho, para que assim os postos de trabalho possam ser mantidos e os compromissos honrados, em especial dos trabalhadores.

Férias coletivas, banco de horas e alternação na jornada de trabalho são as principais ações colocadas em prática neste momento, porém, isso não impediu que 22,2% destas efetuassem demissões no último mês.

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Como essas transportadoras possuem recursos para operação em pouco mais de um mês, elas contam com um apoio do governo federal que até o presente momento disponibilizou linhas de crédito com carência estendida de taxas de juros menores, suspendeu a cobrança do PIS e COFINS e suspensão do imposto sobre os combustíveis, contribuindo para uma sensível, mas notada baixa em alguns custos de operação.

Mas apesar das ações do governo, ainda será possível, de acordo com 69,6% dos participantes das pesquisa, que pelo menos até o mês de julho, sejam sentidos reflexos da crise, isto é se as medidas de restrições se intensificarem neste mês atual ou chegarem até maio, gerando assim incertezas no setor como um todo, que depende e muito de outras dezenas de atividades econômicas e sociais para se manter estável.

Willian Moreira em colaboração especial para o Diário do Transporte

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Comentários

Comentários

  1. narlon braga disse:

    Diante desta catástrofe econômica, é preciso fazer todas as ações possíveis. Não teremos só 30 dias de parada. O exemplo da China mostra 70 dias ! E o transporte é o grande elo de ligação entre cidades e países. Tudo chegou aqui por avião. E deve ficar restrito por muito tempo, esta area, em virtude de haver muita probabilidade de uma segunda onda! Para assegurar os empregos, primordialmente, e para hoje, é imprescindível ter um salário mínimo para que cada empresa se sustente por , no mínimo , 6 meses, principalmente nos transportes! Os diretores das empresas vão ter que dar o exemplo. Baixar salários em até 60%, para quem está no topo, para assegurar o salário médio para o chão de fábrica!

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