Cinco empresas de ônibus de Curitiba pagam apenas metade dos salários de motoristas e cobradores

Publicado em: 7 de abril de 2020

Viações alegam dificuldades financeiras e sindicato dos trabalhadores chegou a pedir suspensão total de atividades

ADAMO BAZANI

Ao menos cinco das dez empresas de ônibus de Curitiba pagaram apenas metade dos salários de motoristas e cobradores.

A medida atingiu em torno de seis mil trabalhadores.

As companhias dizem que houve uma queda de 75% da demanda de passageiros, o que afetou a arrecadação para os pagamentos. A oferta de transportes, ainda segundo as empresas, tem sido seis vezes maior que a demanda.

Algumas dessas empresas vão dividir o pagamento dos 50% restantes em duas vezes, uma no dia 15 e outra no dia 25.

Em nota, o Setransp (sindicato das empresas) diz que o poder público, em diversos níveis, deve criar um plano de socorro já que há o risco de os serviços entrarem em colapso. (veja abaixo)

Também em nota, o presidente do Sindimoc (sindicato dos trabalhadores), Anderson Teixeira, afirma que a entidade negocia, mas que já esperava as dificuldades de pagamentos e que sempre defendeu a paralisação total do sistema para que não houvesse custos de operação.

“A nossa posição foi sempre de que o sistema de transporte fosse paralisado por completo, e não apenas reduzido. Mas como os coletivos continuaram e praticamente sem usuários, já era esperado que faltaria dinheiro para pagar os salários, situação que nós tentamos reverter reiteradamente. Foi uma tragédia anunciada às autoridades pelo nosso sindicato. Não foi por falta de aviso”

Entretanto, pela Constituição, o transporte é considerado Direito Social, e está a serviço de trabalhadores de setores essenciais no combate ao coronavírus, como profissionais da saúde, balconistas, supermercados e entregadores.

A Urbs – Urbanização de Curitiba S.A., do sistema municipal da capital, e a Comec – Coordenação da Região Metropolitana de Curitiba, que gerencia as linhas intermunicipais, informaram que fizeram os repasses às empresas, mas houve queda de demanda.

Veja a nota do Setransp (Empresas de Ônibus):

O Sindicato das Empresas de Ônibus de Curitiba (Setransp) informa, como fez na sexta-feira (3), que as operadoras do transporte coletivo passam por enormes dificuldades financeiras à esteira da pandemia do coronavírus.

As empresas obtêm receita para operar por meio da cobrança da passagem. Com a queda de passageiros na faixa de 75%, e rodando com uma oferta seis vezes maior que a demanda, simplesmente não há recursos para fazer frente aos custos do sistema.

Hoje talvez seja o exemplo mais visível: algumas operadoras não conseguiram realizar o pagamento de 100% do salário aos seus colaboradores. O vale-alimentação foi possível honrar na sua totalidade.

Em conversas com o Sindicato dos Motoristas e Cobradores (Sindimoc) e Sindicato dos Empregados em Escritório e Manutenção (Sindeesmat), as empresas se comprometeram a complementar o valor faltante ainda este mês. Esse parcelamento se soma ao esforço das operadoras para não haver demissões.

O Setransp alerta os poderes públicos novamente para a urgência na criação de um plano de socorro ao setor, a fim de impedir o colapso do sistema.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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